May 1, 2017 | Author: Salvador Andrade Ferrão | Category: N/A
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PREVENÇÃO DE ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL EM PACIENTES PORTADORES DE CARDIOPATIA
Roberta Vasconcellos Menezes Azevedo1 Diene Inês Carvalho Moretão2 Vanderson José Moretão3
ARTIGO
RESUMO O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das maiores causas de morbidade, mortalidade e seqüelas nos países industrializados. Para mudar esta realidade, é importante a atuação na prevenção e controle dos fatores de risco para o AVC. O presente estudo é uma revisão bibliográfica com a finalidade de fazer uma análise temática acerca da atuação do enfermeiro, na prevenção do AVC do paciente portador de cardiopatias. Partiu-se da necessidade de aprimorar e atualizar os conhecimentos quanto à relação entre as patologias cardíacas e a ocorrência de um AVC como conseqüência das mesmas. O estudo permite concluir que a atenção especial a pacientes portadores de cardiopatias, voltada para o auto-cuidado, através de um apoio educativo, pode ser essencial para evitar a ocorrência de AVC. Palavras-chave: cardiopatias, acidente cerebrovascular, Enfermagem INTRODUÇÃO A doença cerebrovascular é uma das doenças mais comuns em países industrializados. A Organização Mundial de Saúde estima que o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocupe terceiro lugar nas estatísticas de mortalidade e o segundo entre as doenças cerebrovasculares (THOM; EPSTEIN, 1994). No Brasil, estima-se que as doenças cardiovasculares estejam entre as principais causas de óbito nos grandes centros urbanos (BHERING, 2002). Além da elevada incidência, deve-se considerar as sérias conseqüências clínicas e sociais que podem resultar de um AVC, como seqüelas de ordem física e emocional, causando dependência em vários níveis, alteração da auto-estima e da auto-imagem, do padrão de socialização, além de comprometer a vida produtiva. Cerca de 40,0% destes pacientes são impedidos de retornar ao trabalho, requerendo algum tipo de auxílio no desempenho de atividades de vida diária. Além dos óbitos, de custos hospitalares e previdenciários, a perda de autonomia entre os adultos e a sua conseqüente dependência é uma outra forma de expressão da gravidade das incapacidades resultantes do AVC (FALCÃO et al., 2004). Mesmo podendo contar com os constantes avanços no diagnóstico e na terapêutica, o AVC ainda apresenta elevados índices de morbi-mortalidade, fornecendo indícios de que a intervenção neste processo deve acontecer em períodos anteriores a este evento. Nos Estados Unidos, estima-se uma incidência anual de 700 mil casos e um grande número de pacientes sobreviventes ao episódio isquêmico permanece com seqüelas (BRODERICK; KOTHARIL, 1998). No Brasil observa-se uma política voltada somente para a cura ou para a atenção à população já acometida pela doença em estado grave ou com seqüelas já instaladas. Entretanto, o AVC pode ser prevenido e a sua abordagem consiste essencialmente na correção dos fatores de risco, no diagnóstico precoce e no tratamento das patologias associadas. Entre elas encontra-se a doença cardíaca, considerada o segundo fator de risco mais importante para o AVC, com freqüência de 41,9% para o AVC isquêmico (LESSA, 1999;
Enfermeira, Mestre em Enfermagem. Docente da Escola de Enfermagem da UFMG. Orientadora do Curso de Especialização em Enfermagem Hospitalar – Terapia Intensiva do Departamento de Enfermagem Básica da EE da UFMG. E-mail:
[email protected] 2 Enfermeira, discente do Curso de Especialização em Enfermagem Hospitalar – Terapia Intensiva do Departamento de Enfermagem Básica da EE da UFMG. E-mail:
[email protected] 3 Enfermeira, discente do Curso de Especialização em Enfermagem Hospitalar – Terapia Intensiva. E-mail:
[email protected] 1
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RADANOVIC, 2000). A fibrilação atrial crônica é a doença cardíaca mais comumente associada ao AVC, representando cerca de 22,0% dos casos (RADANOVIC, 2000). As cardiopatias consideradas importantes na gênese do AVC são: as congênitas, decorrentes dos defeitos estruturais diversos, que se desenvolvem no período fetal; as valvulopatias, que são estreitamentos ou alargamentos de uma ou mais válvulas cardíacas; as doenças coronarianas, que têm por conseqüência diferentes graus de déficit na oxigenação do miocárdio; as hipertensivas, caracterizadas pelo aumento crônico da pressão arterial; entre outras (WYNNE; BRAUNWALD, 2001).
