MENSTRUAÇÃO NA BAHIA: UM ESTUDO EM DOIS TEMPOS DISTINTOS 1

October 3, 2017 | Author: Rubens Bandeira Sacramento | Category: N/A
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Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS

Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Julho 2015

MENSTRUAÇÃO NA BAHIA: UM ESTUDO EM DOIS TEMPOS DISTINTOS1 Leandro Almeida dos Santos (UFBA-FACED/PPGLinC)2 [email protected] Marcela Moura Torres Paim (UFBA) [email protected]

RESUMO: Apresenta-se, neste trabalho, uma análise sincrônica, em duas épocas distintas, das variantes que nomeiam a causa fisiológica no qual as mulheres, em idade fértil, perdem sangue todos os meses. Os corpora deste trabalho são os dados do Atlas Prévio dos Falares Baianos (APFB), 1963, e os dados do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (Projeto ALiB), 2013, dois atlas de grande representatividade para a pesquisa dialetal brasileira, pois o APFB foi o pioneiro do país, ao passo que o segundo, em curso, remonta a um desejo antigo dos dialetólogos brasileiros. Nessa perspectiva, a pesquisa procurou fazer uma leitura da carta 87 do APFB, menstruação, contraponto com os dados coletados in loco, 50 anos após a publicação de um marco fundamental da Dialetologia no Brasil. Selecionaram-se 09 cidades, as quais foram pontos do primeiro atlas regional brasileiro e são pontos coincidentes com o ALiB, a fim de apurar as possíveis variações e mudanças sofridas na língua, embora a análise seja, apenas, de um item lexical, sob a ótica da Sociolinguística e da Dialetologia Pluridimensional. Ainda, para enriquecimento da pesquisa, as variantes foram pesquisadas em dicionários – etimológicos e contemporâneos – objetivando verificar a relação entre dados dialetais e dicionários de língua. Por fim, os dados foram cartografados para possibilitar uma melhor visualização espacial da variação lexical documentada. PALAVRAS-CHAVE: Língua portuguesa; Léxico; Variação; Menstruação.

ABSTRACT: Variants of naming the monthly period in which Women in Reproductive Age, lose blood every month. The corpus of this work is the data from the Atlas Prévio dos Falares Baianos (APFB), 1963 and data from the Atlas Linguístico do Brasil (Alib Project), 2013, two atlases of great representative for the Brazilian dialect research, because APFB was the pioneer of the country, while the second, ongoing, dating back to an old desire of Brazilian dialectologist. From this perspective, the research sought to take a reading of the letter of 87 APFB, menstruation, counterpoint with data collected 50 years after the publication of a key milestone of Dialectology in Brazil. They selected 09 cities, which were points of the first Brazilian regional atlas and are coincident points with Alib in order to investigate the possible variations and changes undergone in the language, although the analysis is only of a lexical item, under the perspective of Sociolinguistics and multidimensional Dialectology. Still for enrichment of the research, the variants were investigated in dictionaries - etymological and contemporary - aiming to verify the relationship between dialect data and dictionaries. Finally, the data were mapped to allow better spatial visualization of the documented lexical variation. KEYWORDS: Portuguese language; Lexicon; Variation; Menstruation.

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Este é um trabalho monográfico desenvolvido com a finalidade de Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, no curso de Bacharelado em Letras Vernáculas, pela Universidade Federal da Bahia, em 2013, primeiro semestre, com orientação da Profª. Drª. Marcela Moura Torres Paim. 2 Professor substituto da UFBA, vinculado ao Departamento de Educação II, FACED/UFBA. Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura da UFBA. Email: [email protected]

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1 Introdução Estudar a língua, antes de tudo, é focar na linha de investigação que orientará os estudos, pois a língua possui várias definições. O conceito de língua é, de certa forma, relativizado, haja vista que as Gramáticas possuem várias conceituações, os dicionários e a Linguística, que, por meio de suas várias perspectivas de abordagens teóricas, dará à língua uma nova roupagem. A língua, vista sob a ótica dos estudos linguísticos, sobretudo da Dialetologia, é um fenômeno heterogêneo, dinâmico, mutável e passível de variações, além de ser um produto social e cultural que veicula ideologias e crenças, de geração a geração, com o passar dos anos. Língua, também, representa a identidade individual e coletiva, ou seja, ela deve ser respeitada e aceita, seja qual for a sua variante falada e também escrita, pois ela é a representação da idiossincrasia de um indivíduo e/ou de grupo. Através da língua é possível reconhecer áreas coesas e divergentes, entre outros aspectos possíveis. Acredita-se que é a partir do léxico que encontramos uma grande variedade regional e sociocultural do português do Brasil, pois o repertório lexical vai se moldando com o tempo, com as características sócio-históricas e político-culturais de uma comunidade. Assim, certos aspectos lexicais são denunciadores das especificidades de um povo. Nessa perspectiva, faz-se necessário conceituar o léxico de uma língua e pode-se dizer que esse nível de análise constitui-se em um conjunto de vocábulos disponíveis para utilização dos utentes de uma dada língua, isto é, um arsenal linguístico para que os falantes utilizem. Desta maneira, esse acervo é constantemente enriquecido, ou seja, possui um caráter dinâmico. Analogicamente, pode-se comparar o léxico de uma determinada língua com um imenso guarda-roupa, onde as palavras/vocábulos seriam as mais variadas peças que se adequarão com a ocasião que convier utilizá-las. Logo, existem peças que são utilizadas constantemente, outras que deixaram de ser usadas (saíram de moda) e, por fim, outras que são incorporadas ao imenso guarda-roupa, ao longo do tempo. Nessa perspectiva,

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conforme Paim (2011, p. 8), “o léxico pode apresentar um papel importante em termos de variação e mudança de uma língua”. Ao discutir o fenômeno da variação linguística, Tarallo (2001) afirma que “em toda comunidade de fala são frequentes as formas linguísticas em variação, e a essas formas em variação dá-se o nome de variantes”. Nesse sentido, para esse estudioso, as “variantes linguísticas” são “as diversas maneiras de se dizer a mesma coisa em um mesmo contexto, e com o mesmo valor de verdade” (TARALLO, 2001, p. 8). Conforme Fiorin (2000), o léxico de uma língua é constituído da totalidade das palavras/vocábulos que ela possui, consideradas a partir do viés das invariantes semânticas, independentemente da função gramatical que exerçam na oração. Além desses fatores, o léxico permite verificar o grau de desenvolvimento social de um povo, pois mostra o conhecimento que ele possui. Enfim, o léxico é o reflexo da vida sócioeconômico-cultural de uma sociedade.

