UNICRED CRICIÚMA: INSTITUIÇÃO COOPERATIVA OU DE MERCADO?

October 12, 2017 | Author: Afonso Bacelar Correia | Category: N/A
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1 UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃ...

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UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EMPRESARIAL

SILVANA CASAGRANDE GEREMIAS

UNICRED CRICIÚMA: INSTITUIÇÃO COOPERATIVA OU DE MERCADO?

CRICIÚMA, NOVEMBRO DE 2007

SILVANA CASAGRANDE GEREMIAS

UNICRED CRICIÚMA: INSTITUIÇÃO COOPERATIVA OU DE MERCADO?

Monografia apresentada à Diretoria de PósGraduação da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, para a obtenção do título de especialista em Gestão Empresarial. Orientador: Prof. M.Sc. João Marcos de Souza Alves

CRICIÚMA, NOVEMBRO DE 2007

AGRADECIMENTOS

A Deus, que me auxiliou mostrando os caminhos certos para que pudesse concretizar este trabalho com seriedade e dignidade, mesmo nos momentos difíceis e de dúvidas. A minha família, em especial ao meu pai e minha mãe, que toleraram meus momentos de ausência física e espiritual. Aos meus amigos, já que não pude estar presente em todos os nossos encontros por estar me dedicando aos estudos. A minha empresa, Unicred Criciúma, e a todos os colegas de trabalho que me suportaram nestes dias difíceis. Aos colegas de trabalho Marcelo R. de Lima, Rodrigo G. Fontanella e Soraia F. Pereira, que não mediram esforços para me ajudar nos momentos em que precisei contar com o apoio deles. Ao professor e orientador João Marcos que me orientou de forma prestativa, auxiliadora e esclarecedora para melhor elaboração desta monografia. Ao Fernando S. de Lucca, meu namorado, uma pessoa simplesmente maravilhosa, que desde o início me apoio e incentivou na realização dos meus ideais, tendo que aturar meus momentos de nervosismo. A todos que, de uma certa forma contribuíram para a finalização de mais uma etapa de minha vida.

“... a economia a partir do coração é aquela que segue o caminho da “cooperatividade” em vez da competitividade, da eficiência sistêmica em vez da eficiência apenas individual, do “um por todos e todos por um”...” Singer e Souza

RESUMO

O cooperativismo é uma doutrina cultural e socioeconômica que busca a união das pessoas para um objetivo comum. Ele é baseado no trabalho e não no lucro. Originou-se junto com o capitalismo, mas como forma superior a ele, com valores e princípios norteadores e direitos e deveres estabelecidos aos seus associados. Um de seus ramos é o de cooperativas de crédito, que consiste em uma instituição voltada a poupança e ao financiamento produtivo. Sua organização sistêmica brasileira é dividida em cinco modelos e, um deles é o sistema Unicred. Falando em cooperativismo de crédito, entra-se em discussão a respeito da economia solidária, que atua na parte do crédito, fazendo com que o mesmo seja liberado de forma solidária. A Unicred Criciúma, em destaque neste trabalho, faz parte de uma das singulares do sistema Unicred em Santa Catarina. Ela se apresenta como uma cooperativa de crédito e traz características muito similares a outras instituições financeiras, porém com o diferencial do cooperativismo. O problema é que com esta igualdade, ela está chegando muito perto de se tornar mais uma praticante da economia capitalista. A metodologia aplicada é pesquisa descritiva, com abordagem qualitativa e, o procedimento técnico utilizado é o estudo de campo, utilizando os instrumentos de coleta de dados da observação e entrevista. Pode-se observar a proximidade das características bancárias e cooperativistas e, concluir que se as cooperativas de crédito se deixarem levar pela competitividade, deixarão de existir ou se transformarão em apenas mais uma instituição capitalista. Palavras-chave: cooperativismo; cooperativa de crédito; economia solidária.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Alguns dos participantes da primeira cooperativa....................................19 Figura 2 – Representação do Cooperativismo...........................................................21 Figura 3 – Símbolo do cooperativismo.......................................................................25 Figura 4 – Bandeira do cooperativismo......................................................................27 Figura 5 – Áreas de ação da Unicred Criciúma e números de cooperados divididos por região...................................................................................................................45 Figura 6 – Áreas de ação da Unicred Criciúma e números de cooperados divididos por região...................................................................................................................45

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Características de Sociedade Cooperativa e Mercantil..........................34 Quadro 2 – Número de profissionais de algumas categorias das áreas de ação da Unicred Criciúma........................................................................................................46 Quadro 3 – Empréstimos e Financiamentos da Unicred Criciúma............................52 Quadro 4 – Níveis de Risco por Índice de Inadimplência da Unicred Criciúma.........53 Quadro 5 – Evolução dos Índices de Inadimplência da Unicred Criciúma.................54 Quadro 6 – Comparativo de tarifas de serviço cobradas às PF.................................59 Quadro 7 – Comparativo de empréstimos e financiamentos PF e PJ.......................60 Quadro 8 – Tipos e características dos empréstimos e financiamentos da Unicred Criciúma ....................................................................................................................63 Quadro 9 – Quantidade de contratos por linha de crédito e financiamento da Unicred Criciúma.....................................................................................................................64 Quadro 10 – Taxas de juros mais utilizadas na Unicred Criciúma.............................66 Quadro 11 – Prazos máximos dos produtos da Unicred Criciúma............................67

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Quantidade de Cooperativas Brasileiras divididas por ramo de atividade.....................................................................................................................30 Gráfico 2 – Quantidade de cooperados divididos por ramo de atividade nas Cooperativas Brasileiras.............................................................................................31 Gráfico 3 – Quantidade de colaboradores divididos por ramo de atividade nas Cooperativas Brasileiras.............................................................................................31 Gráfico 4 – Evolução do Quadro Social da Unicred Criciúma....................................49 Gráfico 5 – Evolução dos Depósitos Totais realizados na Unicred Criciúma............49 Gráfico 6 – Evolução dos Empréstimos e Financiamentos realizados na Unicred Criciúma.....................................................................................................................50 Gráfico 7 – Evolução do Patrimônio Líquido da Unicred Criciúma............................50 Gráfico 8 – Evolução do Capital Social da Unicred Criciúma....................................51 Gráfico 9 – Evolução das Sobras da Unicred Criciúma.............................................51 Gráfico 10 – Créditos e financiamentos liberados para cooperados da Unicred Criciúma.....................................................................................................................68 Gráfico 11 – Créditos e financiamentos liberados para dependentes dos cooperados da Unicred Criciúma...................................................................................................69

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ACI – Aliança Cooperativa Internacional BB – Banco do Brasil BCD – Bens de Consumo Duráveis BDN – Bradesco Dia e Noite CCF – Cadastro de Emitente de Cheque sem Fundo CDC – Crédito Direto ao Consumidor CDI – Certificado de Depósito Interfinanceiro CEAS – Conselho Estadual de Assistência Social CECRESPA – Central das Cooperativas de Economia e Crédito Mútuo do Estado do Pará CEF – Caixa Econômica Federal COOMARCA – Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Magistrados, Membros do Ministério Público e Profissionais de Direito COREN – Conselho Regional de Enfermagem CRBIO – Conselho Regional de Biologia CRC – Conselho Regional de Contabilidade CREA – Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia CREF – Conselho Regional de Educação Física CREFITO – Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional CREMESC – Conselho Regional de Medicina do Estado de Santa Catarina CRESOL – Cooperativas de Crédito Rural CRF – Conselho Regional de Farmácia CRMV – Conselho Regional de Medicina Veterinária CRN – Conselho Regional de Nutricionista CRO – Conselho Regional de Odontologia CRP – Conselho Regional de Psicologia CRTR – Conselho Regional de Técnicos em Radiologia DOC – Documento de Ordem de Crédito ECOSOL – Cooperativas de Crédito Rural e de Crédito Urbano IR – Imposto de Renda IRPF – Imposto de Renda Pessoa Física

MBA – Master in Business Administration OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras OCESC – Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina OCESP – Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo PAC – Posto de Atendimento ao Cooperado PF – Pessoa Física PJ – Pessoa Jurídica POS – Pós Fixada PRE – Pré Fixada RS – Rio Grande do Sul SAU – Sistema de Automação Unicred SC – Santa Catarina SESCOOP – Serviço Nacional de Aprendizado em Cooperativismo SFN – Sistema Financeiro Nacional SICOOB – Sistema das Cooperativas de Crédito do Brasil SICREDI – Sistema de Crédito Cooperativo TED – Transferência Eletrônica Disponível TJLP – Taxa de Juros de Longo Prazo TR – Taxa Referencial de Juros UNICRED – Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Médicos UNIMED – Cooperativa de Trabalho Médico UNIODONTO – Cooperativa de Trabalho Odontológico

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 11 2 COOPERATIVISMO ............................................................................................. 13 2.1 Conceitos e Definições ..................................................................................... 13 2.2 Origens ............................................................................................................. 14 2.3 Os Precursores ................................................................................................ 16 2.4 A Primeira Cooperativa.....................................................................................18 2.5 Valores e Princípios Cooperativistas.................................................................21 2.6 Direitos e Deveres dos Cooperados.................................................................23 2.7 Símbolo e Bandeira do Cooperativismo ...........................................................25 2.8 Cooperativismo no Brasil ..................................................................................27 2.8.1 A Evolução do Cooperativismo no Brasil....................................................29 2.9 Cooperativismo de Crédito................................................................................32 2.9.1 Organização Sistêmica de Cooperativas de Crédito...................................35 2.9.1.1 Sistema Unicred........ .......................................................................36 2.9.1.2 Unicred Central de SC.......................................................................37 2.10 Economia Solidária....... ..................................................................................37 3 UNICRED CRICIÚMA ............................................................................................ 41 3.1 Histórico ........................................................................................................... 41 3.2 Características ................................................................................................. 42 3.3 Benefícios..........................................................................................................46 3.4 Evolução........................................................ ...................................................48 3.5 Empréstimos e Financiamentos........................................................................52 3.5.1 Inadimplência............... ..............................................................................53 4 METODOLOGIA .................................................................................................... 56 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS....................................................... 59 6 CONCLUSÃO.........................................................................................................73 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 76

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1 INTRODUÇÃO

Sabe-se que o cooperativismo é um movimento internacional que vem se destacando como forma de associação de pessoas que se reúnem para atender às necessidades comuns através de uma atividade econômica. No Brasil o cooperativismo não pára de crescer e promove o desenvolvimento econômico e a inclusão social de sua população. Ele busca constituir uma sociedade mais justa, livre e fraterna, tudo em bases democráticas. É um sistema de cooperação que envolve várias formas de produção e de trabalho e aparece historicamente junto com o capitalismo, mas se propõe como uma das maneiras de sua superação. Obedece a seus valores e princípios e, dita os direitos e deveres de seus associados. Um dos ramos destacados no cooperativismo é o de crédito, que só no Brasil possui um grande número de cooperativas, cooperados e empregados, estando entre os três maiores ramos de cooperativas. Nele a poupança e o financiamento são promovidos para garantir melhor qualidade de vida aos seus associados. Porém, tudo dentro da doutrina cooperativista. Ao falar em cooperativismo e cooperativa de crédito, lembra-se também da economia solidária, que aparece como regra nas concessões de crédito e financiamento dentro de uma cooperativa. Numa cooperativa de crédito o empréstimo e financiamento devem ser efetuados de forma solidária, visando o trabalho e não o capital. É uma forma inversa ao capitalismo, que traz o capital como objetivo principal. É neste momento que a Unicred Criciúma aparece. Caracterizada como Cooperativa de Crédito dos Médicos e demais Profissionais da Saúde e Contabilistas de Criciúma, a cooperativa promove assistência financeira, oferecendo produtos e serviços e promovendo o aprimoramento técnico, educacional e social de seus associados. A cooperativa está entre as vinte maiores do Sistema Unicred nacional. E, só em empréstimos e financiamentos, já liberou mais de R$ 15.000.000,00 nos últimos cinco anos. Pretende-se demonstrar neste trabalho o quanto é importante o papel de uma Cooperativa de Crédito, não só no sistema financeiro quanto perante as

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pessoas que fazem parte desta sociedade. Também verificar se o papel da empresa analisada, a cooperativa de crédito Unicred Criciúma, está sendo realizado dentro dos costumes cooperativistas e com a utilização do crédito solidário. Já que para ser cooperativa, deve ser guiada pelos seus valores e princípios de cooperação.

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2 COOPERATIVISMO

Nesse capítulo, procura-se compreender um pouco mais a respeito do cooperativismo. Algumas curiosidades, suas causas, sua origem, seus precursores, seus valores e princípios e, por outro lado, os direitos e deveres dos seus associados. É possível verificar também a evolução e o fortalecimento do cooperativismo em todo o Brasil pela quantidade de cooperativas, o número de cooperados e o número de colaboradores existentes. Além disso, observa-se que o cooperativismo possui vários ramos de atividades, dentre eles, o ramo do cooperativismo de crédito que sempre está em destaque dentre os demais ramos. Este ramo mostra a diferença entre sociedade cooperativa e mercantil e traz a economia solidária como rumo certo para o verdadeiro cooperativismo. 2.1 Conceitos e Definições O cooperativismo origina-se da palavra cooperação. É uma doutrina cultural que busca desenvolver a capacidade intelectual das pessoas de forma criativa, inteligente, justa e harmônica, visando a sua melhoria contínua. É, também, uma doutrina socioeconômica que busca, através do resultado econômico, o desenvolvimento social, tudo fundamentado na liberdade humana e nos princípios cooperativistas. É a união de pessoas voltadas para um objetivo comum, sem visar lucro. Ele baseia-se no trabalho e não no lucro. Como seu próprio nome diz, tem como sua maior finalidade, desprender o homem do seu individualismo e ignorância através da cooperação entre seus associados, satisfazendo assim as suas necessidades. Para Cruz (p.49) o cooperativismo “é um sistema econômico-social, autogerido em bases democráticas, operacionalizado através de ajuda-mútua, que se destina à satisfação das necessidades econômicas e à promoção moral dos membros a ele integrado”. Já para a OCESC (2003, p. 06) é uma doutrina, um sistema, um movimento ou simplesmente uma atitude ou disposição que considera as

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cooperativas como uma forma ideal de organização das atividades sócioeconômicas da humanidade. Para Ferlich (1991, p. 10) O Cooperativismo é um sistema de economia fortificativa; estágio mais avançado do Sócio-Trabalhismo de Cooperação; é progressista e adequado para conviver nas democracias e no liberalismo, isto é, mantida a livre iniciativa e o direito à propriedade para todos.

O cooperativismo defende a reforma pacífica e gradual da coletividade e a solução dos problemas comuns através da união, auxílio mútuo e integração entre as pessoas. Considera os valores morais e sociais e aspirações e não o capital individual acumulado. Busca a correção de desníveis e injustiças sociais com a repartição eqüitativa e harmoniosa de bens e valores. O professor Roque Lauschner, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – RS, Brasil, sintetiza admiravelmente na obra de Ricciardi (2000, p.59) que “o cooperativismo prega o predomínio do trabalho sobre o capital e constitui-se sistema econômico alternativo em relação ao capitalismo e socialismo de estado e poderia tornar-se, em algum país, o sistema predominante”. Conforme Ricciardi (2000, p.58) “a idéia do cooperativismo veio da constatação de que a cooperação – fazer coisas junto com outras pessoas – era a melhor maneira para encontrar as soluções que interessavam a determinado grupo de indivíduos”. Veiga (2001, p.17) destaca que o cooperativismo [...] é reconhecido como o sistema mais adequado, participativo, justo, democrático e indicado para atender às necessidades e aos interesses específicos dos trabalhadores. É o sistema que propicia o desenvolvimento integral do indivíduo por meio do coletivo.

Em face de tais considerações, o conceito de cooperativismo fica bastante evidente como a doutrina, o sistema, o movimento ou a forma mais eficaz de, conjugando esforços e recursos, promover a elevação dos padrões de qualidade de vida dos que se associarem, satisfazendo suas necessidades econômicas e prestando efetivo serviço às suas comunidades e à própria sociedade. 2.2 Origens A história da humanidade relata que o ser humano já praticava a força da união e cooperação há milhares de anos na luta pela sobrevivência.