Para que se realize um planejamento de cuidado, compartilhado e eficaz, faz-se necessário haver um relacionamento interpessoal efetivo entre o enfermeiro e o paciente, a fim de reduzir o impacto da internação e, além disso, favorecer uma adaptação mais rápida, evitando complicações (TEIXEIRA; BARBOSA; SILVA, 1994). Os pacientes cardiopatas são, em sua maioria, pessoas idosas que podem apresentar outros agravos, como a hipertensão arterial, o diabetes, os problemas respiratórios e os circulatórios, o que os tornam susceptíveis a outros desvios dos padrões de saúde (BOTREL et al., 2000). Ao orientar o paciente cardiopata, deve-se atentar para o fato de o mesmo ter condições de aprender e promover seu autocuidado e de prevenir e buscar auxílio imediato após a percepção dos desvios dos padrões de saúde. Previne-se, desta forma, o agravamento do seu estado de saúde, caso contrário, deve-se eleger um cuidador para auxiliar na supervisão dos cuidados no domicílio (ZAGO; CASAGRANDE, 1997). Através da prática profissional dos autores em uma unidade de terapia intensiva, observou-se a ocorrência freqüente de pacientes acometidos pelo AVC secundário às cardiopatias. Tal realidade aponta para a necessidade de desenvolver estudos que aprofundem o conhecimento sobre as cardiopatias como fator de risco para o AVC e de caracterizar a assistência do enfermeiro voltada para a educação dos pacientes cardiopatas. Ações assumidas no cuidado destes pacientes poderiam prevenir a ocorrência de complicações neurológicas, já que o ato preventivo é a única maneira não medicamentosa de evitá-la. METODOLOGIA Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica, no qual foram utilizados textos publicados no período de 1990 a 2006, que retrataram temas relacionados à cardiopatia como fator de risco para o AVC e as ações do enfermeiro ao paciente cardiopata, voltadas para a prevenção do AVC. Este estudo foi baseado em informações obtidas em livros e artigos de revistas científicas, indexados nos bancos de dados LILACS e MEDLINE. Foram selecionados 28 textos, através dos descritores cardiopatias, acidente cerebrovascular e enfermagem. Os textos foram escolhidos dentre os encontrados nas bases de dados acima descritas em função de sua aplicabilidade à prática profissional, no que se refere ao entendimento da cardiopatia relacionada com o AVC e com as ações educativas na área de prevenção desta patologia.
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Os pacientes com afecções cardíacas distintas possuem diferentes necessidades e o planejamento de cuidados e orientações a eles destinados devem obedecer a parâmetros individuais. Dessa forma, é papel do enfermeiro estimular o paciente a exteriorizar suas emoções e necessidades, bem como seu modo de vida, de forma a possibilitar uma assistência global, na perspectiva de amenizar o estresse psicológico, fruto do processo de adoecimento e da internação.
RESULTADOS E DISCUSSÃO CARDIOMIOPATIA As cardiomiopatias foram definidas pela Organização Mundial de Saúde em conjunto com a Federação e Sociedade Internacional de Cardiologia como sendo a doença do miocárdio associada com a disfunção cardíaca, podendo ser classificada nas formas dilatada, hipertrófica, restritiva e arritmogênica do ventrículo direito (REPORT..., 1996). A cardiomiopatia dilatada é a doença primária do músculo cardíaco com dilatação e alteração na função contrátil do ventrículo esquerdo (VE) ou de ambos os ventrículos. Ela pode ser idiopática, genética, viral, tóxica ou associada à doença cardiovascular reconhecida (ZAGO; CASAGRANInterseção, Belo Horizonte, v. 1, n. 2, p. 82-90, abr. 2008.