1.1 A história dos estudos dialetais no Brasil Os estudos no campo lexical têm motivado inúmeros pesquisadores na História da Língua Portuguesa, mais especificamente no Brasil. Observa-se, ao fazer uma análise sobre a história da Dialetologia no Brasil, que as obras iniciais tinham um caráter eminentemente lexical. Vale ressaltar, o estudo feito pelo Visconde de Pedra Branca, Domingos de Barros, no qual ele compara do ponto de vista lexical, o português do Brasil com o português de Portugal, apresentando, assim, diferenças significativas de vocábulos da língua na antiga colônia, (CARDOSO, 2010, p.38). À guisa de mais exemplos ilustrativos, observa-se que, nas quatro fases da Dialetologia no Brasil, há obras de cunho lexical, inúmeros dicionários, vocabulários e léxicos regionais, dos quais podem ser citados: i.

O tupi na geografia nacional, obra de Theodoro Sampaio, em 1901; Glossário paraense, obra de Vicente Chermont de Miranda, em 1905; e Dicionários de Brasileirismos, obra de Rodolfo Garcia, em 1912. Tais obras citadas são da primeira fase da Dialetologia.

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ii.

Por conseguinte, o início da segunda fase é marcado pela obra de Amadeu Amaral, O dialeto caipira, em 1920; em seguida, com a publicação do O Linguajar carioca, obra de Antenor Nascentes, em 1922; e, por fim, A língua no Nordeste, obra de Mário Marroquim, em 1934. Vale ressaltar que os trabalhos de cunho monográficos, nesta fase, passam a ampliar o enfoque para além dos campos semântico-lexical, mas também fonético-fonológico e morfossintático.

iii.

A terceira fase tem vários e importantes marcos, dentre os quais, destacam-se: o Decreto nº 30.643, de 20 de março de 1952, que visa a elaboração do atlas linguístico do Brasil; a obra de Antenor Nascentes, Bases para a elaboração do atlas lingüístico do Brasil, obra que foi publicada em dois volumes, o primeiro, em 1958, e o segundo, em 1961; e, por fim, a publicação do Atlas Prévio dos Falares Baianos (APFB) que tem como autor Nelson Rossi e co-autoras Dinah Isensee e Carlota Ferreira, em 1963, primeiro atlas linguístico do país.

iv.

A quarta fase, conforme Mota e Cardoso (2006), inicia-se com a retomada do desejo de elaborar um atlas nacional. Portanto, remonta ao Seminário Nacional Caminhos e Perspectivas para a Geolinguística no Brasil, realizado no Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia, em 1996, por pesquisadores da área advindos de várias regiões do Brasil. Assim, surge o Projeto ALiB.

Vale ressaltar que os estudos lexicais vêm, com o passar dos anos, ganhando notoriedade e ajudando aos estudiosos, no que tange à descrição e ao mapeamento da realidade linguística, em solo brasileiro. Conforme Razky et all

A preocupação com a dimensão lexical teve ainda como objetivo a elaboração de dicionários de língua geral, o que contribuiu para instituição de disciplinas como a lexicologia e a lexicografia. Outro interesse nessa dimensão lexical motivou a elaboração de glossários, dicionários técnico-científicos [...] (RAZKY et all, 2010, p.150)

Tais disciplinas se mantiveram vivas e tiveram mais expansão no final dos anos 90, como atesta a grande publicação de teses e dissertações vinculadas a essas áreas de pesquisa.

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Nesse sentido, todos os atlas regionais publicados, de certa forma, se debruçam sobre o léxico. O estudo do léxico nos atlas brasileiros pode ser analisado, dentre outros aspectos, através das cartas lexicais, presentes nos atlas regionais, nas quais se pode verificar claramente a variação espacial ou social de um determinado item lexical. Como afirmam Razky et all

Os atlas concluídos e publicados, bem como os que ainda estão em fase de elaboração no espaço acadêmico das universidades brasileiras, são projetos de grande amplitude que germinam outras possibilidades de pesquisa sobre o léxico. (RAZKY et all, 2010, p.155)

Não obstante, como não poderia deixar de ser, o Projeto Atlas Linguístico do Brasil, doravante Projeto ALiB, também corrobora esse interesse pelo léxico, seguindo a trilha dos primeiros atlas regionais, com um dos seus questionários, o Questionário Semântico-Lexical (QSL), que apresenta 202 perguntas, a fim de apurar os itens lexicais que são objeto de pesquisa numa rede de pontos de 250 localidades em todo o Brasil. É possível observar que a Geolinguística Pluridimensional vê na utilização do léxico um instrumento que lhe permite estabelecer estratificações diatópicas de acordo com os fatores sociais enfocados. É salutar, nesse sentido, essa afirmação de Scartton e Marquardt

As múltiplas variações observadas no sistema linguístico ocasionadas por fatores vários dão uma ideia multicolorida da língua, realçando seu caráter maleável, diversificado. Tal imagem corresponde a uma realidade evidente e desconhecê-la ou não levá-la em consideração o suficiente, significa ter uma concepção mutilada da língua. (SCARTTON E MARQUARDT, 1981, p. 6)

A importância do estudo da relação entre a língua e os aspectos sociais de uma língua é defendida pela Sociolinguística Variacionista, pois a mesma afirma que

[...] (o) conhecimento intersubjetivo na lingüística tem de ser encontrado na fala – a língua tal como é usada na vida diária por

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membros da ordem social, este veículo de comunicação com que as pessoas discutem com seus cônjuges, brincam com seus amigos e ludibriam seus inimigos.” (LABOV, 2008, p. 12).

Tomando por base o uso da língua como meio de comunicação e interação, considerando-se a realidade de seus falantes, não haveria uma linguística que não se vinculasse, necessariamente, ao social. Nesse sentido, o discurso tem sido representado como um processo de construção social e que, de certo modo, é determinado pelos processos de interação, já que é por meio deles que as pessoas vão construir significados. Partindo deste viés, levando em consideração os estudos da Sociolinguística Interacional que buscam analisar a forma como os utentes da língua focalizam, constroem e manipulam aspectos do contexto, sendo tais atitudes constitutivas das atividades nas quais estes participantes estão inseridos, é salutar o que afirma Bakhtin (1998, p.13): “(...) Na verdade, toda palavra contém duas faces. Isto é determinado pelo fato de que ela procede de alguém assim como pelo fato de que é direcionada a alguém. E o produto da interação entre falante e ouvinte”.