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Na Babilônia, no Egito e na Grécia já existiam formas de cooperação nos campos de trigo, no artesanato, na caça e no sepultamento. Também já praticavam a cooperação no desenvolvimento da cultura, da arquitetura, da medicina e outras. Segundo a OCESC (2003, p.08) a quatrocentos anos antes de Cristo, na China, os mercadores freqüentemente sofriam prejuízos ao naufragarem nas águas do rio Yang-Tsé. Em busca de solução para o problema, organizaram-se em grupos de 10, levando em cada barco uma caixa de mercadorias de cada um dos companheiros. Assim, quando ocorria um naufrágio, o prejuízo era dividido entre todos, evitando que o dono da embarcação e sua família sofressem privações durante muito tempo. Na mesma obra anteriormente citada, pode-se observar outro exemplo clássico de cooperação constatado no século XV, quando do descobrimento da América, onde foram encontradas as civilizações Asteca e Maia (Região CentroAmericana) e Inca (Peru), vivendo um regime de verdadeira ajuda mútua. Regime este sustentado pela organização agrária, através do qual o rei mantinha soberania sobre a terra, repartindo-a entre os súditos para a exploração e usufruto, na modalidade de propriedade familiar, passando de pai para filho desde que fossem cumpridas algumas normas, tais como: • Divisão do resultado das colheitas, proporcional ao trabalho de cada um; • Reserva de uma parte como tributo ao rei e outra para o sustento das crianças e dos idosos; • Construção coletiva de sistemas de irrigação, a exemplo do que era feito no combate às pragas; • Obras de defesa e embelezamento nos locais a eles destinados; • Celebração coletiva de festas religiosas; • Adoção do costume de empréstimo de sementes, pelo grupo, para o próximo plantio, àquele que perdesse a colheita. A mais antiga cooperativa iniciou suas atividades em 1760 por trabalhadores empregados nos estaleiros de Woolwich e Chatham, na Inglaterra. Eles fundaram moinhos de cereais em base cooperativa para não terem de pagar os

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altos preços cobrados pelos moleiros que obtinham o monopólio local. No mesmo ano o moinho de Woolwich foi incendiado e os padeiros foram acusados pelo ocorrido. Essa cooperativa só foi registrada para a história por causa deste incidente. Veiga (2001, p. 19) destaca que Houve uma grande proliferação de padarias e moinhos cooperativos depois que a Inglaterra entrou em guerra com a França (1793) e o preço do trigo foi para as alturas. A cooperativa de consumo mais antiga foi a dos tecelões de Fenwick (1769). A segunda mais antiga foi também escocesa (1877). A mais antiga cooperativa de consumo inglesa foi fundada em 1795, a Oldham Co-operative Supply Company. Em 1823, havia, somente em Paris, 160 associações cooperativistas ou de ajuda mútua com cerca de 12 mil membros.

No passar do tempo o homem descobriu o seu potencial para conquistar o seu próprio espaço. Criou a máquina manual e, logo após, a máquina a vapor, quando se iniciou o processo industrial. Em meados do século XVIII surgiu a chamada Revolução Industrial. A mão-de-obra perdeu grande poder de troca. Os baixos salários, os altos preços dos bens de primeira necessidade e a longa jornada de trabalho trouxeram muitas dificuldades socioeconômicas para a população. Diante desta crise surgiram, entre as classes operárias, lideranças com vontade de criar associações de caráter assistencial. Esta experiência não teve resultado positivo. Com base em experiências anteriores buscaram novas formas e concluíram que, através de uma organização formal, chamada COOPERATIVA, com a participação de todos, as dificuldades poderiam ser superadas desde que fossem respeitados os valores do ser humano, praticando regras, normas e princípios. O cooperativismo evoluiu e conquistou um espaço próprio, definido por uma nova forma de pensar o homem, o trabalho e o desenvolvimento social. Por sua forma igualitária e social ele é aceito por todos os governos e reconhecido como fórmula democrática para a solução de problemas sócio-econômicos. 2.3 Os Precursores

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A partir da segunda metade do 2º milênio, em meio a um regime espoliador, responsável pela convulsão social das classes populares de diversos países europeus, surgem pesquisadores que se dedicam ao estudo dos caracteres de sociedades desaparecidas. Estes, motivados talvez pelos exemplos do passado distante ou pelos modelos em épocas mais próximas, descobrem formas ideais para a organização das classes trabalhadoras. (OCESC, 2003, p.10). Utopistas ou não, estudiosos da Inglaterra, França, Alemanha e outras nações Européias, deixam experiências e obras capazes de motivar o surgimento de uma nova ordem sócio-econômica conduzindo à reformulação comunitária, em busca da felicidade individual e do bem-estar. Durante o século XVII, P.C. Plockboy (1659) incentivava a formação de grupos econômicos de agricultores, artesãos, marinheiros e professores, para que se organizem em associações de cooperação integral. John Bellers (1690) imagina “Colônias Cooperativas de Trabalho”, congregando de 300 a 3.000 cooperados, que poderiam reduzir as suas próprias despesas, eliminando assim os lucros de intermediários e interferências de terceiros. Robert Owen, nascido em 1771 no Condado de Montgomery/Inglaterra, inicia sua vida de trabalho aos 10 anos de idade. Interessa-se pela tecelagem tornando-se, ainda jovem, empresário deste ramo, administrando inúmeras indústrias. Volta-se para os problemas sociais de sua época preocupado com o baixo nível de vida dos operários ingleses. Introduz reformas em suas fábricas, reduz a jornada de trabalho, regulamenta o emprego da mulher e do menor e concede participação nos resultados a todos os seus empregados. Pesaroso por ver que os demais empresários de seu país não se interessam por suas idéias, retira-se anos depois para os Estados Unidos da América onde tenta fundar, sem êxito, colônias baseadas na propriedade coletiva, as Repúblicas ideais, constituídas por 2.500 operários. Voltando à Europa, investe em inúmeras iniciativas de organização dos trabalhadores. Mesmo sem obter relevante sucesso em empreendimentos dessa natureza, a sociedade inglesa e a de outros países ficam devendo a ele e a seus inúmeros seguidores, a fundação de cooperativas e sindicatos, talvez a mais importante lição comunitária na sociedade moderna tenha advindo da experiência de Owen, quando tenta conciliar o incentivo individual com uma eficiente decisão no

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processo democrático. Ao final de sua vida, apesar dos insucessos a ele atribuídos por setores do empresariado elitista de sua Pátria e da Europa, merece da sociedade e de todo o mundo o reconhecimento de ter sido um brilhante industrial, reformador e Pai do Cooperativismo Moderno. Contemporâneos de seu trabalho e de suas experiências, bem como divulgadores de suas obras, merecem também o título de Precursores de Cooperativismo: • François Marie Charles Fourier (1772-1837) – França; • William King (1786-1865) – Inglaterra; • Philippe Joseph Benjamin Buchez (1796-1865) – Bélgica; • Sean Joseph Charles Louis Blanc (1822-1882) – França. Além dos precursores já citados, jamais poderão ser esquecidos aqueles que, em determinada época, tiveram importante participação na reformulação da sociedade universal e no desenvolvimento do cooperativismo, na seguinte ordem: • Doutrinadores: Charles Gide, Beatriz Potter Webb, Paul Lambert, Bernard Lavergne, George Larsene, George Fouquet e Moises M. Coady; • Historiadores: George Jacob Holyake, Grozmoslav Mladematz e George Davidovic; • Pioneiros: Os Probos Pioneiros de Rochdale, Friedrich Wilhelm Raiffeisen, Hermann Schulze/Delitzch, Luiggi Luzzatti, Wilhelm Hass, Alphonse Desjardins e Theodor Amstadt. 2.4 A Primeira Cooperativa Segundo a OCESC (2003, p.12) as experiências e as idéias dos precursores, extraídas de seus livros ou conservadas por seus seguidores, não tiveram aproveitamento tão eficaz como o demonstrado pelos operários da cidade de Rochdale, na região de Lancaster, na Inglaterra.

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Prejudicados pelo novo modelo industrial que substituiu o trabalho artesanal e outras atividades pelas máquinas que haviam sido inventadas, esses trabalhadores tiveram que enfrentar os inconvenientes do desemprego, em virtude da mão-de-obra excedente, sendo levados a se preocuparem com outras alternativas para garantirem o sustento de suas famílias. Discutindo suas dificuldades e buscando soluções para problemas que já se tornavam angustiantes em toda Europa, eles ouviram a opinião de um companheiro que fora discípulo de Robert Owen, e decidiram pela criação de uma sociedade de consumo, baseada no cooperativismo puro. Combinaram que cada um economizaria pequenas parcelas de seus poucos rendimentos, mesmo submetendo-se a inúmeras privações, pelo menos durante um ano, para tentarem formar algo que pudesse tira-los da aflitiva situação em que se encontravam. Então nasceu na Inglaterra, em 1844, em um contexto de estratégia de sobrevivência após uma greve prolongada, a primeira cooperativa de consumo moderna com base nos princípios cooperativistas, chamada de “Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale”, situada no Beco do Sapo (Toad Lane) em Rochdale, Manchester (um importante centro têxtil). Foi montada por 27 trabalhadores e uma trabalhadora de nome Anee Tweedale, todos de ofícios modestos, a grande maioria de tecelões, com o resultado da economia mensal de uma libra de cada participante, ou seja, com um capital inicial de 28 libras.

Figura 1 – Alguns dos participantes da primeira cooperativa. Fonte: OCESC (2007).

Tendo o homem como principal finalidade e não o lucro, os tecelões de Rochdale buscavam naquele momento uma alternativa econômica para atuarem no

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mercado, frente ao capitalismo ganancioso que os submetiam a preços abusivos, exploração da jornada de trabalho de mulheres e crianças (que trabalhavam até 16h) e do desemprego crescente advindo da revolução industrial. Dispondo de pequenos estoques de açúcar, gordura, farinha e outros gêneros de primeira necessidade, o modelo de estabelecimento administrado pelos seus próprios fundadores foi alvo da incredulidade e da inveja dos tradicionais comerciantes da cidade. Porém, despertou atenção dos consumidores locais e principalmente das classes trabalhadoras, pela considerável prosperidade. Mesmo sendo motivo de deboche por parte dos comerciantes, tal sociedade teve uma ótima repercussão, logo no primeiro ano de funcionamento seu capital aumentou para 180 libras e cerca de dez anos mais tarde o "Armazém de Rochdale" já contava com 1.400 cooperados. O sucesso dessa iniciativa passou a ser um exemplo para outros grupos e estaria mudando os padrões econômicos da época e dando origem ao movimento cooperativista. Preocupados com a progressão de sua idéia, embora já existissem sociedades similares (modelos cooperativistas) na própria Inglaterra e na Escócia, aperfeiçoaram um sistema de reuniões denominado “Sala de Temperança”. Através dele, desenvolveram um conjunto de princípios, conhecidos mais tarde como “Princípios Básicos do Cooperativismo”, adotados posteriormente por cooperativas surgidas em diversos países do mundo. A figura 2 demonstra a estrutura de representação do sistema cooperativista.

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Aliança Cooperativa Internacional Aliança Cooperativa Genebra - Suíça

Mundo

Internacional

Organização das Cooperativas das Américas São José – Costa Rica

Américas

Organização das Cooperativas Brasileiras Brasília

Brasil

Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina Florianópolis

Estado

Cooperativas

20 ou mais pessoas físicas

Figura 2 – Representação do cooperativismo. Fonte: OCESC (2007).

2.5 Valores e Princípios Cooperativistas As cooperativas baseiam-se em valores de ajuda e responsabilidade próprias, democracia, igualdade, equidade e solidariedade. Na tradição dos seus fundadores, os membros das cooperativas acreditam nos valores éticos da honestidade, transparência, responsabilidade social e preocupação com o semelhante e as comunidades. A OCB (1992, p.35) conclui que a cooperativa se constrói sobre pilares essenciais, que devem melhorar o comportamento das pessoas cooperadas e devem ser visíveis no exercício das atividades. São eles: solidariedade, ajuda mútua, democracia, participação e honestidade. Para a ACI (2007) A essência de um sistema de princípios e valores demonstrou ser eficiente em mais de 150 anos de história e contribuiu para transformar o cooperativismo em uma das maiores forças sociais e econômicas a nível mundial, uma vez que incorpora novos elementos para uma melhor interpretação do momento histórico atual.

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Os princípios cooperativistas foram aprovados e incorporados ao Estatuto Social da Cooperativa pelos líderes e pensadores ingleses e franceses, em 1844, com idéias e ideais baseados na cooperação. Com a evolução e a modernização do Cooperativismo e da economia mundial, os princípios cooperativistas foram reestruturados nos Congressos de 1937, 1966 e 1995 da ACI e adaptados à realidade do mundo atual. Os Princípios Cooperativistas são as linhas orientadoras através das quais as cooperativas levam os seus valores à prática e definem e identificam as características distintas da forma empresarial das cooperativas. Em sua mais recente reformulação (1995), conforme dados da ACI, os princípios cooperativistas passaram a ter a seguinte redação: 1º Princípio: Adesão voluntária e livre - As cooperativas são organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas aptas a utilizarem os seus serviços e dispostas a assumirem as responsabilidades como membros, sem discriminações de sexo, sociais, raciais, políticas e religiosas. 2º Princípio: Gestão democrática pelos membros - As cooperativas são organizações democráticas, controladas pelos seus associados, que participam ativamente na formulação das suas políticas e na tomada de decisões. 3º Princípio: Participação econômica dos membros - Os associados contribuem para a formação do capital das suas cooperativas e o controlam democraticamente. Parte desse capital é destinada ao desenvolvimento da cooperativa, ao benefício dos membros na proporção das suas transações com a cooperativa e ao apoio a outras atividades aprovadas pelos associados. 4º Princípio: Autonomia e independência - As cooperativas são organizações autônomas, de ajuda mútua, controladas pelos seus associados. São eles que devem decidir sobre suas atividades, definir sua missão, objetivos e metas. 5º Princípio: Educação, formação e informação - As cooperativas promovem a educação e a formação dos seus membros de forma que estes possam contribuir eficazmente para o seu desenvolvimento. Além disso, informam o público

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em geral, particularmente os jovens e os formadores de opinião, sobre a natureza e as vantagens da cooperação. 6º Princípio: Intercooperação - As cooperativas servem de forma mais eficaz aos seus membros e dão mais força ao movimento cooperativo, trabalhando em conjunto, através das estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais. 7º Princípio: Interesse pela comunidade - As cooperativas trabalham para o desenvolvimento das suas comunidades através de políticas aprovadas pelos membros. Pode-se

observar,

portanto,

que

os

fundamentos

da

doutrina

cooperativista, seus valores e os seus princípios se voltam ao ser humano e visam o desenvolvimento econômico, social, político e cultural, a fim de atender necessidades, aspirações e cidadania. 2.6 Direitos e Deveres dos Cooperados Por participarem de uma cooperativa, ou seja, de uma organização com valores e princípios, os cooperados também possuem algumas regras a serem exigidas e cumpridas, que são chamadas de Direitos e Deveres. São Direitos dos cooperados: • Freqüentar e votar em todas as Assembléias Gerais realizadas pela cooperativa,

discutindo

os

assuntos,

traçando

os

rumos

do

empreendimento e decidindo pelo voto os assuntos de interesse da sociedade; • Votar e ser votado para cargos administrativos, fiscais ou outras funções, ou mesmo destituí-los quando for o caso; • Participar de todas as operações e serviços prestados pela cooperativa; • Receber retorno proporcional às operações realizadas com a cooperativa durante o exercício, caso venham ocorrer sobras;

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• Examinar os

livros

e

documentos

da cooperativa

e

solicitar

esclarecimentos ao Conselho de Administração, ao Conselho Fiscal e aos colaboradores; • Opinar e defender suas idéias, oferecer sugestões e propor à Assembléia Geral, ao Conselho de Administração ou à Diretoria, medidas de interesse da cooperativa; • Convocar as Assembléias Gerais, caso se faça necessário, conforme estabelecido no estatuto social; • Obter, antes da realização das Assembléias Gerais, informações, balanços, demonstrativos e relatórios, visando uma tomada de decisão consciente e responsável; • Desligar-se da cooperativa quando lhe convier, retirando seu capital, de acordo com o estabelecido no estatuto social. São Deveres dos cooperados: • Estabelecer a missão e os objetivos da cooperativa; • Operar com a cooperativa; • Participar das Assembléias Gerais, colaborando no planejamento, funcionamento, avaliação e fiscalização das atividades de sua cooperativa; • Pagar as quotas-partes1 de capital em dia; • Debater idéias e decidir pelo voto os objetivos, as metas e o destino de sua cooperativa, acatando e respeitando as decisões tomadas pela maioria; • Conhecer e cumprir as normas estatutárias e regulamentares que regem a organização cooperativa; • Pagar sua parte, caso ocorram perdas na cooperativa; • Denunciar, sempre, os procedimentos indevidos, zelando pelo patrimônio moral e material da cooperativa; • Buscar capacitação profissional para um melhor desempenho de suas atividades; 1

Quotas obrigatórias, definidas em Assembléia, pagas pelos cooperados.