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DE, 1997). É a forma mais freqüente das cardiomiopatias, com uma incidência entre 5 a 10 por 100.000/ano nos Estados Unidos da América (EUA) (COUGHLIN et al., 1990). A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença miocárdica primária, de caráter genético, caracterizada pela hipertrofia ventricular desproporcional, mais freqüente no VE (BOTREL et al. 2000; ZAGO; CASAGRANDE, 1997). Sua incidência nos EUA varia de 0,4 a 2,5/100.000 pacientes/ano e a prevalência de 19,7 a 33 por 100.000 habitantes/ano (BOTREL et al., 2000 e ZAGO; CASAGRANDE, 1997). A cardiomiopatia restritiva é caracterizada pela restrição do enchimento, com volume diastólico reduzido, em um ou em ambos os ventrículos e com espessamento da parede ventricular. Pode ter origem idiopática ou estar associada a outras doenças, como a amiloidose, doença endomiocárdica, sarcoidose, hemacromatose, etc (REPORT..., 1996).
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Por último, a cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito (VD), de caráter familiar consiste na substituição progressiva do miocárdio do VD por tecido fibrogorduroso, inicialmente, restrito a áreas e, posteriormente, podendo se estender ao VE (REPORT..., 1996). Dentre os fatores que interferem na contratilidade cardíaca nas cardiomiopatias, estão a destruição inflamatória do músculo cardíaco; a infiltração do miocárdio por glicogênio, por tumor e outros; a injúria bioquímica, física ou por deficiência metabólica; os efeitos restritivos no relaxamento e no enchimento dos ventrículos; a obstrução da via de saída por hipertrofia muscular; as arritmias (COTRAN; ROBBINS; KUMAR, 1994). Tais fatores podem participar isolados ou associados na determinação do tipo e gravidade da cardiomiopatia. Cabe lembrar que o desenvolvimento e a intensidade da lesão dependem da associação de outros fatores, freqüentemente encontrados em regiões de baixo nível socioeconômico e não diretamente relacionados à doença em si, como a desnutrição, as infecções e as infestações associadas e o trabalho físico intenso (COTRAN; ROBBINS; KUMAR, 1994). As evidências de doenças do miocárdio se apresentam nas seguintes condições: presença de eletrocardiograma e/ou imagens radiográficas anormais sem causa aparente; evidência de aumento do ventrículo esquerdo e, raramente, do direito; presença de terceira e/ou quarta bulha persistente, em adulto sem insuficiência cardíaca; quadro de insuficiência cardíaca em alcoólatras, mulheres antes ou pós-parto e em indivíduos com história familiar de insuficiência cardíaca ou morte súbita. Também podem ser considerados os quadros de cardiopatia com duração prolongada e remissões freqüentes; arritmias de causa inexplicável; história de contato com agentes agressores ao miocárdio, como o físico, o químico ou as drogas; passado de infecções com ou sem quadro de miocardite e possibilidade de contágio; e cardiopatia ou insuficiência cardíaca em indivíduos sabidamente portadores de doença que causa dano ao miocárdio (WYNNE; BRAUNWALD, 2001). ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL Acidente Vascular Cerebral (AVC) designa o comprometimento súbito da função cerebral causado por inúmeras alterações histopatológicas que envolvem um ou vários vasos sangüíneos intracranianos ou extracranianos (MANZERA et al., 1996; PRADO, 1999). É a terceira principal causa de morte entre as patologias clínicas e a mais freqüente causa de morbidade entre as doenças neurológicas após a Doença de Alzheimer (CHARLES et al., 1997). A partir de 1996, o AVC vem se constituindo, na população brasileira, como a principal causa de internações, mortalidade e deficiências, acometendo a faixa etária acima de 50 anos, superando até mesmo as doenças cardíacas e o câncer (BRASIL, 2000). Estima-se que, em hospitais brasileiros, aproximadamente 10,0% das internações no ano de 1996 foram por doenças do aparelho circulatório, sendo responsáveis por 17,2% do total dos gastos hospitalares (BRASIL, 2000).