1.2 O encaminhamento da pesquisa Considerando a perspectiva histórica, a visão de língua como algo que representa os utentes e os estudos que focalizaram o léxico, este trabalho discute os resultados de pesquisa realizada a partir de uma análise comparativa entre o Atlas Prévio dos Falares Baianos (1963) e os dados pertencentes ao Projeto ALiB e tem como plano de investigação a análise sincrônica em épocas distintas para os itens lexicais que nomeiam a causa fisiológica do período fertil das mulheres. A escolha desse item se deu por ser uma carta intercomparável entre três atlas brasileiros, a saber: Atlas Prévio dos Falares Baianos (APFB), carta 87; Atlas Lingüístico de Sergipe (ALS ), carta 92; e Atlas Lingüístico da Paraíba (ALP), cartas 94 e 95, de ser uma pergunta pertencente ao Questionário Semântico-Lexical do Projeto ALIB, campo semântico ciclos da vida, questão 121 e faz parte, de certa forma, do

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campo dos tabus linguísticos. No entanto, neste trabalho, focou a análise em duas sincronias, a fim de estabelecer paralelos e comparações entre as nove cidades do interior da Bahia que foram pontos do Atlas Prévio dos Falares Baianos (APFB) e são pontos do Projeto ALiB: Barra, Caetité, Carinhanha, Itaberaba, Jacobina, Jeremoabo, Santa Cruz Cabrália, Santana e Vitória da Conquista. Logo, a pesquisa desenvolvida projeta, mesmo que analisando, apenas, um item lexical, quais são as lexias que denominavam e/ou denominam a causa natural para os dias em que as mulheres perdem sangue todos os meses. A pesquisa se justifica tendo em vista sua importância para a descrição do léxico da língua portuguesa. Os resultados alcançados também possibilitarão evidenciar a leitura de como uma dada comunidade fez de seu contexto e a preservação de parte da memória sócio-histórica e linguístico-cultural da comunidade, também irão permitir o registro e a documentação da diversidade lexical e geolinguística do português falado na Bahia, além da possibilidade de visualização dos dados linguísticos em cartas, a fim de uma melhor distribuição das variantes encontradas. Desse modo, pensando na natureza adquirida pela Língua Portuguesa em solo brasileiro, bem como algumas falas e expressões peculiares de cada indivíduo e/ou grupo social, complementarmente esse trabalho ajudará a vislumbrar como estão sendo vistos os indivíduos, bem como suas identidades, marcadas pelo uso de certos elementos linguísticos, assim contribuindo não somente para estudos na área da Linguística, como também para outras ciências humanas, tais como: Antropologia, História, Sociologia, Psicologia etc. Portanto, está expressa na pesquisa a ideia de que as identidades estão sujeitas a mudanças, isto é, podem ser reposicionadas. Nesse sentido,

A identidade social é formada de uma gama de personae sociais que pode ser invocada ou atribuída ao longo da vida, não sendo, portanto, fixa nem categórica, pois um indivíduo pode evidenciar aspectos diferentes como faixa etária, sexo, profissão, etc., dependendo de com quem se está interagindo e da situação na qual ele se encontra. (HOFFNAGEL, 1999, p. 81)

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Torna-se imprescindível afirmar que a observação e análise de variantes linguísticas no Português Brasileiro, língua materna de milhões de falantes, justifica-se pela necessidade de (i) fornecer aos docentes de língua portuguesa subsídios para atuação mais adequada e apropriada no ensino da língua vernácula em sala de aula, de modo que a diversidade de usos seja mais bem abordada, respeitando-se as idiossincrasias linguísticas de indivíduos e grupos, sobretudo no que tange à estigmatização de camadas específicas e/ou grupos sociais; (ii) descrever a realidade do português brasileiro; (iii) fornecer à comunidade linguística informação com base em dados empíricos e (iv) fornecer subsídios aos estudiosos (linguista, filólogos, etimólogos) e, sobretudo, aos lexicólogos para aprimorarem os dicionários, assim ampliando o campo de informações. Esta pesquisa tem como objetivo fazer uma comparação sincrônica a partir do enfoque nos dados do APFB e o Projeto ALiB, em algumas cidades da Bahia. Para fundamentar as análises, tomaram-se como parâmetros os pressupostos teóricos da Sociolinguística Quantitativa e ou Laboviana, da Geolinguística Pluridimensional e da Sociolinguística Interacional. Esse objetivo geral ganha especificidade através dos seguintes passos: a) De modo a situar a pesquisa, diante do conhecimento da área bem como do estabelecimento do ponto de partida e do encaminhamento da pesquisa. b) Em seguida, o Capítulo 2 está subdividido em três tópicos: Dialectologia e Socioliolinguística e suas interfaces, que abordarão os fundamentos gerais para esta pesquisa e os contextos sociais aos quais os informantes foram expostos. c) O Capítulo 3 esclarece detalhes desta pesquisa, nele serão apresentados o Atlas Prévio dos Falares Baianos e o Atlas Linguístico do Brasil. Logo após, demonstrará a metodologia adotada nos dois atlas pesquisados. d) Após a descrição dos atlas, no Capítulo 4, apresentam-se alguns dados sóciohistóricos das localidades.

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e) Com o objetivo de demonstrar os dados sistematizados, o Capítulo 5 apresentará os itens encontrados em cada atlas, o confronto dos corpora, bem como a cartografia dos dados. f) O Capítulo 6 terá um breve debate sobre a dicionarização ou não dos itens lexicais encontrados e a interface entre dicionários de língua e estudos geolinguísticos. g) E, por fim, no Capítulo 7, apresentam-se algumas considerações finais, pois a discussão não se findará, após a conclusão destas linhas, certamente.

2 Fundamentos Objetivando a análise em duas sincronias diferentes, APFB (1963) e ALiB (2003), tendo por base os dados referentes ao léxico, em especial o nome que dão a perda de sangue que ocorre todos os meses nas mulheres, tomou-se como pressuposto teórico desta pesquisa a Dialetologia Pluridimensional e a Sociolinguística.

2.1 Dialetologia Conceituando a Dialetologia, conforme Cardoso (2010, p.15), como: “(...) um ramo dos estudos linguísticos que tem por tarefa identificar, descrever e situar os diferentes usos em que uma língua se diversifica, conforme sua distribuição espacial, sociocultural e cronológica”. Assim, a Dialetologia Pluridimensional, cultuada nos dias atuais, agrega, justamente, essas duas concepções: prioriza-se o caráter diatópico da variação, além de levar em consideração os aspectos sócio-culturais passíveis de propiciar oscilação no uso linguístico. A Dialetologia nasceu eminentemente diatópica, mas, ampliou seu foco de observação, atualmente, leva em consideração os aspectos sociais. Opta-se, neste trabalho, por um breve panorama da Dialetologia no Brasil, conforme o item supracitado, Estabelecendo um ponto de partida, as quatro fases da Dialetologia brasileira. Ainda é importante salientar que, hoje, entende-se que os estudos

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dialetológicos, no Brasil, estão na 4º fase, conforme Mota e Cardoso (2006), pois esta fase é caracterizada pela implementação de linhas de pesquisa em Geolinguística em várias universidades por todo território nacional, apresenta-se também a ampliação do número de atlas linguísticos publicados ou em elaboração e pela incorporação de novas dimensões ao trabalho e à pesquisa dialetológica, sendo que, hoje, as duas visões são utilizadas nos trabalhos dialetais.

