Se o Brasil retomar o crescimento, o Médio Paraíba (RJ) vai ser a grande região de expansão, para desespero dos paulistas

December 15, 2019 | Author: Márcia Álvaro Pedroso | Category: N/A
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PRIMEIRO CADERNO - 02/01/2010

NEGÓCIOS & cia Flávia Oliveira ‘Não vejo razão para otimismo’ “Se o Brasil retomar o crescimento, o Médio Paraíba (RJ) vai ser a grande região de expansão, para desespero dos paulistas” Ex-presidente do BNDES e ex-reitor da UFRJ, Carlos Lessa não compartilha do entusiasmo geral com a economia brasileira. Por isso, já desistiu de publicar o livro que escreveu sobre a crise. O raciocínio rápido e as frases de efeito se voltam contra o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. É a ele, não ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que Lessa atribui a política econômica de “péssima qualidade”, com câmbio valorizado e juro alto. Eficiente no presente, a combinação mina os fundamentos do país no futuro, diz o economista. A seguir, os principais trechos de mais de duas horas de conversa com o pensador: Como vê o Brasil? CARLOS LESSA: Vivemos uma política econômica de péssima qualidade para o futuro. Há um festival de otimismo, mas não vejo nenhuma razão para ser otimista a longo prazo. Só sou otimista com o povo brasileiro, que é maravilhoso, resiste a tudo. Qual o problema da política econômica? LESSA: A política do Meirelles não está preparando o Brasil para o futuro. Na melhor das hipóteses, segura um pouquinho o curto prazo. Endividar em massa as famílias para segurar a indústria automobilística, de eletrodomésticos e o setor imobiliário só garante o presente. Se não houver retomada do investimento na siderurgia, na indústria de cimento, cerâmicas finas, fiação, o país não terá ampliação de capacidade produtiva. O senhor não vê retomada nos investimentos? LESSA: A taxa de investimentos chegou a 21% do PIB, mas o Brasil precisa de pelo menos 25%. Com o apagões de energia, se eu fosse empresário, estaria com o pé atrás. Se uma economia tem folgas na geração de energia e no sistema de transportes, o empresário tem economias externas e pode tomar a decisão de investir. Se tem bloqueios, é o contrário. E há muitos bloqueios... LESSA: A economia é cheia de pontos de estrangulamento. Nenhum foi removido.

Voltando à política econômica... LESSA: O problema fundamental é que segurar a inflação com taxa de câmbio e juro alto é a pior fórmula possível. Com o câmbio muito valorizado, você barateia o importado e dificulta o que se exporta. O que dá saúde a uma economia é ampliar a agressividade no comércio internacional ou desenvolver poderosamente o mercado interno. O Brasil não faz isso? LESSA: O Brasil está atrofiando as exportações industriais e ampliando as primárias. Voltou a ter pauta basicamente primário-exportadora. Não estamos competitivos com o dólar a R$ 1,70. País competitivo é a China, que não permitiu a valorização do iuan. O senhor escreveu um livro sobre a crise que não será publicado? LESSA: Sim. Fiz um livro rigorosíssimo. Monitorei a crise desde o primeiro momento para ver qual seria a resposta brasileira. Trabalhei muito, mas cheguei à conclusão que, frente a esse discurso de euforia, não faria sentido publicar. Por que o senhor critica o BC, mas não cita a Fazenda? LESSA: A Fazenda é prisioneira do BC. As relações estão invertidas. O Mantega disse outro dia que o dólar ideal para o Brasil é R$ 2,60. Ele parecia um cronista, não o ministro da Fazenda. Essa declaração deveria produzir especulação e uma terrível alta do dólar, o que seria uma irresponsabilidade. Não aconteceu nada. Significa que o ministro é impotente. Como vê a aprovação internacional do Brasil? LESSA: O Brasil é a melhor aplicação financeira de curto prazo que existe. A aprovação internacional é óbvia. E o Rio? LESSA: Se o Brasil retomar o crescimento, coisa que duvido, o Médio Paraíba (área de influência do Porto de Itaguaí e do Arco Metropolitano) vai ser a grande região de expansão. É onde vai explodir a indústria no país, para desespero dos paulistas. Além disso, tem pré-sal. Aprovou o novo marco? LESSA: Acho muito melhor do que o anterior. O que Lula propôs eu assino embaixo. Ele disse que o Brasil não exportará petróleo cru. O bom é exportar produtos, não energia. Disse também que todos os efeitos dinâmicos da economia do petróleo serão virados para o interior da