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O AVC leva, com freqüência, a deficiências motoras, sensoriais, cognitivas e emocionais do indivíduo, com graves repercussões para ele, sua família e a sociedade. As principais incapacidades e dificuldades a serem enfrentadas por um paciente após o AVC dizem respeito à instabilidade da marcha; dificuldade de controle do tronco, de movimentação do membro superior e de fraqueza do membro inferior; espasticidade, dependência nas atividades de vida diária para transferências Interseção, Belo Horizonte, v. 1, n. 2, p. 82-90, abr. 2008.
e mobilidades; problemas no condicionamento cardiovascular; incontinências e retenção urinária e fecal; distúrbios cognitivos, perceptivos e de comportamento; alterações de linguagem, fala e deglutição; depressão; disfunção sexual. Estas condições físicas e psicológicas comprometem o trabalho, o autocuidado, a condução de veículos e o lazer do paciente. São incapacidades que, dependendo do grau de limitação e do cuidado prestado, ao longo do tempo, podem levar a outras complicações como atrofia de desuso, contraturas, úlceras de pressão, trombose venosa, embolia pulmonar e broncoaspiração (GRESHAM et al., 1997).
Vários estudos corroboram a freqüência da depressão em sobreviventes de AVC, principalmente naqueles com distúrbios de comunicação (ROCHA; CUNHA; GIIACOMIN, 1993). Em geral, independente do tipo de seqüela, a lesão cerebral é causa de insatisfação pela perda da autonomia decorrente das incapacidades que a acompanha. Em vista desta realidade, o setor de saúde precisa organizar-se para lidar com essa população incapacitada, como também para implementar ações visando ao controle efetivo dos fatores de risco do AVC. O investimento na prevenção das cardiopatias é fundamental, não só para garantir a qualidade de vida aos indivíduos e aos seus familiares, mas também para se evitar gastos com a hospitalização, que se torna mais onerosa a cada dia, em razão do grande avanço da biotecnologia (BRASIL, 2000). Além dos fatores de risco mais conhecidos, como a hipertensão arterial, a idade, a obesidade, o tabagismo, a hipercolesterolemia, o alcoolismo crônico, o Diabetes mellitus, observam-se fatores relacionados com as disfunções do coração. Segundo estudos recentes, a cardiopatia associada, condiciona o prognóstico do paciente e pode ser responsável por mais de 50,0% dos óbitos. No entanto, a fibrilação atrial (FA) é considerada como a principal causa de AVC cardioembólico (ADAMS et al., 1998; DEFREITAS; BOGOUSSLAVSKY, 2001). Estudo realizado em um centro cardiológico terciário da cidade do Rio de Janeiro, que teve como objetivo avaliar as características clínicas e a evolução intra e extra-hospitalar de uma população predominantemente idosa, atendida com insuficiência cardíaca congestiva em uma unidade de emergência, concluiu que o AVC foi a mais freqüente causa de morte nestes pacientes. O AVC foi considerado também um dos fatores desencadeantes da disfunção grave do ventrículo esquerdo e da rotura cardíaca (STEFANELLI, 1992).
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Em estudo realizado na cidade de Recife no ano de 2000, confirmou-se que a incapacidade motora é uma seqüela bastante freqüente e que as sensoriais, relativas aos problemas visuais foram as mais queixadas, pois reduzem a habilidade para realização das atividades de vida diária, como se vestir, se aprontar e realizar atividades de lazer, tais como ler e assistir à televisão. Em relação à perda auditiva, o maior impacto foi no convívio e nas relações interpessoais. Estas limitações foram responsáveis pela deterioração no estado funcional e na inserção social (FALCÃO et al., 2004).