2.1.1 Interfaces entre a Dialetologia e a Sociolinguística No que concerne a Dialetologia e Sociolinguística, em algum momento, se pensou que estes ramos da Linguística iriam se confrontar ou que eram sinônimas, no entanto, cada uma possui uma peculiaridade. Cabe salientar suas diferenças. O objeto de estudo da Dialetologia são os diversos dialetos de uma dada língua, enquanto que a Sociolinguística tem como foco central identificar os processos de mudanças linguísticas, com ênfase nos aspectos sociais. A Sociolinguística e a Dialetologia compartilham do mesmo interesse:estudar a língua. Atualmente, a Dialetologia vem utilizando vários pressupostos básicos da Sociolinguística, pois um informante é um ser social que está inserido em um espaço geográfico, mas também se insere num contexto social. Logo, é impossível observar a variação espacial, sem atentar-se para os aspectos sócio-culturais de uma localidade.

2.2 Sociolinguística Considerada como uma ciência interdisciplinar, a Sociolinguística vai analisar as interfaces entre língua e sociedade, tendo como pressuposto teórico a heterogeneidade das línguas, estuda a língua em uso, ou seja, busca observar como as pessoas se comunicam no seio da sua comunidade. Logo, se há heterogeneidade linguística, então, também há variação. Justamente, é a variação que, conforme a Sociolinguística será analisada cientificamente, pois, para os estudos sociolinguísticos, é um princípio

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universal e passível de ser descrito. Portanto, o papel da mudança linguística é elementar para os estudiosos desta subárea. O modelo teórico-metodológico sociolinguístico tem como precursor William Labov, que postulou seus estudos analisando o inglês falado na ilha de Martha’s Vineyard sob a ótica da relação entre língua e sociedade. A Sociolinguística Laboviana, também é conhecida como Quantitativa, prega, em síntese, que a língua pode ser um fator fundamental para identificação de grupos, como também, de algum modo, uma possível maneira para demarcar diferenças sociais numa dada comunidade. A proposta da Sociolinguística é analisar a sistematicidade do caos linguístico existente, devido à presença das variantes linguísticas. Conforme essa análise, afirma-se que é possível sistematizar esse caos linguístico, pois apesar de existirem as variantes linguísticas em uma comunidade, assim mesmo os membros dessa comunidade ainda se comunicam muito bem. A partir do que foi exposto, cabe conceituar o que venha a ser variável linguística e variantes linguísticas, consoante Tarallo:

Variantes linguísticas são, portanto, diversas maneiras de se dizer a mesma coisa em um mesmo contexto, e com o mesmo valor de verdade. A um conjunto de variantes dá-se o nome de “variável linguística.” (TARALLO, 2001, p.8)

Os estudos nesta área vieram para tentar desfazer o mito da homogeneidade linguística, assim contribuindo para combater o preconceito linguístico, pois todas as línguas vão apresentar variantes, umas mais prestigiadas que outras. A noção de erro, a partir dos postulados sociolinguísticos, é relativizada, porque o contexto será analisado, além do que falar diferente da norma prestigiada não é errado, mas é falar diferente. Segundo Labov As variáveis mais próximas da estrutura superficial frequentemente são foco da avaliação social. De fato, valores sociais são atribuídos a regras linguísticas somente quando há variação. Os falantes não aceitam de imediato o fato de que duas expressões diferentes

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realmente “têm o mesmo significado” e existe uma forte tendência a atribuir diferentes significados a elas. Se dado grupo de falantes usa uma variante particular, então os valores sociais atribuídos a esse grupo serão transferidos a essa variante linguística. (LABOV, 2008, p. 290)

Nesta perspectiva, a dinamicidade linguística, a variação pode ocorrer em vários eixos: diatópico (as diferenças que uma mesma língua apresenta na dimensão espacial); diastrático (as diferenças são manifestas de acordo com os vários estratos sociais, a saber: escolaridade, sexo, idade etc.). No entanto, vale ressaltar que a variação, conforme a teoria laboviana, obedece a princípios, ou seja, ela não é desordenada, mas sim coordenada por um conjunto de regras, nas quais os falantes vão construir sentenças seguindo um parâmetro linguístico e serão entendidos, mesmo falando uma variante considerada, por muitos, como erro.

2.3 A Geografia Linguística como método O nascimento da Geografia Linguística é sempre associado com a elaboração da obra de J. Gilliéron e E. Edmont, o Atlas Lingüístico da França, ALF, publicado no período de 1902 a 1910. O atlas francês foi o primeiro a seguir os pressupostos da Geografia Linguística, que já despontava como método. A partir desse marco, este método passa a ser compreendido como a representação cartográfica dos dialetos estudados e identificados, desde então, vários outros atlas foram publicados. Assim, não são todos os trabalhos de natureza dialetal que serão cartografados, mas a cartografia dos dados é importante, pois permite uma melhor visão espacial dos dados no mapa. Dessa forma, observa-se que, ao longo do tempo, existem várias cartas linguísticas e, é notório, que elas são representativas dos propósitos da época na qual foram feitas. Inicialmente, as cartas possuíam uma natureza eminentemente diatópica, por conseguinte, a fim de auxiliar na interpretação dos dados cartografados, as transcrições dos comentários feitos pelos informantes e/ou inquiridores, bem como as dos transcritores passam a ser inseridas. Com esses acréscimos, novos vieses foram possibilitados para os estudiosos da área, além disso outros podem ser apontados, como assinala Cardoso

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i) o conhecimento de aspectos etnolinguísticos; ii) a possibilidade de consideração, ainda que de forma assistemática porque esporádica e não ordenadamente buscada, de variáveis sociolinguísticas, tais como as decorrentes da diversidade etária ou sociocultural; iii) a identificação, mesmo em cartas semântico-lexicais, de características morfossintáticas; iv) a que se juntam fatos de natureza semântica e estilística. (CARDOSO, 2010, p.83)

No Brasil, a Geografia Linguística foi se desenvolvendo com o passar dos anos e, como se sabe, muitos atlas foram publicados, conforme Quadro 1, atlas regionais/estaduais publicados, outros foram feitos em forma de tese de doutorado, conforme Quadro 2, e, por fim, alguns ainda estão em andamento. i) Atlas regionais/ estaduais publicados Atlas

Autor(es)

Atlas Prévio dos Nelson Rossi;

Ano

de Rede

de Questionário

publicação

pontos

1963

50 localidades

Composto de 182 perguntas (extraídas de uma versão de questionário mais ampla com 3.000 questões), divididas nas áreas semânticas terra, vegetais, homem, animais.

100 informantes, 57 mulheres e 43 homens, com idade variando entre 25 e 60 anos. Com relação à escolaridade, todos eram analfabetos ou semianalfabetos.