economia brasileira. Com isso, definiu uma frente de expansão industrial. Se sou empresário, vou querer implantar estaleiros, equipamentos, serviços para o setor. Por fim, o excesso de lucratividade será reservado para programas de educação, saúde e segurança. Concordo com tudo. Alguma crítica? LESSA: O problema é que o presidente da Petrobras (José Sergio Gabrieli) foi à China, pegou US$ 10 bilhões em financiamento e se comprometeu a pagar em óleo cru. Agora, os EUA querem fazer o mesmo negócio. O perigo é o país virar exportador de óleo cru. É essa a maldição. Ótimo Natal Cresceram 12% as vendas do comércio carioca em dezembro, até a véspera de Natal. A prévia foi calculada pelo CDL-Rio após consulta a 500 lojistas. No varejo de móveis e eletroeletrônicos, favorecidos pela redução do IPI, o salto foi de 14%. O CDLRio previa expansão de 10% sobre o Natal 2008. Luxo só O Shopping Leblon fechou 2009 com alta de 22% nas vendas. Na semana anterior ao Natal, o incremento foi de 20%. Joalherias e lojas de calçados femininos tiveram crescimento de 30%. Liquidação Os sete shoppings da Aliansce no Rio, Via Parque, Bangu e Caxias, entre eles, fazem Saldão de Natal de 6 a 10 de janeiro. A ideia é zerar o estoque das lojas, com descontos de até 70%. O fluxo de clientes deve superar em 15% o saldão 2008. Verão A TIM vai circular com a Empada Praiana e o árabe Mustafá no verão de Ipanema. Está exibindo sua marca nos uniformes e no material de trabalho dos vendedores de praia das duas empresas. Beleza pura O Beleza Natural estreia em Salvador (BA) dia 4. Será a 11aunidade da rede de salões no país. Ainda este mês, a cúpula da empresa embarca para programa de capacitação nos EUA. O alvo é a internacionalização. A BRADESCO Capitalização lança 2ª o Pé Quente Torcida 2010. É a primeira ação voltada à Copa do Mundo. O título, de R$ 2.010, tem sorteios trimestrais de R$ 1 milhão, além de prêmios de R$ 50 mil. A BRASILVEÍCULOS assumiu a 5ª posição em seguros de automóveis no país em novembro. Tem

7,3% do mercado. Com um milhão de carros em carteira, elevou em 24,7% o volume de prêmios retidos no ano. Cimento A Brasibloco, em Santa Cruz, investirá R$ 3,5 milhões em novos equipamentos. A fabricante de blocos de concreto quer dobrar a capacidade mensal, a partir de setembro. Hoje, produz 450 mil blocos por turno. O diretor Mauro Martins aposta num boom de construções na cidade por conta de Copa 2014 e Olimpíadas 2016. Remediação A INB inicia este mês a descontaminação da Usina de Interlagos, na capital paulista. A área tem vestígios de minerais pesados, herança da extinta Nuclemon. A estatal prevê que os 54 mil metros quadrados sejam liberados até o início de 2011. Parte do terreno será desapropriada pela prefeitura local para ampliação da rede viária. Verão antecipado Diretamente ligados ao aumento do calor, os picos de consumo de energia começaram mais cedo nesta temporada. Dos seis recordes registrados pela Ampla no ano passado, dois ocorreram antes do início do verão (veja o gráfico). É sinal de que a estação promete. O melhor resultado da história da distribuidora foi obtido em 3 de dezembro, quando o consumo bateu 39.841 MWh. Até 14 de janeiro, 1º pico de 2009, o recorde era de março de 2007: 37.327 MWh. LIVRE MERCADO O CAFÉ del Mar, de Ibiza, abre filial no Rio até o fim do mês. A primeira unidade brasileira, em Búzios, já está em operação. Investimento total de R$ 3 milhões. A FRANCHISE Store completou um ano com cem pontos comerciais negociados e 200 franquias vendidas de 65 redes. Em 2010, planeja 150 pontos e 250 franquias. A CONSTRUTORA Pinheiro Pereira planeja sete lançamentos em 2010, quatro deles em Niterói. Serão 1.300 unidades imobiliárias. COM GLAUCE CAVALCANTI E MARIANA DURÃO E-mail: [email protected]

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