Em muitos casos de embolia cerebral, o êmbolo consiste em fragmento que se desprende de um trombo dentro do coração, sendo menos freqüentemente sua origem intra-arterial, da extremidade distal de um trombo dentro da luz de uma carótida, de uma artéria vertebral ocluída ou de uma placa ateromatosa que lesou o endotélio ou ulcerou para a luz do seio carotídeo. Êmbolos solitários ou seqüenciais também podem se originar de grandes placas ateromatosas na aorta ascendente (ADAMS et al., 1998). Em geral, o êmbolo tende a confinar a uma bifurcação ou a outro ponto de estreitamento natural da luz, sobrevindo um infarto isquêmico. Qualquer região do cérebro pode ser afetada. O território da artéria cerebral média, em especial sua divisão superior, é mais freqüentemente comprometido, o que reflete o elevado fluxo sangüíneo e a facilidade de acesso a esses vasos (ADAMS et al., 1998). A embolia cerebral é, predominantemente, uma manifestação da cardiopatia e 75,0% dos êmbolos cardiogênicos que se alojam no cérebro. A causa mais comum é a Fribilação Atrial (FA) crônica, com a fonte do êmbolo sendo um trombo mural no apêndice atrial. A embolia também ocorre durante a FA paroxística ou o Flutter Atrial. Os pacientes com FA reumática e aterosclerótica crônica são, respectivamente, 5 a 17 vezes mais propensos ao AVC do que uma população de igual idade com ritmo cardíaco normal (ADAMS et al., 1998). Interseção, Belo Horizonte, v. 1, n. 2, p. 82-90, abr. 2008.
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O trombo mural depositado no endocárdio lesionado sobre uma zona de infarto no átrio ou ventrículo esquerdo, principalmente quando há um saco aneurismático, é um importante foco de êmbolos cerebrais, assim como o trombo associado à estenose mitral grave sem fibrilação atrial. A cateterização ou a cirurgia cardíaca, em especial as valvulopatias, pode disseminar fragmentos de um trombo ou de uma válvula calcificada. As próteses das válvulas mitral ou aórtica associam-se a embolia em 70,0% dos casos (ADAMS et al., 1998). Apesar de grande o número de fontes de êmbolos conhecidas, não se consegue determinar a origem de presumíveis infartos embólicos em aproximadamente 30,0% dos casos. Os êmbolos podem se originar de trombos nas câmaras cardíacas, porém não deixam qualquer coágulo residual ou são indetectáveis até mesmo por métodos mais sofisticados, tais como a ecocardiografia transesofágica e as recentes técnicas de ressonância magnética. As probabilidades apontam a favor de uma fonte no coração esquerdo, para os casos em que a investigação intensiva não consegue descobrir a origem (ADAMS et al., 1998).