116 localidades recolhidos in loco, a que se somam os depoimentos tomados por correspondênci a em 302 pontos.

Composto de 415 perguntas divididas nas áreas semânticas terra e folguedos infantis.

83 informantes, mulheres e homens, com idade variando entre 30 e 50 anos. Com relação à escolaridade, todos eram analfabetos até a 4ª série do Ensino Fundamental.

Falares Baianos Dinah Isensee e (APFB)

Esboço

Carlota Ferreira

de

Informantes

um Mário Roberto 1977 Lobuglio Zágari; Atlas Lingüístico José Ribeiro, José de Minas Gerais Passio e Antônio Gaio. (EALMG)

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Atlas Lingüístico Maria do Socorro 1984 Silva de Aragão e da Paraíba Cleuza Bezerra de (ALPB) Menezes

25 localidades base, mais 3 localidades satélites para cada base.

Composto de duas partes: uma geral com 289 questões e uma específica com 588.

107 informantes (três a dez por localidade), de ambos os sexos, com faixa etária variando entre 30 a 75 anos e grau de instrução de analfabetos até 4ª série

do

Ensino

Fundamental. Atlas Lingüístico Nelson Rossi, Carlota Ferreira; de Sergipe (ALS) Judith Freitas; Nadja Andrade; Suzana Cardoso; Vera Rollemberg e Jacyra Mota.

1987 (com 15 localidades. o

período

de elaboração entre

os

anos 1963 – 1973).

Atlas Lingüístico Vanderci do (ALPR)

Paraná Andrade Aguilera.

de 1990 1994.

– 65 localidades, que contemplavam todas as 24 microrregiões fisiográficas paranaenses.

Composto de 686 questões: 181 retiradas do Extrato de Questionário aplicado para o APFB e 505 selecionados dos questionários preliminares.

30 informantes: sendo dois de cada localidade, rigorosamente distribuídos por ambos os sexos, escolaridade variando entre analfabetos (21) e alfabetizados (1), passando por “semianalfabetos” (8) e idade variando predominantemente entre 35 e 53 anos.

composto de 325 questões abrangendo os campos semânticos de terra (natureza, fenômenos atmosféricos, astros e tempo/ flora/ plantas medicinais/ fauna) e homem (partes do corpo/ funções/ doenças/ vestuário e calçados/

130 informantes rigorosamente distribuídos por ambos os sexos, com idade entre 27 e 62 anos e escolaridade variando entre analfabetos e de primário completo.

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agricultura/ instrumentos agrícolas/ brinquedos e jogos infantis/ lendas e superstições). Atlas Lingüístico- Walter Koch, 2002 Mário Silfredo Etnográfico da Klassmann e Cléo Região Sul do Vilson Altenhofen. Brasil (ALERS)

275 localidades, sendo 100 no Paraná, 80 em Santa Catarina e 95 no Rio Grande do Sul.

Composto de três tipos de questionários, com um total de 735 questões: 50 questões no Questionário Fonéticofonológico (QFF), 75 no Questionário Morfossintático (QMS) e 610 no Questionário Semântico-

Os informantes têm idade entre 28 e 58 anos e pouca escolaridade, sendo 2 por localidade nas áreas rurais e 3 nas áreas urbanas.

lexical. Atlas Lingüístico Abdelhak Razky

2004

10 localidades.

Composto de 159 perguntas de natureza fonético– fonológica.

40 informantes, sendo 4 informantes por cidade, estratificados por sexo, idade e escolaridade até a 4ª série

Alice 2002

– 15 localidades.

Composto de 686 questões: 181 retiradas do Extrato de Questionário aplicado para o APFB e 505 selecionados dos questionários preliminares.

30 informantes: sendo dois de cada localidade, pertencentes a ambos os sexos, escolaridade variando entre analfabetos (21) e alfabetizados (1), passando por “semianalfabetos” (8) e idade variando predominantemente entre 35 e 53 anos.

Sonoro do Pará (ALISPA)

Atlas Lingüístico Suzana de

Sergipe

(ALS II)

II Marcelino Cardoso

2005

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Atlas Lingüístico Dercir Pedro de 2007

32 localidades.

Composto de dois tipos de questionários: Fonéticofonológico e lexical, com

70 localidades

Composto de 306 280 informantes: quatro por questões localidade, (semânticopertencentes a ambos os sexos, de lexical). escolaridade variando entre analfabetos e pessoas com 1º grau

de Mato Grosso Oliveira do Sul (ALMS)

Atlas Lingüístico

(coordenador).

2010

do Ceará – (ALECE)

José

Rogério

Fontenele Bessa

128 informantes: quatro por localidade, pertencentes a ambos os sexos, de escolaridade variando entre um total de 557 analfabetos e questões. pessoas com fundamental incompleto.

completo e idade variando entre 35 e 53 anos. Quadro 1- Atlas regionais/ estaduais publicados

ii) Os atlas publicados em forma de tese: Atlas

Autor (es)

Ano

Atlas Lingüístico do Amazonas

Maria Luiza de Carvalho Cruz.

2004

Atlas Lingüístico do Paraná II

Fabiane Cristina Altino.

2007

Atlas Geolingüístico do Litoral Potiguar Atlas semântico-lexical da Região do

Maria da Neves Pereira. Adriana Cristina Cristianini.

2007 2007

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Grande ABC Atlas semântico-lexical de Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba

Márcia Regina Teixeira da Encarnação.

2010

Quadro 2: Os atlas publicados em forma de tese.

iii) os atlas (em andamento): Os atlas em andamento estão em diferentes etapas e totalizam (09) nove atlas, a saber: Atlas Etnolinguístico do Pará, Atlas Linguístico do Maranhão, Atlas Linguístico do Rio Grande do Norte, Atlas Linguístico de Pernambuco, Atlas Linguístico de Mato Grosso, Atlas Etnolinguístico dos pescadores do estado do Rio de Janeiro, Atlas Etnolinguístico do Acre e Atlas Linguístico do Espírito Santo. Dessa forma, conclui-se que, no Brasil, a Geografia Linguística contribuiu bastante para os estudos dialetais, permitindo uma melhor visualização dos dados coletados in loco, com a representação em cartas linguísticas.