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• Zelar pelo interesse comum e autonomia da cooperativa; • Estimular a integração da cooperativa com o movimento cooperativista. 2.7 Símbolo e Bandeira do Cooperativismo

Figura 3 – Símbolo do cooperativismo. Fonte: UNIODONTO-SC (2007).

A simbologia do cooperativismo é representada da seguinte forma: • Pinheiros – antigamente o pinheiro era tido como um símbolo da imortalidade e da fecundidade, pela sua sobrevivência em terras menos férteis e pela facilidade na sua multiplicação. Os pinheiros unidos são mais resistentes e ressaltam a força e a capacidade de expansão. • Círculo – representa a eternidade, pois não tem horizonte final, nem começo, nem fim. • Verde – lembra as árvores - princípio vital da natureza e a necessidade de se manter o equilíbrio com o meio-ambiente. • Amarelo – simboliza o sol, fonte permanente de energia e calor. Segundo a OCESP (2007), assim nasceu o símbolo mundialmente conhecido do cooperativismo: um círculo abraçando dois pinheiros para indicar a união do movimento, a imortalidade de seus princípios, a fecundidade de seus ideais e a vitalidade de seus adeptos. Tudo isso marcado pela trajetória ascendente dos pinheiros que se projetam para o alto, procurando subir cada vez mais.

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O Dia Internacional do Cooperativismo foi instituído em l923 no Congresso da ACI e é comemorado no primeiro sábado de julho de cada ano a confraternização de todos os povos ligados pelo cooperativismo. A concepção original de uma bandeira do Cooperativismo com as sete cores do arco-íris surgiu do precursor do Cooperativismo na França, Charles Fourier que já a havia adotado no Falanstério, a comunidade ideal por ele concebida, como símbolo da "unidade na diversidade". Mesmo após sua morte em 1837, em cada reunião anual de seus discípulos, o uso do emblema do arco-íris foi mantido. Em 1896 L. Bernardot, delegado do Falanstério de Guisa apresentou a idéia da bandeira única do Cooperativismo ao Segundo Congresso da ACI realizado em Paris, porém sua iniciativa não vingou naquele momento. Charles Gide, grande pensador francês do Cooperativismo, recolheu a concepção e assim, em 1923, na cidade de Gante (Bélgica), o Comitê Executivo da ACI aceitou a proposta de ter uma bandeira na qual fossem representadas as sete cores do espectro solar. As cores: vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta simbolizam os ideais e objetivos da paz universal. As mesmas representam a unidade que supera as diferenças políticas, econômicas, sociais, raciais ou religiosas; a esperança da humanidade em um mundo melhor onde reine a liberdade, a dignidade pessoal, a justiça social e a solidariedade. O Conselho de Administração da ACI, durante reunião realizada em Roma - Itália, em abril de 2001, deliberou sobre a mudança da Bandeira do Cooperativismo. O motivo desta decisão foi promover e consolidar claramente a imagem cooperativa, já que a antiga bandeira era utilizada por alguns grupos nãocooperativos, o que causava confusão em alguns países. A bandeira que substitui a tradicional do arco-íris é de cor branca e tem o logotipo da ACI impresso no centro, do qual emergem pombas da paz, representando a unidade dos seus diversos membros. Podendo ser observada na figura abaixo.

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Figura 4 – Bandeira do cooperativismo. Fonte: UNIODONTO-SC (2007).

O logotipo foi aprovado em 1995 por ocasião do Centenário da ACI. O arco-íris é representando em seis cores e a sigla ACI está impressa na sétima cor: o violeta. Cada uma destas cores tem um significado próprio: • Vermelho - Coragem; • Alaranjado - Visão de futuro; • Amarelo - Desafio em casa, família e comunidade; • Verde - Crescimento individual como pessoa e como cooperado; •

Azul - Horizonte distante, a necessidade de ajudar os menos afortunados, unindo-os uns aos outros;

• Anil - necessidade de ajudar a si próprio e aos outros através da cooperação; • Violeta - Beleza, calor humano e coleguismo. 2.8 Cooperativismo no Brasil O cooperativismo no Brasil surgiu por volta de 1610, quando foram fundadas as primeiras Reduções Jesuíticas, houve a tentativa da criação de um Estado em que prevalecesse a ajuda mútua. Esse modelo de sociedade solidária entre missionários, indígenas e colonizadores visava, em primeiro lugar, ao bemestar do indivíduo e de sua família, acima dos interesses econômicos da produção.

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Incentivada pelos padres jesuítas, vigorou por cerca de 150 anos entre os índios guaranis, nas diversas Reduções, a prática do “mutirão” já vivenciada pelos povos primitivos. (OCESC, 2003, p. 21). As primeiras experiências cooperativas catarinenses ocorreram no meio rural. Além da tentativa de criação de uma colônia de produção e consumo no município de São Francisco do Sul, em 1841, seguiram-se iniciativas similares de formação de sociedades cooperativas de crédito rural (Caixas populares), agrícolas, de produção de erva-mate e outras. As mesmas estenderam-se a partir daquela época, até 1934 em Rio dos Cedros, Urussanga, Nova Veneza, Armazém, Azambuja, Belvedere, Concórdia, Itapiranga, Rio do Sul, Palmitos e Canoinhas, com a participação de imigrantes franceses, italianos, alemães e poloneses. Nos sertões do Paraná, em 1847, houve o movimento cooperativista liderado pelo médico francês Jean Maurice Faivre, que, adepto das idéias reformadoras de Charles Fourier, fundou, com um grupo de europeus a colônia Tereza Cristina, organizada em bases cooperativas. Essa organização, apesar de sua breve existência, contribuiu na memória coletiva como elemento formador do florescente cooperativismo brasileiro. Em 15 de março de 1885 foi fundada uma sociedade cooperativista chamada Sociedade Beneficente de Juiz de Fora, possuidora de 1.003 sócios em 1894. Sua finalidade principal era cuidar da educação, da saúde e da seguridade de seus membros e os princípios nela adotados. Em outubro de 1889 na então província de Minas Gerais foi constituída a Sociedade Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto, cooperativa com características de consumo. Esta cooperativa já tinha em seu estatuto artigos que previam a existência de uma caixa de auxílio e socorros cuja função era prestar assistência às viúvas dos sócios e aos próprios sócios que por algum motivo ficassem desempregados. Em Nova Petrópolis/RS, no dia 28 de dezembro de 1902 surgiu com o nome de Caixa de Economia e Empréstimo Amstad uma cooperativa de crédito que atualmente tem o nome de Cooperativa de Crédito Rural de Nova Petrópolis. Entre os anos de 1902 e 1964 surgiram ainda no Rio Grande do Sul 66 cooperativas e, a partir daí o cooperativismo não parou de se expandir, estendendose a diversos segmentos da sociedade brasileira.

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2.8.1 A Evolução do Cooperativismo no Brasil No Brasil, o Cooperativismo tem na OCB e no SESCOOP um papel fundamental para sua consolidação, desenvolvimento e evolução. O Sistema OCB/SESCOOP está presente nos 26 estados e no Distrito Federal com 7.363 cooperativas filiadas, distribuídas em 13 ramos de atividades e com a força de 6,5 milhões de associados e dos 195 mil empregos diretos que gera. Somem-se a esses números um faturamento da ordem de R$ 100 bilhões, exportações de US$ 2 bilhões de dólares e 40% da produção agrícola, além de cuidar da saúde de 20 milhões de brasileiros. Isso só para ter uma idéia da força e da importância do Cooperativismo para o desenvolvimento econômico e a inclusão social da população brasileira. Sendo o cooperativismo um movimento econômico e social dinâmico dentro da sociedade, a partir de 1993 a OCB deu início a modificação no quadro da nomenclatura do Sistema Cooperativo Brasileiro, adaptando-o a atualidade. De sete, o Sistema passou a ter treze ramos cooperativos, quais sejam: • Agropecuário, constituído por cooperativas de qualquer cultura ou criação; • Consumo,

constituído

por

cooperativas

de

abastecimento

e

fornecimento de produtos em geral; • Crédito, constituído por cooperativas de crédito rural e urbano; • Educacional, constituído por cooperativas de alunos de escola agrícola e cooperativas de pais de alunos; • Especial,

constituído

autogestionadas, relativamente

formada

incapazes,

por por

cooperativas pessoas

necessitando

de

não

de

menor

um

tutor

plenamente idade

ou

para

seu

funcionamento; • Habitacional, constituído por cooperativas de construção, manutenção e administração de conjuntos habitacionais; • Mineral, constituído por cooperativas de mineradores;

30

• Produção, constituído por cooperativas, nas quais os meios de produção, explorados pelo quadro social, pertencem à cooperativa e os cooperados formam o seu quadro diretivo, técnico e funcional; • Saúde, constituído por cooperativas de médicos, odontólogos, psicólogos e atividades afins; • Infra-Estrutura, constituída por cooperativas que tem como objetivo principal prestar coletivamente um serviço de que o quadro social necessita; • Transporte, constituída por cooperativas que atuam no transporte de cargas e de passageiros; • Trabalho, constituída por cooperativas de profissionais que prestam serviços e terceiros. É, portanto, importante a classificação das cooperativas por ramo de atividade, que tem como objetivo principal facilitar a organização do respectivo conselho especializado em âmbito estadual e nacional, como viabilizar a economia de escala e assim adquirir competitividade neste mercado globalizado e altamente competitivo. Os gráficos 1, 2 e 3 abaixo mostram o número de cooperativas no Brasil, o número de cooperados e de colaboradores, todos divididos por ramos de atividades.

Gráfico 1 – Quantidade de Cooperativas Brasileiras divididas por ramo de atividade (maio de 2007). Fonte: OCESC.

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Gráfico 2 – Quantidade de cooperados divididos por ramo de atividade nas Cooperativas Brasileiras (maio de 2007). Fonte: OCESC.

Gráfico 3 – Quantidade de colaboradores divididos por ramo de atividade nas Cooperativas Brasileiras (maio de 2007). Fonte: OCESC.

Conforme o gráfico 1, o ramo do cooperativismo com maior número de cooperativas no Brasil é o de trabalho, seguido do agropecuário e de crédito. Quanto ao número de cooperados, o gráfico 2 mostra que o ramo com maior número é o de crédito, seguido pelo de consumo e agropecuário. Relativamente aos funcionários, o gráfico 3 demonstra que o ramo com maior número é o agropecuário, seguido pelo de saúde e de crédito. A seguir, é possível compreender melhor a respeito do ramo do cooperativismo de crédito, afinal ele é um dos mais citados quando comparados em termos de números e resultados.

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2.9 Cooperativismo de Crédito O ramo das cooperativas de crédito é composto pelas cooperativas destinadas a promover a poupança e financiar necessidades ou empreendimentos dos seus associados, geralmente com melhores taxas de juros. As primeiras Cooperativas de Crédito surgiram na Alemanha, a partir de 1850, fundadas por Hermann Schulze-Delitzsch, na área urbana e, por Friedrich Wilhelm Raiffeisen, na área rural. Singer (2002, p.62) deixa claro que todos os empréstimos realizados por estas cooperativas destinavam-se a financiar investimento produtivo. A garantia dos empréstimos era basicamente o caráter dos membros que os recebiam. Como todos penhoravam juntos seus bens, era de interesse de cada um admitir como sócias pessoas sóbrias, de hábitos regulares e frugais. Pois se parte dos sócios não honrasse seus débitos, os outros sócios tinham que pagar por eles, com seu dinheiro ou propriedades. Um princípio básico da cooperativa é que sua porta estava sempre aberta a pessoas de valor, necessitadas de empréstimos, sem distinção de profissão ou classe. Entretanto, o mesmo autor fala que as cooperativas de crédito devem ser criteriosas na sua ação, não podendo emprestar sem ter retorno. Isto não significa emprestar apenas para cooperados mais capitalizados, mas para projetos que sejam economicamente viáveis e que possam gerar recurso para pagar os seus débitos. De acordo com Ricciardi e Lemos (2000, p.53) “a cooperativa de crédito é o setor mais delicado do cooperativismo, porque mexe com o dinheiro das pessoas”. Segundo Klaes (2005, p.86) O Cooperativismo de Crédito surgiu para combater as relações desiguais de troca e de financiamento às atividades que penalizavam sobremaneira os produtores rurais e trabalhadores urbanos. Junto à necessidade de se extirpar esse mal era preciso criar uma ordem mais justa, que priorizasse a concessão de crédito mais compatível com a realidade dessas pessoas e que, principalmente, tivesse como foco central o ser humano. Assim, uma das prioridades do crédito cooperativo era garantir a melhoria da qualidade de vida das pessoas e proporcionar o progresso das famílias.

As cooperativas de crédito vieram restabelecendo a dignidade aos cidadãos na prestação de serviços bancários. A CECRESPA (2000, p. 24) define a cooperativa de crédito da seguinte forma

33 É uma sociedade constituída entre as pessoas com interesses e objetivos comuns. Sua finalidade é prestar serviços financeiros de natureza social, econômica e educativa. As cooperativas de crédito não têm fins lucrativos, funcionam como Bancos Populares, por isso o cooperado pode usufruir de benefícios dos quais não participaria em outra instituições financeiras. Os cooperados são os verdadeiros donos dessa empresa que, além de possibilitar diversos produtos e serviços financeiros, propicia-lhes empréstimos a juros inferiores aos de mercado e aplicações com rendimentos maiores, além de lhes assegurar a participação nas sobras.

Trabalhando com uma cooperativa de crédito, o associado pode ter vantagens como: crédito fácil e certo, com segurança e o mínimo de burocracia. Ele deve ser respeitado, não explorado. Os juros para empréstimos são baixos e as aplicações têm melhor remuneração e segurança. A cooperativa de crédito é uma instituição financeira, integrante do Sistema Financeiro Nacional e, como tal, oferece produtos e serviços similares aos bancários. A diferença é que o cooperado é o dono de tudo isso e se beneficia dessa condição com juros baixos e rendimentos maiores. Porém, apesar de fazerem parte do SFN, as cooperativas de crédito constituem instituições de porte relativamente menor se comparada com outras instituições. Ela movimenta ativos da ordem de R$ 3 bilhões, enquanto demais instituições financeiras como a CEF, por exemplo, movimentam em torno de 46,5 bilhões. Os principais serviços e produtos presentes nas cooperativas de crédito são os seguintes: • Empréstimos e Financiamentos – linhas de crédito e financiamento destinadas ao crescimento profissional e pessoal do cooperado; • Orientação financeira – orientação no momento de dúvida ou tomada de decisão por parte do cooperado; • Conta corrente – disponibilização de uma conta para que o cooperado movimente e realize suas transações financeiras; • Cheque especial/limite de crédito – valor emprestado para que o cooperado possa utilizar em caso de necessidade imediata; • Poupança comum – poupança realizada com o valor que o cooperado pede para guardar com segurança e rendimento; • Poupança programada – poupança do dinheiro que o cooperado programou para guardar;

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• Pagamento de contas – pagamento de contas de água, luz, telefone e outras pessoais com dinheiro ou débito na conta do cooperado; • Aplicações financeiras – aplicação do dinheiro que o cooperado pede para guardar em produtos com prazos de carência programados e com rendimentos mais atrativos que o da poupança; • Recebimentos de proventos – recebimento de salários vindos dos seus locais de trabalho; • Seguro de vida solidário – seguro de vida com valores e coberturas de risco especiais para o cooperado; • Cartões de crédito e débito – cartões para que o cooperado possa comprar e sacar utilizando sua conta da cooperativa. Para Rech (2000, p.38) “as cooperativas de crédito têm todas as vantagens que um banco oferece, com uma vantagem fundamental: o que for ganho com as aplicações e empréstimos fica na própria cooperativa e se destina a beneficiar os seus associados”. Por outro lado, é diferente de um banco, pois seus proprietários são os próprios associados e não precisa ter lucro para funcionar, bastando ser remunerada o suficiente para saldar suas próprias contas. Seu custo é rateado entre o quadro social na forma de juros e pequenas taxas, assim quanto menor for o custo da cooperativa, menores podem ser os juros e as taxas cobradas por elas. (SINGER e SOUZA, 2000, p.194). Apesar de as cooperativas de crédito possuírem produtos e serviços parecidos com os bancários, no quadro 1 abaixo, é possível perceber algumas das principais diferenças entre Sociedade Cooperativa e Sociedade Mercantil: Sociedade Cooperativa

Sociedade Mercantil

Sociedade de pessoas;

Sociedade de capital;

Objetivo principal é a prestação de serviços, sem fins lucrativos;

Objetivo principal é o lucro;

Número ilimitado de cooperados;

Número limitado de acionistas;

Controle democrático - um homem um voto;

Cada ação - um voto;

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Assembléias: quorum2 - é baseado no número de cooperados;

Assembléias: quorum - é baseado no capital (ações);

Não é permitida a transferência das quotas-partes a terceiros, estranhos à sociedade;

Transferência das ações a terceiros;

Retorno proporcional ao valor das operações.