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ASSISTÊNCIA DO ENFERMEIRO
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Todo paciente requer um plano de cuidados de acordo com as necessidades apresentadas por ele e sua família, com a finalidade de orientações efetivas, para restabelecer ao máximo seu potencial, de forma a prevenir complicações e ter como perspectiva o máximo retorno às suas atividades anteriormente exercidas. A grande maioria dos pacientes apresenta dúvidas e questionamentos acerca de sua nova situação de vida e deverá ter apoio e ajuda para adaptar-se a ela. Ao desenvolver o conhecimento e compreensão de sua doença, o paciente pode alterar o seu comportamento de saúde, o que possibilita ao enfermeiro atuar como agente facilitador de mudanças de comportamentos nos aspectos de saúde (STEFANELLI, 1992). A educação do paciente é um processo que o auxilia a aprender e a incorporar hábitos saudáveis que passarão a fazer parte da sua vida cotidiana. A atuação do profissional de enfermagem consiste, além de outras ações, na educação em saúde do paciente, de sua família e de outros grupos sociais visando à conservação e à recuperação da saúde, além da aplicação de medidas destinadas à prevenção de doenças (SANTOS, 1996). A promoção da educação dos pacientes cardiopatas, acometidos pelo AVC, visa a evitar a ocorrência de complicações neurológicas e, nestes casos, o enfermeiro monitora, apóia e orienta clientes e familiares para o autocuidado, o que requer dele conhecimento acurado das condições de cada cliente. Na tentativa de reduzir os fatores de risco modificáveis, os pacientes devem ser orientados a realizar mudanças nos hábitos de vida. Esta prevenção baseia-se nas seguintes medidas: • Tratamento da Hipertensão Arterial Sistêmica - seu objetivo primordial é a redução da morbidade e mortalidade cardiovasculares do paciente hipertenso, sendo utilizadas medidas não-farmacológicas e associadas a medicamentos anti-hipertensivos. Os níveis tensionais ideais a serem alcançados são os inferiores à 140/90 mmHg. O tratamento inicia-se com estímulo a atividades físicas e restrição salina na dieta. As medicações anti-hipertensivas a serem utilizadas no tratamento do paciente hipertenso devem permitir não somente a redução dos níveis tensionais, mas também a redução da taxa de eventos mórbidos cardiovasculares fatais e não-fatais. A droga é escolhida em função de diversas características do paciente, entre antagonistas adrenérgicos, bloqueadores de canais de cálcio, inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) e antagonista de receptores da angiotensina ou diuréticos de ação prolongada (III CONSENSO...,1998). A atuação do enfermeiro é importante na orientação da redução do sal na dieta em torno de 6 gramas ao dia, ou seja 1 colher de chá, dicas sobre quais alimentos contém alto teor de sódio, indicação do aumento da ingestão de alimentos que contenham potássio, pois o mesmo é um excelente hipotensor, com ações de proteção contra danos cardiovasculares (III CONSENSO..., 1998). Além disto, o enfermeiro deve incentivar o paciente a manter controle regular da pressão arterial com aferições freqüentes da mesma. • Controle do Diabetes mellitus - o controle estrito dos níveis glicêmicos com dieta e hipoglicemiantes orais ou insulina, apesar de parecer não reduzir significativamente a incidência de AVC, é eficaz na prevenção da aterosclerose e complicações microvasculares da doença, que se constituem em uma das causas do AVC (BHERING, 2002). Este controle, ainda que difícil de alcançar, deve ser almejado, com o auxílio do profissional enfermeiro. Interseção, Belo Horizonte, v. 1, n. 2, p. 82-90, abr. 2008.
• Suspensão do hábito tabágico - Além do risco aumentado para a doença coronariana associada ao tabagismo, indivíduos que fumam mais de uma carteira de cigarros ao dia têm risco 5 vezes maior de morte súbita do que os não-fumantes. Adicionalmente, o tabagismo colabora para o efeito adverso da terapêutica de redução dos lípides séricos e induz resistência ao efeito de drogas anti-hipertensivas (III CONSENSO..., 1998). A suspensão do hábito tabágico reduz e, após alguns anos, pode até eliminar este risco aumentado. Importantes avanços no tratamento do tabagismo têm sido conseguidos, entre eles a terapia cognitiva-comportamental, que associa diferentes formas de administração de nicotina e, em casos selecionados, antidepressivos dopaminérgicos ou tricíclicos, resultando em aumento significativo do percentual de fumantes motivados que conseguem manter a abstinência. Algumas sugestões devem ser dadas ao paciente durante as sessões, de preferência em grupos, tais como: marcar uma data para a suspensão do cigarro e se preparar para ela; tentar conseguir um amigo ou parente que também decida parar de fumar na mesma data; escolher uma pessoa para ajudálo e motivá-lo nesta decisão em casa e no trabalho; retirar todos os cinzeiros e isqueiros da casa e da mesa de trabalho; tentar fazer exercícios respiratórios, caminhadas; beber bastante água e sucos; transformar o dinheiro economizado com a compra de cigarro em prêmios e prazeres e, principalmente, lutar dia a dia, pois cada dia que passa torna a recompensa mais próxima e o processo menos penoso.