3 Os Atlas

Antes de adentrar às particularidades do APFB e do Projeto ALiB escolhidos para este estudo, crê-se que é importante salientar alguns pontos, tais como: O que é um atlas linguístico? E para que ele serve? Objetivando responder as questões que são pertinentes, alguns teóricos da área foram usados para responder de forma clara e coesa as questões. Para a primeira indagação, é salutar dizer que um atlas linguístico é um instrumento rico e fruto de um trabalho extensivo dos seus autores. No atlas linguístico se encontra a representação da variação linguística, seja ela espacial, eminentemente, seja ela social. Conforme Ferreira e outros Um atlas lingüístico reúne um conjunto de mapas de um território, mais ou menos vasto, que representam e localizam as realizações dos paradigmas linguísticos em estudo (de natureza fonética, lexical, morfológica ou sintática), registrando as respetivas variações geográficas. (FERREIRA et all, 1996, p. 484)

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Desse modo, o domínio geográfico-espacial de abrangência de um atlas linguístico pode ser pré-determinado por critérios de diferentes naturezas. Os atlas linguísticos também oferecem uma melhor visualização da distribuição espacial de um dado fenômeno linguístico e de delimitar sua extensão. Assim, os atlas não são um conglomerado de dados linguísticos, de fato, os atlas ... permitem ainda isolar áreas dialectais, definidas pela concentração de fenômenos lingüísticos idênticos, que, em determinados tipos de mapas, podem ser circunscritos por isoglosas, linhas que marcam o limite geográfico de um fenômeno lingüístico. Um maior número de isoglosas a delimitar uma área determina a sua maior individualidade lingüística. Por estes motivos, os atlas constituem um instrumento de trabalhos indispensável para a Dialectologia e para a História da Língua. (FERREIRA et all, 1996, p. 484)

A partir destas considerações preliminares, um atlas linguístico é de extrema importância para os estudos linguísticos, sobretudo para a pesquisa linguística variacionista (fonética, morfossintaxe, léxico), haja vista o enorme acervo que eles fornecem, além de salva-guardar a memória sócio-linguística de um povo (documentação da história da língua), além de ser um poderoso instrumento para as políticas linguísticas (principalmente o que tange as políticas de ensino). Inegavelmente, um atlas é um tesouro muito valioso para vários ramos da ciência. Diante do exposto, observa-se que na história da Dialetologia brasileira dois atlas são marcos fundamentais, o Atlas Prévio dos Falares Baianos (APFB), e o Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB). Nessa perspectiva, se faz necessário conhecer um pouco mais sobre o APFB e Projeto ALiB, os escolhidos para as análises desta pesquisa.

3.1 Atlas Prévio dos Falares Baianos Em 1963, surge o primeiro atlas linguístico no Brasil, o Atlas Prévio dos Falares Baianos, APFB. Publicado pelo Instituto Nacional do Livro e Ministério de Educação e Cultura, se tem um trabalho pioneiro e de empreitada audaciosa por seus autores, a

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saber, Nelson Rossi, professor, idealizador e orientador do trabalho, e as recémlicenciadas da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, co-autoras, Dinah Isensee e Carlota Ferreira, somando-se a estes

outras

colaboradoras

compuseram a equipe de elaboração do atlas, além de compor o quadro de inquiridores e,

consequentemente,

transcritores.

Para

os

inquéritos

do

APFB,

atlas

monodimensional, as respostas eram transcritas no momento do inquérito, isto é, eram anotadas foneticamente pelos aplicadores. Tal técnica se deu porque, na época, as condições eram precárias, para se locomover com os aparelhos gravadores. Logo a opção adotada foi a transcrição manual e/ou transcrição direta, in loco. Todos tiveram um amplo treinamento sob a supervisão do professor Nelson Rossi. A obra se destaca por ter uma enorme importância para os estudos dialetais e geolinguísticos no Brasil, além de ser o marco indispensável na história da língua portuguesa, pois forneceu dados empíricos coletados e analisados, sistematicamente, para o conhecimento de grande parte do falar baiano, seguindo a proposta de divisão dialetal do Brasil de Antenor Nascentes, em 1953. O objetivo, naquela época, era elaborar um atlas nacional, mas, em virtude das impossibilidades de alçar um voo tão alto, Antenor Nascentes publica as Bases para a elaboração do atlas lingüístico do Brasil, obra que norteou, até então, os iniciantes na arte de fazer atlas. Tratando da metodologia adotada, o APFB possui uma rede de 50 pontos, tais pontos foram escolhidos de modo a atender aos pressupostos teóricos e metodológicos, além da tradição dos estudos geolinguísticos daquela época, são eles: relativo isolamento, população numericamente representativa e antiguidade das localidades. Antes da seleção destas cidades, foram feitas muitas leituras de ampla bibliografia que forneceram dados relevantes para a escolha das localidades. Em relação ao questionário, mais especificamente, o Extrato de Questionário, EQ, nele consta 182 questões, em sua maioria, voltadas para a observação da variação semântica e lexical, foram agrupadas conforme a proximidade semântica, disso resultam as seguintes áreas: terra, vegetais, homem e animais. Ressalta-se que para chegar a esse Extrato de Questionário, anteriormente, na fase de teste, foi aplicado um questionário amplo, com mais de 3000

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perguntas, em quatro localidades (Bom Despacho, São Vicente, Tanquinho e São José das Itapororocas). No que tange à escolha dos informantes, são dos dois sexos, mas não possui controle sistemático, ou seja, no APFB, os informantes não estão distribuídos de forma equânime, sendo 43 homens e 57 mulheres. As idades estão estratificadas entre 25 e 84 anos, em sua maioria, estão situados na faixa entre 39 e 69 anos. As cartas linguísticas do APFB, em grande parte, estão em transcrição fonética e, em algumas delas, têm notas com transcrição grafemática, são dados relevantes para leitura da carta. No total, o APFB possui 11 cartas introdutórias e 198 cartas linguísticas, das quais 44 são resumos de cartas anteriores. 3.2 O Projeto Atlas Linguístico do Brasil O Projeto Atlas Linguístico do Brasil (Projeto ALiB) tem como principal objetivo o mapeamento linguístico do Brasil. O Projeto ALiB surge, no ano de 1996, em Salvador - Bahia, durante o Seminário Nacional Caminhos e Perspectivas para a Geolinguística no Brasil, tendo fixado a sede no Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia. Assim, foi formado um Comitê Nacional, composto por pesquisadores e estudiosos de todo Brasil. A ideia de fazer um atlas nacional remonta ao Decreto nº 30.643, de 20 de março de 1952, que conforme Ferreira; Cardoso (1994, p. 44), [...] assenta como principal finalidade da Comissão de Filologia da Casa de Rui Barbosa a ‘elaboração do atlas lingüístico do Brasil. Após ter seguido as trilhas e os conselhos dos principais dialetólogos das primeiras fases da Dialetologia brasileira com a publicação dos atlas regionais/estaduais, é chegada a hora de iniciar o tão sonhado Atlas Linguístico Nacional. A partir desse marco, como já supracitado, inicia-se a quarta fase da Dialetologia no Brasil. Assim, segundo Cardoso O panorama histórico-social do país, hoje, e a importância do conhecimento sistemático e geral da realidade linguística brasileira, necessário sobremodo à difusão de um ensino adequado ao caráter pluricultural do Brasil, estão a exigir, sem mais demora, um esforço coletivo, na tentativa de se desenvolverem estudos mais amplos que levem a esse conhecimento global que se afigura tarefa dialetologia brasileira para o terceiro milênio, a se concretizar, fundamentalmente,