Dividendo proporcional ao valor das ações.

Quadro 1 – Características de Sociedade Cooperativa e Mercantil (setembro de 2007). Fonte: OCESC; adaptada pela autora.

Enquanto nas demais empresas o proprietário visa obter lucro, na cooperativa o objetivo é a contribuição recíproca de bens e serviços de proveito comum. Para tanto, os sócios trazem o seu capital para que a empresa cooperativa assegure a venda de seus produtos, a aquisição dos bens de consumo ou de insumos para possibilitar a produção em comum. Na sociedade mercantil, Singer e Souza (2000, p.188) destacam que todo o esforço de captação de recursos e de concessão de crédito é dirigido à classe média alta e à elite do país, que concentra muito fortemente a renda. Os bancos públicos e privados exigem, quase sempre, elevados depósitos e comprovação de renda para a abertura de contas bancárias. Em sua origem, a cooperativa de crédito não é um intermediário financeiro, como são os bancos e as companhias de seguro, por exemplo, mas uma associação de pequenos poupadores que se unem para potencializar seu acesso a crédito mediante o financiamento mútuo. (SINGER, 2002, p.67). 2.9.1 Organização Sistêmica de Cooperativas de Crédito A organização sistêmica verifica-se quando cooperativas singulares constituem centrais, confederação e empresas para executar em comum e maior escala os serviços econômicos e assistenciais de seu interesse, passando a atuar de forma integrada e padrozinada – e com política corporativa única, sob a orientação e supervisão destas entidades. (PAGNUSSATT, 2004, p.53) As cooperativas singulares compõem o primeiro grau do sistema, fornecendo atendimento aos associados; as centrais fazem parte do segundo grau, 2

Quantidade estipulada e limitada de pessoas para estarem presentes em determinadas ocasiões.

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com foco no suporte aos colaboradores das cooperativas singulares; e, a confederação faz parte do terceiro grau, fornecendo tecnologia, processos e controles para as centrais. Para que o conjunto destas entidades possa ser denominado de Sistema, é necessário que haja uma efetiva unidade de atuação. Deve adotar a padronização estrutural e funcional; ostentar o mesmo visual e marca; operar sob os mesmos parâmetros e forma os produtos e serviços; utilizar a mesma tecnologia da informação; implementar a mesma política de gestão de pessoas; compartilhar risco e o mesmo padrão de atendimento aos associados. Todas as entidades devem ser guiadas pelos mesmos norteadores estratégicos de visão, missão e valores. Os modelos brasileiros de organização sistêmica estão divididos em cinco. São eles: SICREDI, SICOOB, UNICRED, CRESOL e ECOSOL. Porém, será dado maior destaque ao Sistema UNICRED, pois é o mesmo que fornece assistência aos cooperados da empresa caracterizada neste trabalho. 2.9.1.1 Sistema Unicred O Sistema em destaque é constituído por Cooperativas de Economia e Crédito Mútuo dos Médicos, com abrangência para os demais profissionais da área da saúde de todo o Brasil. A primeira cooperativa do sistema foi constituída em Casca, município do interior do Rio Grande do Sul. O sucesso dessa, motivou a criação de novas cooperativas em praticamente todas as capitais dos estados brasileiros e nas maiores cidades. Possuem um forte relacionamento negocial com as UNIMED’s, especialmente para arrecadações decorrentes de convênios de assistência médica e o pagamento por crédito em conta dos serviços prestados pelos seus cooperados (produção). As filiadas do sistema seguem a orientação da sua central estadual, embora tenham liberdade de atuação, especialmente na definição de tarifas e taxas de produtos e serviços e na destinação dos recursos de suas disponibilidades financeiras. Apesar de serem cooperativas, fogem um pouco do princípio da intercooperação, onde, através da cooperação entre os associados e das cooperativas entre si, pode-se haver, verdadeiramente, um sistema cooperativo,

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com crescimento socioeconômico dos membros e da sociedade cooperativa como um todo. Podendo competir com outras empresas, agrupando qualidade, produtividade e ganho no volume. 2.9.1.2 Unicred Central de SC Constituída em 13 de setembro de 2002, a Cooperativa Central de Economia e Crédito Mútuo das Unicred’s do Estado de Santa Catarina tem por objetivos nortear as operações e estabelecer convênios e acordos para as singulares. Ela representa as seguintes nove singulares do Estado: Amurel (Tubarão), Blumenau, COOMARCA (Florianópolis), Criciúma, Lages, Litoral (Itajaí), Florianópolis, Norte Catarinense (Joinville) e Oeste Catarinense (Chapecó). Depois de apresentar sobre cooperativismo de crédito e sua organização o próximo item vem abordar a respeito da economia que rege o cooperativismo, a Economia Solidária. 2.10 Economia Solidária Ao comentar sobre a área de crédito em uma cooperativa, não pode ser esquecida a discussão sobre a economia solidária. Já que o crédito em uma cooperativa de crédito sempre deve ser concedido de forma solidária. Arroyo e Schuch (2006, p. 57) entendem a economia como [...] o conjunto das atividades humanas sistêmicas que se relaciona com o desenvolvimento e a organização da sociedade para atender o conjunto das demandas humanas individuais e coletivas, envolvendo produção, transformação, comercialização, distribuição, comunicação e consumo de produtos primários, ou até idéias, artes e confissões religiosas.

E, os mesmos autores (2006, p. 61), falando sobre a idéia de solidariedade, concluem que a mesma [...] remete a uma ação humana que corresponde à noção elevada de que o melhor para alguém só se obtém de maneira sustentável se for também o melhor para o outro; que não é possível obter bens como qualidade de vida, que inclui segurança, por exemplo, uma preocupação muito atual, se não for uma conquista social.

Entende-se que o crescente desemprego, as transformações no mercado de trabalho e na própria organização econômica no Brasil e no mundo estão

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desencadeando um forte processo de expansão de novas formas de organização do trabalho e comercialização de bens e serviços. Por isso, são diversas formas de cooperativas, empresas em regime de autogestão ou de bases associativistas que formam em seu conjunto a chamada economia solidária. Para Arroyo e Schuch (2006, p. 20) “economia solidária é o “projeto” de economia organizada a partir do trabalho, e não do capital”. A economia solidária surge como modo de produção, consumo e distribuição de riqueza (economia) alternativa ao capitalismo, criado e recriado periodicamente pelos que se encontram (ou temem ficar) marginalizados do mercado de trabalho, ou seja, uma criação em processo contínuo de trabalhadores em luta contra o capitalismo. A economia solidária possui uma finalidade multidimensional, isto é, envolve a dimensão social, econômica, política, ecológica e cultural. Isto porque, além da visão econômica de geração de trabalho e renda, as experiências de economia solidária se projetam no espaço público, no qual estão inseridas, tendo como perspectiva a construção de um ambiente socialmente justo e sustentável. A economia solidária é o projeto que, em inúmeros países há dois séculos, trabalhadores vêm ensaiando na prática e pensadores socialistas vêm estudando e propagando. Um exemplo disto é que: 1. homens e mulheres vitimados pelo capital organizam-se como produtores associados tendo em vista não só ganhar a vida mas reintegrar-se à divisão social do trabalho em condições de competir com as empresas capitalistas; 2. pequenos produtores e assalariados se associam para reunir suas poupanças em fundos rotativos que lhes permitem obter empréstimos a juros baixos e eventualmente financiar empreendimentos solidários. [...] se as condições de trabalho na fábrica capitalista eram duras, elas sempre seriam menos duras na cooperativa por duas razões fundamentais: na fábrica capitalista os empregados têm de produzir lucros proporcionais ao capital investido, obrigação que os cooperados não têm, o que lhes permite se auto-explorar menos; além disso, os cooperados têm a liberdade de escolher quando e como trabalhar para tornar sua empresa competitiva, ao passo que os trabalhadores assalariados têm de obedecer a determinações da direção. (SINGER e SOUZA, 2000, p. 17).

A unidade típica da economia solidária é a empresa cujos princípios são: gestão democrática; repartição da receita líquida entre os cooperados por critérios aprovados entre todos após discussões e negociações; destinação do excedente anual (denominado sobras) também por critérios acertados entre os associados.

39 O projeto proposto pela economia popular e solidária tem entre seus principais fundamentos o desafio de estruturar uma economia que se alimente da inclusão social e da distribuição de renda, em um contexto em que signifique a radicalização da democracia política na direção da democracia econômica, a única capaz de trazer soluções definitivas aos problemas sociais. (ARROYO e SCHUCH, 2006, p. 53)

Na empresa solidária, os sócios não recebem salário, mas retirada, que varia conforme a receita obtida. Os sócios decidem coletivamente, em assembléia, se as retiradas devem ser iguais ou diferenciadas. A maioria das empresas solidárias adota certa desigualdade das retiradas, que acompanha o escalonamento vigente

nas

empresas

capitalistas,

mas

com

diferenças

muito

menores,

particularmente entre trabalho mental e manual. Muitas empresas solidárias fixam limites máximos entre a menor e a maior retirada para dar continuidade ao “espírito” solidário. Observa-se que algumas empresas estão se desviando do rumo da solidariedade. Conforme Singer e Souza (2000, p. 19) [...] a maioria das cooperativas de consumo e agrícolas adotou a gestão capitalista em seus estabelecimentos. A maioria das cooperativas de consumo vem fechando as portas em muitos países. Mas as cooperativas agrícolas se mantêm e crescem cada vez mais. Muitas se tornam grandes organizações, dirigidas por tecnocracias gerenciais de alto nível, que dominam os pequenos agricultores que são nominalmente os “seus donos”. Finalmente, no Brasil pelo menos, cooperativas agrícolas admitem como sócios grandes firmas capitalistas, que assalariam numerosos trabalhadores. Nestas, não restam vestígios de solidariedade.

Os mesmos autores citados acima (2000, p. 24) concluem que “o que debilita o desenvolvimento da economia solidária é que a maior parte de suas unidades atuam isoladamente em mercados dominados por empresas capitalistas, com pouco ou nenhum acesso a crédito, a redes de comercialização, à assessoria tecnológica, etc”. “A empresa solidária exige dos seus integrantes uma opção contra os valores dominantes da competição individual e da primazia do capital sobre o trabalho”. (SINGER e SOUZA , 2000, p. 21). A economia solidária se fundamenta na cultura da cooperação, da solidariedade e da partilha. Ela rejeita as práticas da competição, da exploração e da lucratividade e, contesta tanto o conceito de riqueza como os indicadores de sua avaliação que se reduzem ao valor produtivo e mercantil, sem levar em conta valores como o ambiental, o social e o cultural de uma atividade econômica.

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De acordo com Singer (2002, p. 114) “... A economia solidária foi concebida para ser uma alternativa superior ao capitalismo por proporcionar às pessoas que a adotam, enquanto produtoras, poupadoras, consumidoras etc., uma vida melhor”. Ao falar sobre o sistema de finanças solidárias, Arroyo e Schuch (2006, p. 39) destacam que O objetivo é permitir às pessoas excluídas do sistema bancário adquirirem créditos (financiamento, poupança, seguro etc.) e com isso criarem seu próprio meio de trabalho e subsistência, ou seja, a economia solidária visa à busca da democratização do acesso ao crédito popular, no qual a seleção de investimentos dos projetos se dará mediante sua utilização social, e enfatiza a importância do acompanhamento do projeto, uma vez este iniciado. Preocupa-se com a chamada utilidade do investimento financeiro, na qual o objetivo é a busca da aplicação ética do dinheiro, por exemplo, esforços na luta contra a exclusão, pela preservação ambiental, em trabalhos de ação cultural e de desenvolvimento local, assim como outras aplicações.

Ainda falando sobre as questões relacionadas ao crédito solidário, os mesmos autores acima citados (2006, p. 21) abordam que O aval é mais uma referência de idoneidade e respeito à comunidade do que uma garantia real, como nos bancos tradicionais. Este princípio faz que seja solicitado um avalista do mesmo meio social, e não uma pessoa com bens e propriedades de um outro meio perante quem o empreendedor tenha de se humilhar. A inadimplência continua a ser uma referência operacional importante, mas deixa de ser única, passando a compor com indicadores de incremento de renda, empregos gerados, organização dos empreendedores, entre outros, o quadro de avaliação de desempenho da instituição.

O crédito deve ser trabalhado no sentido de gerar emprego e renda melhorando a qualidade de vida da população. Ele só faz sentido se proporcionar o sucesso do negócio financiado. Construir e manter uma economia solidária depende muito da empresa, de sua disposição de aprender e experimentar, de sua adesão aos princípios da solidariedade, da igualdade e da democracia e de sua disposição de seguir estes princípios na vida cotidiana.

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3 UNICRED CRICIÚMA

Esse capítulo caracteriza a cooperativa de crédito Unicred Criciúma, mostrando sua história, seus benefícios, sua evolução e, principalmente, suas linhas de crédito e financiamento, objeto de destaque neste trabalho. A Unicred Criciúma é constituída por médicos, demais profissionais da área da saúde e contabilistas da cidade de Criciúma – SC e região, a cooperativa de crédito faz parte das dez singulares atendidas pela Unicred Central de Santa Catarina e pela Confederação das Unicreds do mesmo Estado. Tem por objetivo: proporcionar, pela mutualidade, assistência financeira aos associados através de suas atividades específicas; prestar serviços inerentes às atividades específicas de sua modalidade social; promover o aprimoramento técnico, educacional e social de seus dirigentes, associados, empregados e respectivos familiares. 3.1 Histórico Em 20 de janeiro de 1994 foi fundada na cidade de Criciúma/SC a Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Médicos e demais Profissionais da Área da Saúde de Criciúma (Unicred Criciúma), por um grupo formado por 20 médicos cooperados, iniciando suas atividades em agosto do mesmo ano. A Unicred Criciúma surgiu pelo fato de existirem outras Unicred’s no Estado de Santa Catarina, tendo como objetivo favorecer os profissionais da área da saúde e atividades afins, prestando de forma mais ágil os serviços bancários e financeiros. Para suprir as exigências dos profissionais da sua área de ação, a cooperativa, além de ter disponibilizado uma sede em Criciúma, ela inaugurou mais três PACs. Em 23 de maio de 1997, foi inaugurado o primeiro PAC, localizado na cidade de Araranguá/SC, abrangendo desde a área de Araranguá até Passo de Torres/SC.

Além disso, para facilitar o atendimento aos cooperados que

trabalhavam no Hospital São João Batista de Criciúma e locais próximos, em 1º de março de 2000 foi inaugurado o segundo PAC. E, o terceiro, foi inaugurado em 12 de abril de 2002, na cidade de Içara/SC.