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• Controle da dislipidemia e da obesidade - os níveis lipídicos ideais são < 200 mg/dl para colesterol total, < 100 mg/dl para o colesterol LDL (Lipoproteína de baixa intensidade), > 60 mg/dl para o colesterol HDL (Lipoprotepina de alta intensidade) e < 150 mg/dl para os triglicerídeos. Sabe-se hoje que qualquer nível de LDL acima de 70-100 mg/dl é potencialmente aterogênico. A obesidade deve ser controlada, principalmente por sua associação a dislipidemias, diabetes, inatividade física e HAS. Para os princípios dietoterápicos, deve-se tentar obter o auxílio de nutricionista. O perfil lipídico deve ser avaliado a intervalos regulares, a cada dois meses. Na hipercolesterolemia, reduz-se a ingestão de gorduras e colesterol. Na hipertrigliceridemia, reduzem-se os carboidratos simples e bebidas alcoólicas e busca-se alcançar o peso ideal: índice de massa corporal = 18,5 a 24,9 kg/m2 para homens e mulheres. Na hiperlipidemia mista, restringem-se os carboidratos e gorduras, com adequação da ingestão protéica para suprir as calorias necessárias. Em termos gerais, as bases da alimentação são as carnes brancas sem pele (aves e peixes), carne vermelha magra e sem gordura visível, aumento do consumo de frutas, cereais, fibras, vegetais em geral, óleos vegetais, margarina cremosa, leite desnatado e derivados. Deve-se limitar a ingestão de gema de ovo. O acréscimo de ácidos graxos poliinsaturados e óleos vegetais, bem como das fibras solúveis (frutas, legumes, aveia e cevada), favorece a redução do colesterol total e do LDL e elevação dos níveis de HDL. Fibras não-solúveis (trigo, grãos e hortaliças) não reduzem o colesterol, mas são úteis na redução da ingestão calórica. Em casos em que a dietoterapia não alcance os níveis lipídicos desejados, deve-se recorrer a drogas hipolipemiantes, principalmente as estatinas naturais ou sintéticas. Em geral, o alvo terapêutico é uma redução de, pelo menos, 25,0% nos valores de LDL. As estatinas reduzem, de modo muito eficaz, o risco coronariano e o risco de AVC, principalmente em pacientes que sofreram infarto do miocárdio (DEFREITAS; BOGOUSSLAVSKY, 2001; SACCO; BENJAMIN; BRODERICK et al. 1997; NATIONAL…, 2002).
• Álcool e drogas - o consumo pesado de álcool associa-se ao grande aumento na incidência de AVC, provavelmente pelo desenvolvimento de hemoconcentração e hipertensão arterial, assim como o uso de drogas, como a cocaína. Além disto, causa resistência à terapêutica anti-hipertensiva. Para os hipertensos do sexo masculino que fazem uso de bebida alcoólica, é aconselhável que o consumo não ultrapasse 30 ml de etanol/dia, contidos em 60 ml de bebidas destiladas (uísque, vodca, aguardente, etc.), 240 ml de vinho ou 720 ml de cerveja. Em relação às mulheres e indivíduos de baixo peso, a ingestão alcoólica não deve ultrapassar 15 ml de etanol/dia. Aos pacientes que não conseguem se enquadrar nesses limites de consumo, sugere-se o abandono do consumo de bebidas alcoólicas (III CONSENSO, 1998). • Estímulo a atividades físicas - o paciente deve ser estimulado a reduzir o tempo de sedentarismo e ser recomendado a exercer atividade física regular, como caminhadas, andar de bicicleta, nadar ou fazer hidroginástica, dançar, jogar futebol, basquete, vôlei ou qualquer esporte que lhe agrade. A atividade escolhida deve ser realizada no mínimo três vezes por semana, na ausência de contra-indicação por limitação cardiorrespiratória (III CONSENSO..., 1998; NATIONAL..., 2002). Interseção, Belo Horizonte, v. 1, n. 2, p. 82-90, abr. 2008.