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com a realização do atlas linguístico geral do Brasil. (CARDOSO, 2010, p. 168)

Dessa forma, o Projeto ALiB, através do seu Comitê traçou alguns objetivos principais, a saber:

 Descrever a realidade lingüística do Brasil, no que tange à língua portuguesa, com enfoque na identificação das diferenças diatópicas (fonéticas, morfossintáticas, léxico- semânticas e prosódicas) consideradas na perspectiva da Geolingüística.  Oferecer aos estudiosos da língua portuguesa (lingüistas, lexicólogos, etimólogos, filólogos), aos pedagogos (gramáticos, autores de livros-texto para o ensino fundamental e o ensino médio, professores) subsídios para o aprimoramento do ensino/aprendizagem e para uma melhor interpretação do caráter multidialetal do Brasil.  Estabelecer isoglosas com vistas a traçar a divisão dialetal do Brasil, tornando evidentes as diferenças regionais através de resultados cartografados em mapas lingüísticos e de estudos interpretativos de fenômenos considerados.  Examinar os dados coletados na perspectiva de sua interface com outras áreas do conhecimento afins – história, sociologia, antropologia e outras -, de modo a poder contribuir para fundamentar a definir posições teóricas sobre a natureza de implantação e desenvolvimento da língua portuguesa no Brasil.  Oferecer aos interessados nos estudos lingüísticos um considerável volume de dados que permita aos lexicógrafos aprimorarem os dicionários, ampliando o campo de informações; aos gramáticos atualizarem as informações com base na realidade documentada pela pesquisa empírica; aos autores de livros didáticos adequarem a sua produção à realidade cultural de cada região; aos professores aprofundarem o conhecimento da realidade lingüística, refletindo sobre as variantes de que se reveste a língua portuguesa no Brasil e, consequentemente, encontrando meios de, sem desprestigiar seus dialetos de origem, levar os estudantes ao domínio de uma variante tida como culta.  Contribuir para o entendimento da língua portuguesa no Brasil como instrumento social de comunicação diversificado, possuidor de várias normas de uso, mas dotado de uma unidade sistêmica. (COMITÊ, 2001, p.vii)

Hoje, decorridos 17 anos após a sua retomada, o Projeto ALiB está um jovem, por assim dizer, em sua plenitude de força e vigor. Tendo já concluído mais de 90% dos

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pontos pré-determinados para o mapeamento linguístico e em fase de elaboração dos primeiros volumes do Atlas Linguístico do Brasil com dados das capitais, apenas. Entretanto, se faz necessário saber os princípios adotados para a realização desse grandioso trabalho, a metodologia adotada pelos pesquisadores do Projeto foi: uma rede de pontos que contemplasse todo o território nacional, assim foram escolhidos 250 pontos, por critérios de antiguidade etc., pois os informantes têm que ter nascido na localidade e terem pais também nativos da localidade. Os informantes estão estratificados em duas faixas, I de 18 a 30 anos, e II de 50 a 65 anos, distribuídos de forma equânime entre os dois sexos, masculino e feminino, e com escolaridade nível fundamental incompleto e superior, nas capitais, totalizando (08) oito informantes. Já nas localidades do interior, são entrevistados (04) quatro informantes todos com nível fundamental

incompleto.

Assim,

totalizando

1100

informantes,

respectivos

representantes da fala local. Em relação ao questionário, o questionário atual (2001) foi elaborado após reformulações feitas do questionário de 1998, que serviu como um instrumento teste. O questionário aplicado nos inquéritos definitivos é composto de três subgrupos, a saber: o Questionário Fonético-Fonológico, QFF, que possui 159 perguntas, acrescidas por 11 questões de prosódia; o Questionário Semântico-Lexical, QSL, com 202 perguntas; o Questionário Morfossintático, QMS, com 49 perguntas. Além das questões de pragmática, dos temas para discursos semidirigidos, as perguntas metalinguísticas e um texto para leitura. Cada parte que compõe o Questionário ALiB (2001) objetiva apurar um tipo de variação, a fim de demostrar se, realmente, há diferenças no modo de falar do brasileiro, baseado em dados empíricos.

4 As localidades Sabe-se que em toda pesquisa de cunho dialetal, a escolha da área a ser estudada se faz necessária, pois, far-se-á o confronto dos dados coletados, em princípio, numa perspectiva diatópica. Seguindo esse parâmetro, a escolha das localidades foi realizada com o intuito de fazer uma análise comparativa em (09) nove localidades que foram

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pontos do APFB e que são pontos do ALiB, são elas: Barra, Caetité, Carinhanha, Itaberaba, Jacobina, Jeremoabo, Santana, Santa Cruz Cabrália e Vitória da Conquista. Para tentar entender os dados coletados, o histórico das localidades, bem como algumas especificidades sócio-históricas e política-cultural são necessárias para fornecer pistas sobre o modo de falar daquela localidade, uma vez que o informante é um sujeito situado em um espaço geográfico, mas também está inserido em um contexto social, ou seja, é eficaz analisar os dados olhando as várias dimensões, pois, assim, entender-se-á melhor e facilitará a interpretação dos dados coletados. A seguir, estão demonstrados alguns dados das localidades, em: i) dados, conforme Rossi e outros (1963), das localidades há 40 anos para o APFB, e em ii) dados coletados no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2013. i)

Dados das localidades, conforme o APFB

As informações são sempre apresentadas nesta ordem: Nome oficial da localidade. – Nomes oficiais anteriores.- Situação administrativa em 1960.- Situação administrativa em 1950.- Número de habitantes de 1960.- Número de habitantes em 1950.- Freguesia a que pertence e data de criação.- Atividades econômicas predominantes.- Via de comunicação com a sede municipal, distância e tempo de viagem previsto.- Referência cronológica mais antiga.- Tipo de origem da localidade. Barra.- São Francisco das Chagas da Barra do Rio Grande do Sul (1753): Barra do Rio Grande.-Cidade.-A mesma.- __.- 5580.São Francisco da Barra do Rio Grande.- Cêra da carnaúba.- Aerovia, 522 km, 4h.- 1698.- Fazenda. Caetité.- Vila Nova do Princípe; Santa Ana do Caitité (1810).- Cidade.- A mesma.- 4823.- 3616.- Sant’Ana (1754).- Agricultura; mandioca, aipim.- Rodovia, 929 km, 30h.- Séc. XVI.-Pousada de bandeiras. Carinhanha.- __.- Cidade.- A mesma.2163.- 1707.- São José do Carinhanha.- (1779).- “...algodão, cereais, mandioca, cana.”- Aerovia, 1145 km, 4h.- 1712.- Aldeia dos caiapós; bandeiras. Itaberaba.- Orobó (1843).- Cidade.- A mesma.- 8555.5896.- Nossa Senhora do Rosário (1843).- “... fumo, milho, mandioca, batata; pecuária”.- Aerovia, 232 km, 1h.- Séc. XVII.- Fazenda, onde se construiu uma capela e de que surgiu um arraial. Jeremoabo.- __. Cidade.- A mesma. – 3088. – 2185. – São João Batista de Jeremoabo (1718).- “...roça”.- Rodovia, 408 km, 14h. – 1672. – Bandeiras. Santa Cruz Cabrália.- Santa Cruz.-1975.-Cidade.-A mesma.-707.-465.Santa Cruz (1775).-“...piaçava, cacau, café; pesca.” –Aerovia, a Canavieiras, 100 km, 35min; Canavieiras a Salvador, 330 km, 1h 20min.- 1564.- Feitorias fundadas no início da colonização. Santana.Santana dos Brejos (1890).- Cidade.- A mesma.- 4357.- 3059.-