42

Hoje, a cooperativa continua com sua sede em Criciúma e com os três PAC’s instalados nas cidades mencionadas acima. Em sua última alteração no Estatuto, no mês de março deste ano, a cooperativa passou a associar também os profissionais da área da Contabilidade, mudando sua razão social para: Cooperativa de Crédito dos Médicos e demais Profissionais da Saúde e de Contabilistas de Criciúma (Unicred Criciúma). 3.2 Características A Unicred Criciúma tem como finalidade a administração dos recursos de quem exerce atividade na área da saúde e contabilidade. Ela se diferencia das demais Instituições Financeiras por apresentar produtos e serviços mais acessíveis através do cooperativismo, estimulando o desenvolvimento profissional e pessoal de seus cooperados. Sua missão é a de promover a satisfação econômico-financeira, social e educativa ao cooperado, com produtos e serviços de qualidade, com ética e profissionalismo. Sua cultura é a de oferecer atendimento personalizado, com recursos humanos qualificados, taxas competitivas e educação cooperativista. E, sua visão é ser referencial de consultoria financeira para o cooperado. Seu faturamento mensal gira em torno de R$ 500.000,00. Ela se administra democraticamente, ou seja, pratica a autogestão. As tomadas de decisões mais complexas, como: prestação de contas no final de cada ano; destinação das sobras líquidas apuradas ou rateio das perdas; eleição dos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal; fixação do valor de honorários e gratificações aos membros dos Conselhos e Diretoria; reforma do Estatuto; fusão, incorporação ou desmembramento; e mudança do objeto da sociedade, são realizadas em Assembléias Gerais. Enquanto que as de menos importância são tomadas pelos conselheiros administrativo e fiscal ou diretoria executiva. Decisões de rotina são de responsabilidade de encarregados e gerentes, escolhidos pela diretoria eleita pelos sócios. Porém, sabe-se que os sócios em geral preferem deixar que as decisões sejam tomadas apenas pelos gestores definidos em votação e, que, apesar das Assembléias Gerais serem as reuniões mais importantes da cooperativa, que são

43

onde são tomadas as decisões mais importantes, a participação por parte dos cooperados é muito pequena. Ao serem analisados os últimos 5 anos de existência da cooperativa, a média do número de participação dos cooperados por Assembléia é de 44 cooperados, para uma média de 1.047 cooperados ativos, apenas 4% participam. Seu capital social é de R$ 4.928.000,00, composto por quotas-partes definidas em Assembléia. O capital é ilimitado quanto ao máximo e variável conforme o número de quotas-partes, não podendo ser inferior a R$ 70.000,00. Os associados admitidos se obrigam a subscrever o número de quotaspartes em valor de R$ 2.500,00, integralizando, no mínimo, 50 quotas por mês até atingir o valor citado. No caso de demissão, eliminação ou exclusão do associado, o mesmo é restituído de capital após a aprovação do balanço do exercício social em que se deu o desligamento. Suas sobras anuais têm sua destinação decidida pela assembléia geral de sócios. Uma parte (5%) é colocada num fundo de educação dos próprios sócios, outra (10%) é posta em um fundo de reserva, e o que resta é distribuído em dinheiro aos sócios para ser colocado nas suas cotas-capitais3 por algum critério aprovado pela maioria. Geralmente, é dividida proporcionalmente a movimentação em conta corrente, através do saldo médio, empréstimo e investimento. Elas são utilizadas para expandir o patrimônio da cooperativa e são contabilizadas individualmente para cada sócio. Sobre o fundo divisível a cooperativa contabiliza juros, sempre pela menor taxa de mercado. Quando o sócio se retira da cooperativa, ele tem o direito de receber sua cota do fundo divisível acrescido dos juros a ele creditados. Cada retirada do fundo divisível representa uma descapitalização da cooperativa. Ao entrar na cooperativa o cooperado tira suas dúvidas e recebe todo o tipo de esclarecimento em torno do que é uma cooperativa, seu diferencial e suas características básicas. A educação dos sócios é realizada através de: 1. Curso de Cooperativismo aos novos membros de Conselhos e Diretoria, quando entram na gestão (obrigatório); 2. Curso de MBA em Cooperativismo a um número limitado de gestores e, somente aos diretores, conselheiros administrativos e gerente geral, com duração de 1 ano e meio (opcional); 3. Cursos de Graduação e Pós Graduação aos 3

Capitalizações realizadas por quotas mensais até o cumprimento do valor estabelecido pela assembléia geral.

44

funcionários com mais de um ano de efetivação e, nas áreas administrativa, econômica, financeira e outras afins (opcional); 4. Treinamentos ou Cursos semestrais

sobre

assuntos

administrativos

e

financeiros

destinados

aos

colaboradores (opcional). A responsabilidade social da cooperativa é resgatada através de campanhas em datas comemorativas, como: Natal, Dia das Crianças e Páscoa, com doação de brinquedos, doces e roupas. E, também, em campanhas semestrais de doação de alimentos, roupas e dinheiro. Tudo com o apoio dos sócios e, em muitos casos mais até dos colaboradores. A destinação é feita aos Asilos e Instituições de Crianças Carentes da região. Seu quadro associativo atual é composto por 1.798 cooperados, entre pessoas físicas e jurídicas, sendo que a sede possui 1.147 cooperados, o PAC do Hospital São João Batista, 149, o PAC de Içara, 170 e, o PAC de Araranguá, 332. De acordo com o próprio Estatuto Social da Cooperativa, podem fazer parte da instituição as pessoas físicas que, na sua área de ação, sejam profissionais de nível superior das seguintes categorias: médicas, inclusive veterinárias, de enfermagem, fisioterapeuticas, bioquímicas, nutricionistas, odontológicas, de terapia ocupacional, fonoaudiológicas, farmacêuticas, psicológicas, assistentes sociais, biológicas, engenharia agrônoma, de tecnólogos em radiologia, de educação física e, contabilistas. E, as pessoas jurídicas que tenham por objetivo as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas, ou ainda, aquelas sem fins lucrativos. Além disso, podem ser associados: a) seus próprios empregados e pessoas físicas que a ela prestem serviços em caráter não eventual; b) empregados e pessoas físicas prestadoras de serviços em caráter não eventual às entidades a ela associadas; c) aposentados que, quando em atividade, atendiam aos critérios estatutários de associação; d) pais, cônjuge ou companheiro, viúvo, filho e dependente legal e pensionista de associado. Sua área de ação é limitada ao município sede e alguns municípios próximos a região. Nas figuras 5 e 6 abaixo, pode-se observar a área limitada de ação da cooperativa, formada pelos 25 municípios destacados com o símbolo do cooperativismo. Observa-se, também, o número de cooperados que a Unicred Criciúma possui no momento, separado por região, totalizando 1.762.

45

0

39

1

8

14

13

1.257

8

116

3

Figura 5 – Áreas de ação da Unicred Criciúma e números de cooperados divididos por região (agosto de 2007). Fonte: Governo de SC; adaptada pela autora.

0 4

8

4

203

20 8

0 6 35 1

1

5

6

2

Figura 6 – Áreas de ação da Unicred Criciúma e números de cooperados divididos por região (agosto de 2007).

46 Fonte: Governo de SC; adaptada pela autora.

Observa-se também que a cooperativa possui 1.798 cooperados e que, somando os cooperados das regiões que ela abrange nas figuras mostradas acima, o total é de 1.762. Esta diferença de 36 cooperados totaliza os profissionais que não estão mais trabalhando nas cidades que a cooperativa abrange, porém ainda fazem parte da mesma, já que o Estatuto permite. Sabe-se que a Unicred Criciúma, por abranger todas estas regiões citadas acima, ainda possui bastantes profissionais de suas categorias para captar. Um exemplo disso é o quadro abaixo, que mostra a quantidade de profissionais PF e PJ de algumas categorias pesquisadas que se encontram ativos nos cadastros dos Conselhos nas áreas de ação da cooperativa.

CONTADORES

EDUCAÇÃO FÍSICA

FISIOTERAPEUTAS E TERAPEUTAS FONOAUDIÓLOGOS MÉDICOS ODONTÓLOGOS PSICÓLOGOS OCUPACIONAIS

PF

PF

PJ

PF

PJ

PF

PF

PF

PJ

PF

PJ

1032

552

80

281

78

32

588

532

57

288

2

Quadro 2 – Número de profissionais de algumas categorias das áreas de ação da Unicred Criciúma (outubro de 2007). Fonte: CRC-SC, CREF-SC, CREFITO-SC, CRFA-SC, CREMESC, CRO-SC e CRP-SC; adaptada pela autora.

O total de profissionais encontrados nos Conselhos acima é de 3.522, enquanto a Unicred Criciúma possui, nas mesmas categorias, PF e PJ, o total de 928 cooperados. Para ser associado, além de se enquadrar nas profissões e regiões citadas, ele não pode estar com seu nome registrado em empresas que acusam qualquer restrição financeira ou tipo de irregularidade, como o Serasa e a Receita Federal. Neste caso, é realizada uma análise geral de suas documentações, questionado sua restrição e, em alguns casos, negociada sua entrada. 3.3 Benefícios A Unicred Criciúma, com seus benefícios diretos aos cooperados proporciona conforto, tranqüilidade, rentabilidade e segurança. Abaixo, é possível conferir seus principais benefícios:

47

• Atendimento personalizado – atendimento especial, sem ser prestado por profissionais “robotizados”. Sem filas, com segurança, credibilidade e espírito cooperativista; • Empréstimos e financiamentos conforme a necessidade – linhas de crédito e financiamento com ótimas taxas de juros e prazos de pagamento alongados; • Aplicações em 30, 90, 180, 360 e 720 dias – aplicações com segurança e prazos de carência e rentabilidade diferenciados e variados; • Serviços de consultoria financeira – consultoria especialista em mercado financeiro para não ter dúvidas no momento do investimento do capital; • Previdência Privada Fechada – plano completo e exclusivo do Sistema Unicred, sem visar lucro. Possui mais retorno com taxas menores que as dos Bancos e Seguradoras; • Talão de cheques – talão sem cobrança de tarifas por folha ou talão. Sem limite de retirada. Aceito em todos os estabelecimentos; • 10 dias sem juros no cheque especial – o crédito do cheque especial é oferecido sem juros na utilização de até 10 dias corridos num mesmo mês; • Cartão de crédito Visa Gold Corporate (Bradesco) – cartão sem anuidade para compra concentrada em um vencimento que é escolhido pelo cooperado. Com limites para uso nacional e internacional; • Cartão de saque em conta corrente em toda a rede BDN (Bradesco) – cartão sem anuidade para saque da conta na Unicred em qualquer terminal de auto-atendimento Bradesco em todo o país; • Depósito via Banco do Brasil – realização de depósito utilizando as agências do Banco do Brasil e o dinheiro vai direto na conta do cooperado na Unicred; • Home banking – disponibilização 24h de acesso e movimentação da conta via internet, pelo site: www.unicred-cri.com.br. Podendo verificar saldo, extrato, fazer transferências, aplicações e resgates, simulações

48

de empréstimos e financiamentos, agendamento de cobrança, pagamento de contas, etc; • Agendamento para pagamento de títulos – agendamento de contas pessoais para serem pagas apenas nas datas do vencimento; • Débito automático de água, luz e telefone – débito automático em conta-corrente, sem cobrança de tarifas; • Pagamento de contas em geral – sistema de débito de todas as contas, com a opção de agendamento dos pagamentos para o dia do vencimento; • Parcerias

para

obter

descontos



parcerias

com

hotéis,

concessionárias, planos de saúde e odontológico, para que o cooperado ganhe desconto especial; • Horário de atendimento diferenciado – horário de atendimento dos caixas das 9:00 às 15:00h e, do atendimento geral das 9:00 às 17:00h, sem fechar ao meio dia; • Eventos comemorativos – eventos comemorativos anuais para todos os cooperados e família participarem, como: Salão do Automóvel e Feijoada, realizado entre os meses de julho e agosto e, a Festa de Final de Ano, realizada no mês de dezembro; • Participação nos resultados no final de cada exercício – por ser associado, o cooperado participa das sobras da cooperativa no final de cada ano, ganhando por percentual decidido em assembléia de sua movimentação em c/c, aplicação e empréstimo. A Unicred Criciúma também conta com as parcerias de instituições financeiras como: Banco do Brasil, para liquidação de títulos; Caixa Econômica Federal e Lotérica, para liquidação de alguns documentos via malote; e Banco Bradesco, para emissão de cartões de crédito. 3.4 Evolução De acordo com o ranking divulgado em setembro de 2007 pela Unicred do Brasil, a Unicred Criciúma está entre as vinte maiores do Sistema Unicred nacional.

49

O ranking leva em consideração o tamanho, eficiência, evolução e risco, das 136 sedes de Unicred’s em todo o país, a unidade de Criciúma ficou com a 19ª posição. No Estado, ela é a 3ª maior. Abaixo, observa-se a evolução da Unicred Criciúma desde o ano de 2002 até o de 2006 nos itens: quadro social, depósitos totais (a vista e a prazo), empréstimos e financiamentos, patrimônio líquido e capital social. QUADRO SOCIAL

1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 2002

2003

2004

2005

2006

Gráfico 4 – Evolução do Quadro Social da Unicred Criciúma (dezembro de 2006). Fonte: Unicred Criciúma; adaptado pela autora.

O quadro social ou número de cooperados da cooperativa vem crescendo à medida que o tempo vai passando. Porém, a maior diferença é constatada entre o ano de 2005 e 2006, onde o aumento ultrapassou a barreira dos 315 cooperados em um ano.

DEPÓSITOS TOTAIS

25.000.000 20.000.000 15.000.000 10.000.000 5.000.000 -

2002

2003

2004

2005

2006

Gráfico 5 – Evolução dos Depósitos Totais realizados na Unicred Criciúma (dezembro de 2006).

50 Fonte: Unicred Criciúma; adaptado pela autora.

Os depósitos a vista e a prazo também cresceram ao longo do tempo. Há que se destacar o período entre o ano de 2004 e 2005, onde houve um aumento considerável de R$ 4.458.803,00.

EMPRÉSTIMOS

18.000.000 16.000.000 14.000.000 12.000.000 10.000.000 8.000.000 6.000.000 4.000.000 2.000.000 -

2002

2003

2004

2005

2006

Gráfico 6 – Evolução dos Empréstimos e Financiamentos realizados na Unicred Criciúma (dezembro de 2006). Fonte: Unicred Criciúma; adaptado pela autora.

Na parte do crédito houve um pequeno decréscimo no ano de 2003. Porém, os próximos anos recuperaram a queda e em 2006 a cooperativa atingiu a marca dos R$ 16.419.071,00 emprestados e financiados.

PATRIMÔNIO

6.000.000 5.000.000 4.000.000 3.000.000 2.000.000 1.000.000 -

2002

2003

2004

2005

2006

Gráfico 7 – Evolução do Patrimônio Líquido da Unicred Criciúma (dezembro de 2006). Fonte: Unicred Criciúma; adaptado pela autora.

51

O patrimônio líquido da cooperativa cresce de ano em ano e mostra mais uma vez o maior crescimento entre o ano de 2005 e 2006, onde chegou-se ao resultado de R$ 1.324.971,00 de aumento.

CAPITAL SOCIAL

4.000.000 3.500.000 3.000.000 2.500.000 2.000.000 1.500.000 1.000.000 500.000 -

2002

2003

2004

2005

2006

Gráfico 8 – Evolução do Capital Social da Unicred Criciúma (dezembro de 2006). Fonte: Unicred Criciúma; adaptado pela autora.

O capital social também vem crescendo nos últimos anos e repete o maior aumento entre 2005 e 2006, com R$ 866.983,00 a mais. Lembrando que o valor mínimo do capital permitido para a cooperativa é de R$ 70.000,00.

SOBRAS

1.200.000 1.000.000 800.000 600.000 400.000 200.000 -

2002

2003

2004

2005

2006

Gráfico 9 – Evolução das Sobras da Unicred Criciúma (dezembro de 2006). Fonte: Unicred Criciúma; adaptado pela autora.

Por último, ao comparar as sobras anuais, observa-se uma oscilação entre os anos. Houve, porém, um aumento repetitivo nos últimos dois anos e, em 2006 o melhor resultado ultrapassou R$ 1.000.000,00.

52

3.5 Empréstimos e Financiamentos Na área do crédito, a Unicred Criciúma procura sempre os melhores produtos, com os maiores prazos e com taxas de juros acessíveis ao perfil do associado. Além disso, oferece consultoria pessoal para escolher a solução adequada para qualquer projeto, rapidez e facilidade na concessão do crédito, isenção de tarifas e, o principal, a operação realizada com a Unicred contará pontos na hora da distribuição das sobras, que retornará ao cooperado na cota-capital. Esta área é liderada pelo comitê de crédito que se reúne uma vez por dia na cooperativa. Ele é composto pela diretoria, gerência geral e gerência de negócios. O comitê analisa o risco e o comprometimento das concessões, avaliando também o histórico do cooperado na cooperativa. Porém, existem alguns cargos que possuem alçadas de valores até R$ 5.000,00 para liberação imediata do crédito ou financiamento, após análise individual. A cooperativa conta com várias linhas de crédito e financiamento, com excelentes e competitivas taxas de juros e prazos de pagamento, conforme mostra o quadro 3.