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• Deve-se enfatizar a necessidade da abordagem familiar para a assistência adequada à saúde, que é fundamental, pois o ambiente familiar constitui, no conjunto, um fator importante de influência na promoção, na proteção e na recuperação da saúde dos indivíduos (LUCE et al., 1990). Observa-se na prática que os pacientes não recebem estas orientações acima citadas de maneira adequada, não sendo atingido o principal objetivo, que seria a prevenção do AVC por redução dos fatores de risco à doença. CONSIDERAÇÕES FINAIS
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A doença cerebrovascular constitui a primeira causa de morte em adultos no Brasil, além de ser a primeira causa de incapacitação no mundo. A alta incidência e o grande impacto funcional da doença fazem parte de um grande desafio. Os custos crescentes com hospitalização, tratamento e seqüelas vêm consumindo os recursos sociais. Reduzir a incidência dos AVCs por meio da prevenção de seus fatores de risco é um meio eficaz de economizar recursos hoje utilizados no tratamento dos doentes ou perdidos em produtividade. Neste estudo, procurou-se destacar a importância do enfermeiro no controle das afecções do coração, de forma a evitar o surgimento de embolismos cerebrais e conseqüentemente o desenvolvimento do AVC. Os enfermeiros, no papel de educadores em saúde, precisam estar conscientes de que a mudança no estilo de vida dos pacientes portadores de cardiopatias é essencial para manutenção da saúde e melhora da qualidade de vida. Estas mudanças se resumem em controle da hipertensão arterial sistêmica, diabetes e hipercolesterolemia, redução do peso corporal, abandono do tabagismo, abuso do álcool e sedentarismo. O enfermeiro pode ser definido como um profissional que exerce o cuidado do paciente, fundamentado no atendimento às necessidades humanas básicas. A ele se requer a capacidade de tomar decisões precisas, voltadas principalmente para a prevenção e para resolução ou redução dos problemas identificados. Tais ações modificam-se de acordo com as características individuais dos clientes e com os avanços da ciência, que incluem desde as atividades mais simples até aquelas extremamente complexas. A participação do enfermeiro na prevenção dos agravos de saúde tem sido muito limitada, dada a ênfase à ação curativa como foco da profissão. Todavia, as atividades educativas são de fundamental importância para desenvolvimento da consciência do indivíduo em agir para evitar agravos no seu processo de doença. As oportunidades de troca de informações sobre saúde surgem através do contato com o paciente, em qualquer cenário, mas a mesma só ocorrerá se o enfermeiro assumir o compromisso de educar para prevenção. Ressalta-se como aspecto fundamental do cuidado o compartilhamento das decisões entre o profissional, o paciente e a família, para que o planejamento conjunto atinja as metas propostas, ou seja, o desenvolvimento ao máximo das potencialidades do paciente. ACCIDENT PREVENTION OF VASCULAR CEREBRAL IN CARDIOPATHIES PATIENTS ABSTRACT Stroke is one of the main reasons for morbidness, mortality and side effects in industrialized countries. To change this reality, it is important to act on the prevention and control of the risk factors of the stroke. This study is about a bibliographical review with the purpose of a thematic analysis on the action of the nursing staff towards the patient suffering of cardiopathies, on the prevention of the stroke. It started from the need to improve and actualize the knowledge on the relation of cardiac pathologies and the occurrence of a stroke as a consequence. The study indicated that the special attention to patients with heart diseases, focusing on self-care through an educational support can be essential to prevent the occurrence of stroke.
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Key-words: hearth diseases, cerebrovascular accident, Nursing staff Interseção, Belo Horizonte, v. 1, n. 2, p. 82-90, abr. 2008.
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