TIPO

TAXA (%)

PRAZO (mês)

ADIANTAMENTO À DEPOSITANTE - PF/PJ

PRE

10,00

diário

CHEQUE ESPECIAL - PF/PJ

PRE

5,00

6

CRÉDITO EMPREENDEDOR - PF/PJ

POS

0,80

48

CRÉDITO ESPECIAL/ TRIBUTOS - PF/PJ

POS

0,60

12

CRÉDITO PESSOAL - PF

POS

1,50

36

CRÉDITO PARA APLICADOR - PF/PJ

POS

0,40

84

CRÉDITO ROTATIVO - PF/PJ

PRE

2,90

12

DESCONTO DE CHEQUES - PF/PJ

PRE

2,50

12

FESTAS (CASAMENTO E FORMATURA) - PF

POS

0,80

24

HOT MONEY - PJ

PRE

3,50

1

PARCELADO EMPRESARIAL - PJ

POS

1,50

36

RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDA - PF/PJ

POS

1,50

60

ROTATIVO PARA APLICADOR - PF/PJ

PRE

2,50

12

SAÚDE MÉDICA/ODONTOLÓGICA/ESTÉTICA - PF

POS

0,60

24

REFINANCIAMENTO DE IMÓVEL - PF/PJ

POS

0,70

84

REFINANCIAMENTO DE VEÍCULO - PF/PJ

POS

0,70

48

EQUIPAMENTO DE USO PROFISSIONAL - PF/PJ

POS

0,80

48

EQUIPAMENTO ELETRO ELETRÔNICO - PF/PJ

POS

0,80

36

ESPECIALIZAÇÕES - PF

POS

0,60

48

53 FINANCIAMENTO VEÍCULO E MOTOS - PF/PJ

POS

0,50

48

FINANCIAMENTO VIAGEM E FÉRIAS - PF

POS

1,00

36

FINANCIAMENTO DE IMÓVEL - PF/PJ

POS

0,50

84

REFORMA E CONSTRUÇÃO - PF/PJ

POS

0,50

84

Quadro 3 – Empréstimos e Financiamentos da Unicred Criciúma (setembro de 2007). Fonte: Unicred Criciúma; adaptada pela autora.

Todos os produtos procuram satisfazer os cooperados na sua vida pessoal e profissional, buscando uma melhor qualidade de vida. 3.5.1 Inadimplência A Unicred Criciúma não possui um índice de inadimplência considerado alto se analisada a média dos índices de cada ano. O índice de inadimplência é composto pelos seguintes itens: • Valor total do adiantamento a depositante por mais de 30 dias, ou seja, valor que ultrapassou o saldo real em c/c ou o limite de cheque especial; • Valor da utilização do cheque especial por mais de 360 dias; • Valor da parcelas de empréstimo ou financiamento vencidas de 15 a 60 dias; • Valor dos títulos (empréstimos ou financiamentos) vencidos por mais de 60 dias. O cálculo mensal do índice é formado pela soma destes itens de inadimplência,

dividido

pelo

total

de

empréstimos

e

financiamentos

sem

provisionamento. De acordo com a Unicred Central de SC o quadro 4 mostra os níveis de risco por índice de inadimplência. Índice

Risco

Nível

0 a 2,0

1

Muito baixo

2,01 a 4,0

2

Baixo

Inadimplência (%)

54

4,01 a 6,0

3

Médio

6,01 a 100,0

4

Alto

Quadro 4 – Níveis de Risco por Índice de Inadimplência da Unicred Criciúma (setembro de 2007). Fonte: Unicred Central SC; adaptada pela autora.

O quadro abaixo mostra a evolução dos índices de inadimplência dos últimos 4 anos da Unicred Criciúma.

ÍNDICE DE INADIMPLÊNCIA 2004

ÍNDICE DE INADIMPLÊNCIA 2003 5

3,5

4

3 2,5

3

2 1,5

2

1 0,5

1 0

0

jan

mar

mai

jul

set

nov

jan

mar

Média 2,44%

mai

jul

set

nov

Média 2,02%

ÍNDICE DE INADIMPLÊNCIA 2006

ÍNDICE DE INADIMPLÊNCIA 2005 5

5

4

4

3

3

2

2

1

1

0

0

jan

mar

mai

jul

set

Média 3,33%

nov

jan

mar

mai

jul

set

nov

Média 2,93%

Quadro 5 – Evolução dos Índices de Inadimplência da Unicred Criciúma Fonte: Unicred Criciúma; adaptado pela autora.

Comparando os índices do quadro 1, observa-se que a maior e a menor média dos índices de inadimplência não acompanham o número de empréstimos realizados no ano, conforme o gráfico 6. Em 2003, apesar do total de empréstimos realizados ter sido o menor dos quatro anos comparados, a média do índice foi maior que o ano de 2004, que teve um total de empréstimos maior. Já em 2006, mesmo com um total de empréstimos de R$ 16.419.071,00, o maior dos últimos

55

anos, a média do índice de inadimplência (2,93%) não é considerada alta se comparada ao ano anterior, que obteve R$ 11.358.913,00 de empréstimos concedidos e 3,33% na média do índice de inadimplência, a maior desta comparação. Percebe-se também que de todas as médias dos índices de inadimplência dos anos citados no quadro 5, nenhuma passou do risco 2, ou seja, a cooperativa está com o segundo melhor índice do quadro 4, deixando para trás os níveis de risco mais altos, o 3 e 4.

56

4 METODOLOGIA

Este capítulo traz a apresentação dos métodos utilizados para a realização da pesquisa: o tipo de pesquisa, a população (universo da pesquisa), a amostragem, os instrumentos de coleta de dados e o período pesquisado. 4.1 Classificação da Pesquisa O tipo de pesquisa aplicada no presente trabalho se caracteriza como sendo descritiva, já que tem como objetivo a descrição das características de determinada população, neste caso a Unicred Criciúma, utilizando a técnica da observação sistemática, levantando opiniões, atitudes e crenças. A abordagem da pesquisa é qualitativa, com interpretação de fenômenos e a atribuição de significados, não requerendo o uso de técnicas estatísticas. O ambiente natural é a fonte direta para a coleta de dados. O procedimento técnico utilizado é o estudo de campo, que consiste em coletar dados que ajudem nas respostas para o questionamento levantado. Nele estuda-se a comunidade de trabalho Unicred Criciúma em termos de sua estrutura social, utilizando técnicas de observação das atividades, análise de documentos e entrevistas com informantes para captar as explicações e interpretações do que ocorre no grupo. 4.2 Universo e Amostra da Pesquisa O universo desta pesquisa é constituído pela Cooperativa de Crédito dos Médicos e demais Profissionais da Saúde e Contabilistas de Criciúma – Unicred Criciúma. O objeto envolve as características de uma verdadeira cooperativa de crédito, comparando com outras instituições financeiras, mais especificamente as características de um crédito solidário. A amostra do estudo engloba os colaboradores da cooperativa que possuem as informações necessárias para a realização da pesquisa.

57

4.3 Instrumentos Os instrumentos de coleta de dados são a observação, com a presença constante do pesquisador na instituição pesquisada e, a entrevista, com o intuito de esclarecer algumas questões que surgiram durante a realização do trabalho. A coleta de dados foi realizada através de consulta em documentos internos da cooperativa (Estatuto, Regimento), consulta no Sistema de Automação Unicred (SAU) da própria cooperativa, e-mail aos colaboradores que possuíam determinadas informações e pesquisa nos sites de determinadas instituições financeiras mercantis e Conselhos Regionais das categorias de profissionais que a cooperativa abrange. Cabe salientar que tudo foi pesquisado e analisado com o apoio e observação da gerência geral e administrativa da empresa pesquisada. 4.4 Período Pesquisado A análise de documentações da empresa pesquisada iniciou no mês de agosto de 2007, estendendo-se até o mês de outubro do mesmo ano. Muitas informações internas poderiam ser encontradas na própria empresa, por meio de relatórios internos, Estatuto, Regimento e no SAU, o que facilitava o acesso e tornava a pesquisa rápida. Na medida em que surgiam dúvidas ou que fosse preciso algum material que não se encontrava na empresa, era perguntado ou solicitado ao gerente geral ou administrativo, dependendo do assunto. Todas as dúvidas eram esclarecidas no momento da pergunta. Porém, quando eles não conseguiam encontrar o material solicitado no mesmo dia, era dado um prazo de até 5 dias para que conseguissem fornecer o mesmo. E, sempre era cumprido. A pesquisa realizada em outras instituições financeiras foi iniciada em outubro de 2007, via internet e, demorou 15 dias para ser finalizada. Nos sites de duas instituições financeiras a pesquisa foi rápida, durando apenas 5 dias, já que só era analisado e impresso as modalidades de linhas de crédito e financiamento e as tarifas de serviços prestados pelas instituições. Porém, no site da terceira instituição pesquisada não continha todas as informações necessárias à pesquisa, então, o pesquisador conseguiu um e-mail de um funcionário que trabalha no local e o encaminhou solicitando algumas informações, estabelecendo um prazo de mais 5

58

dias. Como não houve retorno, o pesquisador foi conduzido a realizar um contato telefônico após o prazo estabelecido e, alegando não ter recebido o e-mail, o funcionário da instituição conseguiu enviar o retorno e, ainda incompleto, após 5 dias. A pesquisada feita com todos os Conselhos Regionais dos profissionais que a Unicred Criciúma pode cooperar iniciou no começo de setembro de 2007 e terminou somente no final do mês de outubro de 2007, com o aproveitamento de apenas menos da metade das solicitações realizadas. No dia 04 de setembro o pesquisador enviou e-mail para os seguintes Conselhos de SC: CREMESC, CRMV, COREN, CREFITO, CRF, CRN, CRO, CRFA, CRC, CREF, CRP, CEAS, CRBIO, CREA e CRTR, conseguidos através dos sites dos mesmos. No e-mail foi solicitado o número de profissionais de cada região que a cooperativa abrange, com um prazo de até o final do mês de setembro para dar um retorno. E, dos 15 Conselhos, apenas 4 responderam, CREFITO, CREF, CRO e CRC. Então, no dia 02 de outubro, o pesquisador enviou novamente o mesmo e-mail para quem não havia respondido e solicitou encarecidamente o retorno. Apenas um Conselho (CREMESC) respondeu. No dia 17, 18 e 19 de outubro, o pesquisador ligou para aqueles Conselhos que não haviam retornado e confirmou os e-mails, enviando-os novamente. Em seguida, recebeu o retorno do CRP e, no dia 25 de outubro recebeu a resposta do CRFA. O último e-mail enviado foi no dia 29 de outubro, solicitando desesperadamente uma resposta. Então, o último retorno recebido foi no dia 30 de outubro do CRBIO, lamentando não poder ajudar, já que estava reformulando seu banco de dados.

59

5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

Na apresentação e análise dos dados deste trabalho aparece a comparação de tarifas e empréstimos e financiamentos entre os três maiores e consolidados bancos do Sistema Financeiro Nacional (BB, Bradesco, CEF) e a cooperativa de crédito Unicred Criciúma. É possível verificar também a análise dos tipos, características, utilização, taxas e prazos dos empréstimos e financiamentos PF e PJ da Unicred Criciúma nos últimos anos. Além disso, observa-se o total de crédito e financiamento liberados na Unicred Criciúma para cooperados PF e, dependentes dos mesmos. 5.1 Comparativo de Tarifas de Serviço O quadro abaixo traz a comparação de algumas das principais tarifas de serviço cobradas às pessoas físicas realizada entre os bancos: BB, Bradesco e CEF e, a cooperativa de crédito: Unicred Criciúma.

BB

BRADESCO

CEF

UNICRED

R$ 1 Anuidade Cartão Visa 2 Atestado Idoneidade Financeira 3 Boleto pré impresso Cheque Avulso no caixa (saque) sem 4 cartão 5 Cheque compensado 6 Cheque maior que R$ 5.000,00 7 Cheque menor que R$ 40,00 8 Cobrança (liquidação) 9 Consulta de saldo impresso 10 Cópia de cheque (microfilmagem) 11 Custódia de cheque 12 Débito Automático em conta corrente 13 Depósito identificado Devolução Cheque por contra ordem, 14 cancelamento ou sustação Devolução de cheque (motivos 11 e 12) 16 DOC/TED 15

anual unidade unidade

72,00 50,00 0,40

90,00 20,00 0,30

84,00 25,00 0,20

isento isento 0,40

unidade

3,90

1,95

3,50

isento

unidade unidade unidade unidade unidade unidade unidade unidade unidade

0,95 0,11% 0,55 2,00 4,00 6,00 0,40 2,50 2,50

0,35 0,11% 0,50 2,00 1,20 7,00 0,50 0,30 2,90

0,40 0,11% 0,50 3,26 1,40 5,00 0,20 1,66 3,00

isento 0,11% isento 1,35 isento 6,00 isento isento isento

unidade

10,50

11,40

11,00

10,50

unidade

17,85

17,20

17,85

17,85

unidade

13,50

8,00

14,00

6,00

60

17 18 19 20 21 22 23 24 25

Excesso sobre limite/Adiantamento a Depositante Extrato Máquina Auto-Atendimento Extrato solicitado na agência Extrato via fax Ficha cadastral Manutenção de cadastro Manutenção de conta corrente básica Regularização CCF Retirada de cheque da custódia

unidade

22,50

23,80

22,00

10%

unidade unidade unidade anual anual mensal unidade unidade

1,50 5,00 1,50 16,00 16,00 8,00 29,00 10,00

1,20 3,00 1,20 15,00 15,00 8,80 24,00 8,00

0,50 2,00 1,50 15,00 15,00 8,00 30,82 5,00

isento isento isento isento isento isento 29,00 10,00

Mais barata Mais cara Quadro 6 – Comparativo de tarifas de serviço cobradas às PF (outubro de 2007). Fonte: BB, Bradesco, CEF, Unicred Criciúma; adaptada pela autora.

Das tarifas de serviço analisadas, observa-se que o BB é quem faz a cobrança das tarifas mais caras. Já a cooperativa além de cobrar as mais baratas, possui uma grande vantagem se comparada às demais instituições financeiras similares a ela. Das 25 tarifas, a Unicred cobra 10, com preços e condições acessíveis e, não cobra 15. Enquanto isso, os bancos analisados cobram todas. Algumas dessas são calculadas como um percentual, podendo não demonstrar o valor exato da cobrança, já que depende da quantia a ser calculada. Porém, a maioria tem valor fixo. Além do valor das tarifas, outra diferença dos bancos e cooperativa é que no primeiro caso as tarifas têm destinos diferentes, dependendo da situação e do cliente e, no segundo, todas são iguais para todos, sem distinção. 5.2 Comparativo de Empréstimos e Financiamentos O seguinte quadro apresenta a média das maiores taxas de juros cobradas e maiores prazos mensais oferecidos, com limites de valores a conceder parecidos, das modalidades de empréstimos e financiamentos PF e PJ comparadas entre os bancos: BB, Bradesco e CEF e, a cooperativa de crédito: Unicred Criciúma.

UNICRED

BB

BRADESCO

CEF

Taxa Prazo Taxa Prazo Taxa Prazo Taxa Prazo CHEQUE ESPECIAL - PRE

5,00%

6

7,56%

6

7,89%

3

7,20%

6

CRÉDITO PESSOAL - PRE

2,30%

24

2,64%

36

3,69% 25,42 3,81%

12

61

CRÉDITO IMOBILIÁRIO - PRE/POS 1,59% CDC - PRE/POS Mais barata Mais cara

72

0,88%

220

1,16%

258

1,66%

42

2,58% 30,73 3,12%

24

2,97% 30,66 2,44% 29,25

Mais longo Mais curto

Quadro 7 – Comparativo de empréstimos e financiamentos PF e PJ (outubro de 2007). Fonte: BB, Bradesco, CEF, Unicred Criciúma; adaptada pela autora.

As modalidades do quadro 7 estão divididas em quatro, o Cheque Especial com taxas de juros pré-fixadas, o Crédito Pessoal com taxas de juros também pré-fixadas, o Crédito Imobiliário com taxas de juros pré e pós-fixadas e o CDC com taxas de juros pré e pós-fixadas. Estas modalidades, quando comparadas entre as instituições financeiras pesquisadas, possuem alguns produtos parecidos e outros diferentes. E, cada instituição apresenta diferentes fixações de taxas de juros, dependendo do produto. As divisões e subdivisões das modalidades por instituição financeira aparecem da seguinte maneira: • Unicred Criciúma: 1. Cheque Especial (PRE); 2. Crédito Pessoal (PRE) – Crédito Especial/Tributos e Crédito Pessoal; 3. Crédito Imobiliário (POS) – Imóvel e Reforma e Construção; 4. CDC (PRE) – Adiantamento a Depositante, Adiantamento de Produção, Crédito Rotativo, Desconto de Cheque, Duplicatas Unimed, Hot Money, Parcelado Empresarial e Rotativo aplicador; 5. CDC (POS) - Crédito Empreendedor, Crédito Aplicador, Festas, Renegociação de Dívida, Saúde,

Equipamento

Especialização,

Filiação

Profissional, Unimed,

Equipamento

Financiamento

de

Eletrônico, Veículo

e

Financiamento Viagem ou Férias. Lembrando que as taxas de juros pós-fixadas são calculadas com a taxa do CDI. •

BB: 1. Cheque Especial (PRE) – Classic, Eletrônico, Jovem, Estilo, Ouro, Ouro Executivo e Universitário; 2. Crédito Pessoal (PRE) – Crédito Benefício, Crédito Benefício 2 salários mínimos, Crédito Pronto, Crédito Salário, Crédito Salário (convênio), Crédito 13º salário, Crediário, Crediário Internet, Crediário Pagamento Diversos, Crediário

62

PC Conectado, Crédito Informática, Crédito Material de Construção e Crédito Parcelado Cartão; 3. Crédito Imobiliário (PRE) – Construção, Aquisição e Aquisição Comercial; 4. CDC (PRE) – Antecipação IRPF com garantia, Antecipação IRPF sem garantia, Empréstimo Eletrônico, Renovação e Crédito Veículo. • Bradesco: 1. Cheque Especial (PRE); 2. Crédito Pessoal (PRE) – Online, Vinculado, Bradesco, Limite de Crédito Pessoal, Com garantia de veículo, Reforma de Imóveis e Antecipação IR; 3. Crédito Imobiliário (PRE) – Término de Construção e Aquisição de Imóvel; 4. CDC (PRE) – Seminários e Congressos, Veículos Leves, Micro-computadores e Outros Bens, MBA e Pós-Graduação, Conversão Combustível, Aquecedores Solares, Móveis Planejados, Cirurgia Plástica e Material Construção. • CEF: 1. Cheque Especial (PRE); 2. Crédito Pessoal (PRE) – Antecipação de IRPF e Crédito Pessoal; 3. Crédito Imobiliário (POS) – Construcard Caixa; 4. CDC (PRE) – Turismo, Producard, Crédito Auto Caixa e Computador para todos; 5. CDC (POS) – Investgiro Caixa, Proger Profissionais Liberais, Giro Renda Caixa e Financiamento de BCD. As taxas de juros pós-fixadas dos produtos Construcard Caixa e Financiamento de BCD são calculadas pela TR e, as demais taxas de juros pós-fixadas são calculadas pela TJLP. Alguns dos produtos oferecidos pelos bancos podem variar suas taxas e prazos conforme o histórico do cliente ou pontos de relacionamento com a instituição. E, todos os produtos de crédito ou financiamento oferecidos pelos bancos possuem algumas destas tarifas inclusas no valor das parcelas: Taxa de Avaliação do Imóvel, Tarifa de Análise de Documentos, Tarifa de Administração e Cobrança, Imposto sobre Operações Financeiras, Taxa de Abertura e Renovação de Crédito, Tarifa de manutenção de limite de crédito, Tarifa de Abertura de Crédito. Só que cada banco cobra menos ou mais tarifas, dependendo do produto. A média deste ano das taxas de juros mensais pós-fixadas analisadas foram: CDI – 0,94%, TR – 0,12% e TJLP – 0,53%.

63

Após verificação destes dados, observa-se nas modalidades comparadas que a Unicred Criciúma possui a média das taxas de juros mais baratas e, a CEF possui as mais caras. E, ao comparar a média dos prazos, a Unicred Criciúma também se destaca com os prazos mais longos, junto com o BB. Nota-se que a Unicred Criciúma não possui em nenhuma das modalidades taxa de juros caras e prazos de pagamento curtos. Além disso, possui a vantagem de não cobrar tarifas em nenhum de seus produtos. 5.3 Tipos e Características dos Empréstimos e Financiamentos O quadro a seguir mostra os tipos dos empréstimos e financiamentos oferecidos pela cooperativa aos cooperados PF e PJ dentre os anos de 2003 a 2006.

TIPOS DE 2003 a 2006

FINALIDADE OU DESCRIÇÃO

GARANTIA

ADIANTAMENTO À PRODUÇÃO - PF/PJ

adiantar a produção recebida da Unimed

aval/produção Unimed

CAPITAL DE GIRO PARA HOSPITAIS E CLÍNICAS - PJ

capital de giro para empresas

aval

CARTÃO VISA - PF/PJ

aumentar limite do cartão

aval

CRÉDITO AO APLICADOR - PF/PJ

para aplicadores

hipoteca/aplicação

CRÉDITO EMPREENDEDOR - PF/PJ

abrir um negócio

aval/alienação/produção Unimed

CRÉDITO ESPECIAL/ TRIBUTOS - PF/PJ

aniversário, impostos

aval

CRÉDITO PESSOAL - PF

pessoal, cartão de crédito

aval/alienação

CRÉDITO ROTATIVO - PF/PJ

rotativo para quando precisar

aval/alienação/hipoteca/penhor

CRÉDITO ROTATIVO PARA APLICADOR PF/PJ

rotativo para aplicador

aval/penhor/aplicação

DESCONTO DE CHEQUES - PF/PJ

desconto rotativo de cheques

aval/cheque

DESCONTO ROTATIVO DUPLICATAS UNIMED - PJ

pagar duplicatas da Unimed

aval

EQUIPAMENTO DE USO PROFISSIONAL PF/PJ

equipamentos profissionais

aval/alienação

EQUIPAMENTO ELETRO ELETRÔNICO PF/PJ

equipamentos domésticos

aval/alienação

ESPECIALIZAÇÕES - PF

estudos especializados

aval/alienação

FILIAÇÃO UNIMED - PF

capital da Unimed financiado

aval/alienação

FINANCIAMENTO DE BENS DURÁVEIS PF/PJ

veículo/equipamento eletrônico e profissional

aval/alienação fiduciária/penhor

FINANCIAMENTO DE IMÓVEL - PF/PJ

imóvel

aval/alienação/hipoteca

FINANCIAMENTO DE SERVIÇOS - PF

saúde médica e odontológica, estudos gerais, estética

aval/alienação

FINANCIAMENTO VEÍCULO E MOTOS PF/PJ

veículo e moto

aval/alienação

64

FINANCIAMENTO VIAGEM E FÉRIAS - PF

viagem e férias

aval/alienação

HOT MONEY - PJ

adiantar a renda

aval

IMÓVEL/REFORMA/CONSTRUÇÃO COM agendar o valor destinado a imóvel, reforma AGENDAMENTO - PF/PJ e construção quando quiser

aval/alienação

KIT GÁS - PF

kit gás

aval

NATAL - PF/PJ

despesas com natal

aval/penhor

PARCELADO EMPRESARIAL - PJ

capital de giro para empresas

aval/alienação/aplicação/produção Unimed

REFINANCIAMENTO DE VEÍCULO - PF/PJ

refinanciar veículo

aval/alienação

REFORMA E CONSTRUÇÃO - PF/PJ

financiar a reforma ou construção

aval/alienação

RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDA - PF/PJ

renegociar dívidas

aval/alienação

RENOVAÇÃO DE SEGURO - PF

renovar seguros

aval

SAÚDE MÉDICA/ODONTOLÓGICA/ESTÉTICA - PF

intervenções cirúrgicas e outros procedimentos

aval

Quadro 8 – Tipos e características dos empréstimos e financiamentos da Unicred Criciúma (outubro de 2007). Fonte: Unicred Criciúma; adaptada pela autora.

Ao apresentar o quadro acima, observa-se que os tipos de empréstimos e financiamentos são variados, fazendo com que os cooperados possam escolher o crédito ou financiamento correspondente às suas necessidades. As garantias são necessárias em cada linha de crédito ou financiamento, porém são discutidas pelo comitê de crédito e analisadas conforme a situação, podendo ser cobradas em maior e menor quantidade ou até mesmo nem cobradas. 5.4 Quantidade de Contratos Realizados O quadro abaixo mostra o comparativo da quantidade de contratos realizados pelos cooperados, separados por linha de crédito e financiamento entre os anos de 2003 e 2006.

TIPO ADIANTAMENTO À PRODUÇÃO - PF/PJ

2003

2004

2005

2006

30

19

5

19

75

95

CAPITAL DE GIRO PARA HOSPITAIS E CLÍNICAS - PJ

7

CARTÃO VISA - PF/PJ

33

9

CRÉDITO AO APLICADOR - PF/PJ

28

53

CRÉDITO EMPREENDEDOR - PF/PJ

11

CRÉDITO ESPECIAL/ TRIBUTOS - PF/PJ

93

129

138

127

CRÉDITO PESSOAL - PF

69

71

96

142

CRÉDITO ROTATIVO - PF/PJ

27

17

43

30

CRÉDITO ROTATIVO PARA APLICADOR - PF/PJ

6

8

12

7

1275

1524

2023

2826

DESCONTO DE CHEQUES - PF/PJ

65 DESCONTO ROTATIVO DUPLICATAS UNIMED - PJ

6

20

16

EQUIPAMENTO DE USO PROFISSIONAL - PF/PJ

15

33

46

26

EQUIPAMENTO ELETRO ELETRÔNICO - PF/PJ

8

10

4

27

2

13

19

1

1

27

18

2

ESPECIALIZAÇÕES - PF FILIAÇÃO UNIMED - PF FINANCIAMENTO DE BENS DURÁVEIS - PF/PJ FINANCIAMENTO DE IMÓVEL - PF/PJ

7

FINANCIAMENTO DE SERVIÇOS - PF

15

27

46

22

12

2

84

119

FINANCIAMENTO VEÍCULO E MOTOS - PF/PJ

54

64

FINANCIAMENTO VIAGEM E FÉRIAS - PF

16

1

HOT MONEY - PJ

7

9

IMÓVEL/REFORMA/CONSTRUÇÃO COM AGENDAMENTO - PF/PJ KIT GÁS - PF

5 1

1

3 2

NATAL - PF/PJ PARCELADO EMPRESARIAL - PJ

110

113

121

130

2

7

10

18

REFINANCIAMENTO DE VEÍCULO - PF/PJ

29

REFORMA E CONSTRUÇÃO - PF/PJ

64

70

82

64

RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDA - PF/PJ

9

5

3

9

RENOVAÇÃO DE SEGURO - PF

1

SAÚDE MÉDICA/ODONTOLÓGICA/ESTÉTICA - PF

5

1

2

Quadro 9 – Quantidade de contratos por linha de crédito e financiamento da Unicred Criciúma (outubro de 2007). Fonte: Unicred Criciúma; adaptada pela autora.

Por ele, pode-se notar que os tipos de empréstimos e financiamentos foram aumentando e diminuindo, ou seja, em alguns anos, observa-se o acréscimo de novas linhas de crédito e financiamento e, em outros o cancelamento ou desuso de algumas. Em 2003 foram utilizados 22 tipos de empréstimos e financiamentos, em 2004, 23 tipos, em 2005, 22 tipos e, em 2006, 25 tipos. Na medida em que o tempo passa, os cooperados mudam de opinião, preferem inserir outras linhas ou não acham mais necessárias algumas. Nota-se também que a quantidade de contratos realizados foi aumentando durante o passar do tempo e que, entre as linhas de crédito e financiamento analisadas, a mais procurada pelos cooperados é a de Desconto de Cheques, por ser um crédito de fácil acesso devido a garantia (cheque/aval) e, por formar capital de giro imediato. O cooperado troca o cheque arrecadado por uma quantia liberada em conta corrente, ou seja, recebe na hora o que ele vendeu a prazo. O Crédito Especial/Tributos fica em segundo e o Crédito de Natal em terceiro, por possuírem taxas de juros baixas, conforme quadro 9, e, pela facilidade

66

da garantia, que dependendo do caso, nem é solicitada. 5.5 Taxas de Juros Mais Utilizadas Abaixo, é possível verificar as médias das taxas de juros mais utilizadas nos empréstimos e financiamentos no período de 2003 a 2006, separadas por produto.

TIPO

TAXA

2003

2004

2005

2006

3,50%

3,50%

3,50%

0,40%

0,40%

ADIANTAMENTO À PRODUÇÃO - PF/PJ

PRE

4,00%

CAPITAL DE GIRO PARA HOSPITAIS E CLÍNICAS - PJ

PRE

4,00%

CARTÃO VISA - PF/PJ

POS

0,50%

0,50%

CRÉDITO AO APLICADOR - PF/PJ

POS

0,30%

0,40%

CRÉDITO EMPREENDEDOR - PF/PJ

POS

1,00%

CRÉDITO ESPECIAL/ TRIBUTOS - PF/PJ

POS

0,30%

0,50%

0,60%

0,60%

CRÉDITO PESSOAL - PF

POS

2,50%

2,20%

2,20%

1,50%

CRÉDITO ROTATIVO - PF/PJ

PRE

4,00%

3,50%

3,50%

3,50%

CRÉDITO ROTATIVO PARA APLICADOR - PF/PJ

PRE

2,50%

2,50%

2,50%

2,50%

DESCONTO DE CHEQUES - PF/PJ

PRE

4,00%

3,70%

2,50%

2,50%

1,80%

1,80%

1,80%

0,80%

0,80%

0,80%

DESCONTO ROTATIVO DUPLICATAS UNIMED - PJ

PRE

EQUIPAMENTO DE USO PROFISSIONAL - PF/PJ

POS

1,00%

EQUIPAMENTO ELETRO ELETRÔNICO - PF/PJ

POS

1,00%

ESPECIALIZAÇÕES - PF

POS

FILIAÇÃO UNIMED - PF

POS

FINANCIAMENTO DE BENS DURÁVEIS - PF/PJ

POS

FINANCIAMENTO DE IMÓVEL - PF/PJ

POS

FINANCIAMENTO DE SERVIÇOS - PF

POS

FINANCIAMENTO VEÍCULO E MOTOS - PF/PJ

POS

FINANCIAMENTO VIAGEM E FÉRIAS - PF

POS

0,50%

1,00%

HOT MONEY - PJ

PRE

4,00%

3,50%

1,00% 1,00%

1,00%

1,00%

0,80%

1,00%

1,00%

1,00%

0,80%

0,80%

1,80%

1,80%

0,80%

1,00%

1,00%

0,80%

1,80%

1,80%

1,80%

0,80%

0,80%

0,50%

3,50%

3,50%

IMÓVEL/REFORMA/CONSTRUÇÃO COM AGENDAMENTO - PF/PJ POS KIT GÁS - PF

0,50% 0,50%

POS

0,30%

NATAL - PF/PJ

PRE

1,80%

0,60%

1,99%

1,80%

PARCELADO EMPRESARIAL - PJ

POS

1,80%

2,20%

2,20%

1,50%

REFINANCIAMENTO DE VEÍCULO - PF/PJ

POS

0,50%

REFORMA E CONSTRUÇÃO - PF/PJ

POS

1,00%

1,00%

1,00%

0,50%

RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDA - PF/PJ

POS

2,50%

2,20%

2,20%

2,00%

RENOVAÇÃO DE SEGURO - PF

POS

1,00%

SAÚDE MÉDICA/ODONTOLÓGICA/ESTÉTICA - PF

POS

0,50%

0,50%

0,60%

Quadro 10 – Taxas de juros mais utilizadas na Unicred Criciúma (outubro de 2007). Fonte: Unicred Criciúma; adaptada pela autora.

Pelas médias das taxas, nota-se que o último ano obteve a menor média (1,42%), sendo que foi o ano em que havia mais linhas de crédito e financiamento.

67

De 2003 para 2006 das 30 linhas analisadas, apenas 3 aumentaram, 12 permaneceram iguais e a maioria reduziu (15) a taxa de juros. Isso mostra o comprometimento da cooperativa em buscar sempre a melhor taxa para que o cooperado possa usufruir um crédito ou financiamento sem abusos. 5.6 Prazos Máximos dos Produtos O próximo quadro mostra os prazos máximos de empréstimos e financiamentos oferecidos aos cooperados pela cooperativa nos anos de 2003 a 2006, separados por produto.

TAXA

2003

2004

2005

2006

ADIANTAMENTO À PRODUÇÃO - PF/PJ

TIPO

PRE

1

1

1

1

CAPITAL DE GIRO PARA HOSPITAIS E CLÍNICAS - PJ

PRE

2

CARTÃO VISA - PF/PJ

POS

1

10

CRÉDITO AO APLICADOR - PF/PJ

POS

24

24

24

48

CRÉDITO EMPREENDEDOR - PF/PJ

POS

CRÉDITO ESPECIAL/ TRIBUTOS - PF/PJ

POS

6

10

10

12

48

CRÉDITO PESSOAL - PF

POS

24

24

36

36

CRÉDITO ROTATIVO - PF/PJ

PRE

6

6

6

6

CRÉDITO ROTATIVO PARA APLICADOR - PF/PJ

PRE

6

6

6

6

DESCONTO DE CHEQUES - PF/PJ

PRE

6

6

6

6

DESCONTO ROTATIVO DUPLICATAS UNIMED - PJ

PRE

6

6

6

EQUIPAMENTO DE USO PROFISSIONAL - PF/PJ

POS

36

12

36

48

EQUIPAMENTO ELETRO ELETRÔNICO - PF/PJ

POS

36

12

36

36

ESPECIALIZAÇÕES – PF

POS

48

48

48

FILIAÇÃO UNIMED – PF

POS

36

36

FINANCIAMENTO DE BENS DURÁVEIS - PF/PJ

POS

FINANCIAMENTO DE IMÓVEL - PF/PJ

POS

FINANCIAMENTO DE SERVIÇOS – PF

POS

FINANCIAMENTO VEÍCULO E MOTOS - PF/PJ

POS

FINANCIAMENTO VIAGEM E FÉRIAS - PF

60

60

60

84

10

10

10

36

36

48

60

POS

10

10

HOT MONEY – PJ

PRE

1

1

IMÓVEL/REFORMA/CONSTRUÇÃO COM AGENDAMENTO - PF/PJ

POS

KIT GÁS - PF

POS

12

NATAL - PF/PJ

PRE

10

PARCELADO EMPRESARIAL - PJ

POS

12

REFINANCIAMENTO DE VEÍCULO - PF/PJ

POS

36 1

2

60

60

10

12

10

12

12

36 48

REFORMA E CONSTRUÇÃO - PF/PJ

POS

60

60

60

60

RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDA - PF/PJ

POS

36

36

36

60

RENOVAÇÃO DE SEGURO - PF

POS

12

SAÚDE MÉDICA/ODONTOLÓGICA/ESTÉTICA - PF

POS

10

10

Quadro 11 – Prazos máximos dos produtos da Unicred Criciúma (outubro de 2007).

24

68 Fonte: Unicred Criciúma; adaptada pela autora.

Dos prazos máximos analisados acima, observa-se que houve uma pequena redução na média dos mesmos no ano de 2004, se comparado ao ano de 2003. Porém, nos anos subseqüentes, houve um ótimo crescimento, com destaque para o ano de 2006, que alcançou a média de 33 meses. Dos empréstimos e financiamentos acima, os que obtêm maior prazo são os de Imóvel, Reforma e Construção. Os cooperados necessitam de prazos maiores para a realização e concretização deste objetivo, já que para conseguir quitar este tipo de aquisição geralmente é cobrado um valor muito alto. 5.7 Créditos e Financiamentos Liberados para Cooperados e Dependentes A seguir é possível observar nos gráficos 10 e 11 a quantidade de créditos e financiamentos liberados pela Unicred Criciúma entre os anos de 2003 a 2006 para cooperados PF e seus dependentes (pais, cônjuge ou companheiro, viúvo, filho e dependente legal e pensionista).

Créditos e Financiamentos liberados para Cooperados 2003

2004

2005

2006

3000

2667

2500 2000 1500

1499

1764

2093

1000 500 0

Gráfico 10 – Créditos e financiamentos liberados para cooperados da Unicred Criciúma (dezembro de 2006). Fonte: Unicred Criciúma; adaptado pela autora.

Neste gráfico, observa-se o crescimento acelerado ano após ano da liberação para cooperados. Destaca-se o ano de 2006 com um crescimento de mais de 570 liberações realizadas.

69

Créditos e Financiamentos liberados para Dependentes 2003

2004

2005

2006 545

600 500

414

400 300

271 207

200 100 0

Gráfico 11 – Créditos e financiamentos liberados para dependentes dos cooperados da Unicred Criciúma (dezembro de 2006). Fonte: Unicred Criciúma; adaptado pela autora.

O mesmo crescimento acontece, só que com menor intensidade, nas liberações para os dependentes de cooperados. Destaca-se o ano de 2005 que obteve um crescimento de mais de 140 liberações de crédito e financiamento. Depois de apresentar e analisar todos os dados deste trabalho percebese que o cooperativismo com seus valores e princípios é uma forma de associação de pessoas que se reúnem para atender às necessidades comuns, promovendo o desenvolvimento social através de uma atividade econômica. No cooperativismo o capital humano é mais importante do que o capital financeiro. Mesmo dividido em ramos de atividades, ele não deixa de promover o desenvolvimento econômico e social. No ramo das cooperativas de crédito, além da prestação de serviços financeiros de natureza social, econômica e educativa, a cooperativa deve ser exemplo de associação para acesso ao crédito e financiamento mútuo, sem distinção de profissão ou classe. Neste ramo, a prática da economia solidária não pode ser esquecida e muito menos apagada. A economia solidária se fundamenta na cultura da cooperação e solidariedade e, é organizada a partir do trabalho em luta contra o capitalismo. Ela não pode ser apenas uma resposta às contradições do capitalismo, pois no campo econômico seu crescimento poderá se desacelerar no futuro e ela não passará de

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uma forma complementar da economia capitalista, cuja existência poderá ser somente para preservar fatores de produção. No caso da Unicred Criciúma percebe-se que ela possui características cooperativistas, mas também capitalistas. Ela traz produtos e serviços muito parecidos com os bancários, entretanto ainda não perdeu todas as características cooperativistas. Sua administração até tenta praticar a autogestão, porém a lei do menor esforço concentra o poder de decisão nos gestores e a empresa escorrega sem perceber para uma prática de heterogestão. Ainda é insuficiente a formação democrática de seus sócios. Mesmo com cursos e treinamentos sendo oferecidos aos sócios, viu-se que existem poucos destes sendo realizados e que, quando realizados, não são discutidos os assuntos: cooperativismo e democracia. Apenas é comentado sobre o básico de cooperação na entrada do sócio na cooperativa, mas não é mantida a educação. Os sócios, apesar de serem donos da cooperativa, geralmente não atuam como proprietários, não participam da gestão, deixando que os demais decidam por eles. Como acontece em empresas capitalistas. Outra questão que poderia ser mais explorada é a responsabilidade social, que é realizada com campanhas, às vezes, movimentadas mais pelos próprios funcionários, o que mostra mais uma vez a falta de solidariedade e educação cooperativista dos sócios. Por querer ampliar a cooperativa e trazer novos associados para a geração de mais negociação e renda, a captação dos associados é feita através de uma cadeia de cooperação, onde não só os profissionais das áreas estabelecidas pelo Estatuto podem se associar, como também pais, cônjuges, filhos, etc, deixando claro que a busca pela melhor qualidade de vida através do trabalho e profissionalismo não é regra geral para a cooperativa. Além disso, ela deixa de ser exemplo de associação para acesso ao crédito e financiamento mútuo. Analisando o quadro 2, com os números de profissionais de algumas categorias das áreas de ação da cooperativa, pode-se observar que dos 3.522 profissionais cadastrados nos Conselhos estudados, a cooperativa somente cooperou 928 profissionais. Ou seja, uma diferença de 2.594 profissionais que poderiam associar-se. Isso que, na análise dos Conselhos, foram estudadas apenas 7 das 17 categorias que a cooperativa abrange e, das 7 categorias, 3 possuem

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somente o número de pessoas físicas. Além disso, o número total de cooperados da Unicred Criciúma é composto de pessoas físicas e jurídicas. Isso quer dizer que possuem muito mais profissionais para serem explorados pela cooperativa. Ao invés de buscar mais associados através da cadeia de cooperação, a cooperativa deveria se preocupar mais em buscar novos cooperados que realmente exerçam as profissões estabelecidas em seu Estatuto. Observou-se que na Unicred Criciúma as pessoas que têm interesse em se associar passam por uma análise de documentação e de situação financeira. Isto já acontecia nas primeiras cooperativas de crédito, onde os empréstimos realizados destinavam-se a financiar investimento produtivo e também eram oferecidos às pessoas sóbrias, de hábitos regulares e frugais. Porém, naquela época a garantia era o caráter dos membros e todos da cooperativa penhoravam juntos seus bens e, hoje, na cooperativa, as garantias são como as de qualquer outra instituição financeira, entretanto com a possibilidade de negociação. E, a dívida é individual e também renegociável. O que também deveria ser diferente é que, como cooperativa ela deveria integrar todos os membros da sociedade desejosos e necessitados de trabalhar, independente de sua situação econômica. Poderia ser na íntegra o que em seus primórdios foi concebida para ser: uma alternativa superior ao capitalismo. Por proporcionar às pessoas que a adotam, enquanto produtoras, poupadoras, consumidoras etc., uma vida melhor. Não apenas no sentido que possam consumir mais com menor esforço produtivo, mas também melhor no relacionamento com familiares, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, colegas de estudo etc.; no direito à autonomia na atividade produtiva, de participar plenamente das decisões que o afetam; e, em especial, na segurança de cada um saber que sua comunidade jamais o deixará desamparado ou abandonado. Mesmo existindo muita similaridade com os demais tipos de produtos e serviços,

quando

comparada

com

algumas

instituições

financeiras

não

cooperativistas percebe-se que a cooperativa ainda possui alguns benefícios diferenciados, como: nas tarifas de seus serviços, no seu atendimento personalizado e na participação dos sócios nos resultados no final de cada exercício. Nas demais instituições financeiras tudo é destinado ao lucro que elas visam, enquanto que na Unicred Criciúma, quando o resultado apurado no final do ano apresenta sobras, tudo é devolvido aos seus cooperados.

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Nos empréstimos e financiamentos, a cooperativa cresce ano após ano, oferecendo linhas de crédito para todo o tipo de necessidade, não só destinadas à geração de renda e às pessoas que podem gerar renda, como sugere o raciocínio cooperativista. Mesmo se destacando em termos de taxas e prazos, tudo está muito parecido com os dos outros bancos, com as taxas e prazos cada vez mais empatados e com a competição cada vez mais acirrada. Percebe-se com nitidez que a linha de crédito e financiamento mais utilizada pelos associados da cooperativa é a de Desconto de Cheques. Mostrando mais uma vez, que o cooperado foge da burocracia e da garantia dificultada, mesmo sendo menor na cooperativa do que em outras instituições financeiras. Uma característica positiva desta linha é sua liberação rápida, que é realizada, quando não supera a alçada de R$ 5.000,00, no momento da solicitação. E, mesmo superando este valor, não demora mais que 2 dias para ser liberada. Com isto, há que se destacar que, mesmo com algumas características não cooperativistas, a Unicred Criciúma vem crescendo cada vez mais. Porém, vem acompanhando o mercado financeiro, o que é muito perigoso, pois com pouco diferencial, acaba se transformando em mais uma empresa capitalista, deixando de praticar a economia solidária e entrando na briga do mercado financeiro.

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6 CONCLUSÃO

Analisando

a

pesquisa

realizada

dos

dados

coletados

sobre

cooperativismo, cooperativas de crédito, crédito solidário, instituições financeiras e a cooperativa Unicred Criciúma, pode-se definir algumas conclusões. Constatou-se que as instituições financeiras capitalistas e as cooperativas de crédito possuem características muito parecidas, principalmente em seus produtos

e

serviços

financeiros.

Porém existe

uma

grande

diferença: o

cooperativismo é regido pela economia solidária, pelos princípios cooperativistas, onde o trabalho está acima de tudo e é instrumento de geração de riquezas e melhor qualidade de vida. Já as instituições financeiras se enquadram dentro da economia capitalista onde somente o capital é quem dita as regras. Para que as cooperativas de crédito se diferenciem dos bancos convencionais e cumpram a função e os objetivos para os quais foram criadas, elas devem atuar como agentes do desenvolvimento local e seus empréstimos devem ser feitos com base na análise das condições de crédito, do projeto técnico apresentado e das reais condições de pagamento do cooperado. A cooperativa analisada até pratica os princípios cooperativistas, só que moderadamente e insuficiente. Segue a doutrina cooperativista, buscando resultado econômico e desenvolvimento social, porém possui algumas características que não condizem com o verdadeiro espírito cooperativista. Observou-se também nesta cooperativa que a educação cooperativista não está sendo realizada de maneira adequada, com o intuito de educar seus cooperados para que eles compreendam o que é o verdadeiro cooperativismo. Muitos deles buscam na cooperativa apenas o diferencial de tarifas de serviços, taxas e prazos de crédito e financiamento, comparando-na com qualquer outra instituição financeira. Os mesmos devem entender que eles são os donos da cooperativa e que se a utilizarem mais, estarão movimentando recursos para que cheguem aonde desejam, com melhor qualidade de vida. E, mesmo que ela não esteja conseguindo promover a elevação dos padrões de vida nas sociedades que a adotaram, é preciso compreender que a ajuda mútua é essencial à sobrevivência da cooperativa.

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As empresas solidárias devem crer na capacidade de seus trabalhadores para gerirem-na com eficiência. E, ao mesmo tempo, quem se associa a ela não deve fazer um contrato de trabalho, e sim entrar numa união em que seu destino individual se funde com os de seus companheiros. Por isso, o processo de aprendizado coletivo. A solidariedade na economia só pode se realizar se ela for organizada igualitariamente pelos que se associam para produzir, comerciar, consumir ou poupar. Percebeu-se, na questão do crédito, que é crucial para o desenvolvimento da economia solidária, que a cooperativa analisada libera empréstimos e financiamentos com o diferencial de taxas menores e prazos maiores que as demais instituições financeiras. Porém, seus produtos, garantias, taxas e prazos estão muito parecidos com os das instituições financeiras pesquisadas. O que mostra que o cooperativismo existe, mas que pode deixar de existir se continuar oferecendo os mesmos serviços de uma instituição capitalista. As cooperativas de crédito devem buscar facilitar o acesso ao crédito a fim de elevar a renda familiar de seus associados, garantindo sua permanência no respectivo ramo de atividade. Sem muitas exigências para liberação, já que promovem o trabalho como forma de crescimento econômico. Em fim, concluiu-se ao analisar a cooperativa de crédito pesquisada que o cooperativismo de crédito está muito similar às instituições financeiras capitalistas, deixando até de praticar alguns conceitos cooperativistas. Seu principal diferencial é o atendimento de confiança, credibilidade e rapidez. Porém, as demais instituições financeiras já se atentaram para isto e estão se adequando para conseguir oferecer aos clientes mais este benefício. Se a economia solidária for apenas uma resposta às contradições do capitalismo no campo econômico, seu crescimento poderá se desacelerar no futuro e, pior, ela não passará de uma forma complementar da economia capitalista, cuja existência será funcional para preservar fatores de produção que, se ficarem sem utilização, estarão sujeitos a se deteriorar. A economia solidária pode ser mais do que mera resposta à incapacidade do capitalismo de integrar em sua economia todos os membros da sociedade desejosos e necessitados de trabalhar. Ela pode ser o que em seus primórdios foi concebida para ser: uma alternativa superior ao capitalismo. Por proporcionar às pessoas que a adotam, enquanto produtoras, poupadoras, consumidoras etc., uma

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vida melhor. Não apenas no sentido que possam consumir mais com menor dispêndio de esforço produtivo, mas também melhor no relacionamento com familiares, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, colegas de estudo etc.; na liberdade de cada um escolher o trabalho que lhe dá satisfação; no direito à autonomia na atividade produtiva, de não ter de se submeter a ordens alheias, de participar plenamente das decisões que o afetam; na segurança de cada um saber que sua comunidade jamais o deixará desamparado ou abandonado. Nos dias de hoje, com a acirrada disputa capitalista, fica difícil de resistir à tentação da concorrência, voltando-se apenas para a valorização do trabalho e não do capital. Entretanto, não se pode esquecer que a economia solidária nega a competição do mercado capitalista que lança trabalhador contra trabalhador, empresa contra empresa, em que todos são inimigos de todos e ganha quem for mais forte e mais rico. Além disso, as cooperativas não podem usufruir todos os serviços, produtos e vantagens de uma cooperativa, rebaixando o custo em processos de terceirização, sem que estejam se mantendo fiéis ao espírito dos Pioneiros de Rochdale. O cooperativismo não pode ser esquecido como forma de concepção de que é possível criar uma nova sociedade e um novo ser humano a partir de um meio social em que a união das forças e a solidariedade atuam como caminho norteador para o bem estar comum.

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