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Sant’Ana dos Brejos (1868).- Agricultura: algodão, cereais.- Aerovia, 503 km, 2h 35min.- 1760.- Fazenda. Santo Antônio de Jacobina (1720).- Cidade.- A mesma._ 12373.-7224.-Santo Antônio da Jacobina (1838).- Agricultura: mamona, mandioca.- Aerovia, 281 km, 1h 20min.- Séc. XVII.- Bandeiras. Vitória da Conquista.- Imperial Vila da Vitória (1840); Conquista (1891). -Cidade.- A mesma.46876.- 17503.- Nossa Senhora da Vitória (1840).- Pecuária.Aerovia, 350 km, 1h 20min.- 1752.- Povoado para ponto de contato entre o litoral e o sertão. (Rossi et all, 1963, p.10)

ii) Dados das localidades, conforme IBGE Barra: População 49.325. Área territorial 11.414,405. Escolas públicas e particulares nos níveis pré-escolar, fundamental e médio. Caetité: População 47.515. Área de unidade territorial km 2.442,895. Escolas públicas e particulares nos níveis pré-escolar, fundamental e médio. Carinhanha: População 28.380, Área de unidade territorial km 2.737,183. Escolas públicas e particulares nos níveis pré-escolar, fundamental e médio. Itaberaba: População 61.631, Área da unidade territorial 2.343,505.km. Escolas públicas e particulares nos níveis pré-escolar, fundamental e médio. Jacobina: População 79.247, Área territorial 2.358, 690 km. Escolas públicas e particulares nos níveis pré-escolar, fundamental e médio.Jeremoabo: População 37.380, Área territorial 4.656, 267 km. Escolas públicas e particulares nos níveis pré-escolar, fundamental e médio.Santa Cruz Cabrália: População 26.264, Área territorial 1.551, 977. Escolas públicas e particulares nos níveis pré-escolar, fundamental e médio. Santana: População 24.750, Área territorial 1.820, 165. Escolas públicas e particulares nos níveis pré-escolar, fundamental e médio. Vitória da Conquista: População 306.866, Área territorial 3.356, 886. Escolas públicas e particulares nos níveis pré-escolar, fundamental e médio. (IBGE, 2013)

Observa-se que, com o passar dos anos, as cidades se desenvolveram e, consequentemente, a língua falada, também, sofreu modificações advindas, dos avanços pelos quais passaram as localidades, o que pode ser visto pelo comparativo de como eram as cidades e como estão. Logo, afirma-se, mais uma vez, o vínculo indissociável entre língua e sociedade, pois as reflexões desse casamento irão refletir sobremaneira no modo pelo qual os itens lexicais prevalecem no léxico ativo de um dado povo, ou como outros itens caem em desuso e/ou passam a fazer parte do léxico passivo de uma comunidade. Então, por este viés, salienta-se que estudar a língua, levando em

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consideração os aspectos histórico-sociais, é oferecer subsídios para salvaguardar a memória linguístico-cultural de um povo.

5 Análide dos Dados Os dados para este estudo foram obtidos na base de dados do Projeto ALiB e na carta 87, menstruação, do APFB (ROSSI et all, 1963). No APFB, para menstruação, existem as seguintes designações nas localidades pesquisadas, a saber: boi, mermada e lua. O quadro a seguir apresenta a distribuição diatópica dessas designações.

VARIANTES Boi Mermada Lua

LOCALIDADES Jeremoabo, Vitória da Conquista, Jacobina, Itaberaba, Caetité, Santana. Jacobina. Itaberaba.

Quadro 3 – Denominações para menstruação no APFB (1963)

O quadro que registrou as denominações para menstruação na Bahia da década de 60 revelou que a variante boi, naquela época, era a mais produtiva. Tal aspecto pode ser visualizado através da seguinte carta linguística:

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Em relação à pergunta 121 do questionário semântico-lexical (QSL), além da resposta menstruação, foi registrado um total de 15 denominações para nomear o fato de as mulheres perderem sangue todos os meses, a saber: boi, visitante, menstruada, tá de boi, regra, regras, paquete, Chico, amiguinha, ciclo menstrual, tô de vermelho, tá de paquete, tá de chico e doente, conforme mostra o quadro 4:

VARIANTES

LOCALIDADES

Boi e (tá de boi)

Santa Cruz Cabrália, Jeremoabo, Vitória da Conquista, Itaberaba, Barra, Santana e Carinhanha.

Visitante Menstruação e (tá menstruada)

Santa Cruz Cabrália. Santa Cruz Cabrália, Jeremoabo, Vitória da Conquista, Jacobina, Itaberaba, Caetité, Barra, Santana e Carinhanha.

Paquete e (tá de paquete)

Jeremoabo e Barra.

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Regra(s) Tá incomodada Chico e (tá de chico) Amiguinha Tô de vermelho Doente

Jeremoabo, Vitória da Conquista e Carinhanha. Jeremoabo. Vitória da Conquista e Barra. Vitória da Conquista. Caetité. Santana.

Quadro 4 – Denominações para menstruação nos dados do Projeto ALiB (2003)

Desse modo, verifica-se que, conforme dados do Projeto ALiB, coletados quatro décadas após a coleta do APFB, o item menstruação surge na fala dos informantes das localidades como a variante mais produtiva e mais utilizada para nomear o período fértil das mulheres. Seguido de boi, como a segunda variante mais produtiva, e outras variantes tais como: regras, chico, paquete etc. Assim, para uma melhor visualização, segue a carta linguística com as variantes encontradas nos dados do Projeto ALiB.

Diante dos dados expostos, chegamos ao seguinte questionamento: após 50 anos, no que se refere às denominações para menstruação, o que o confronto dos dados do APFB e do Projeto ALiB (região Bahia) nos mostram? Na Bahia, os dados exibem a presença de boi é predominante, pois aparece em seis dos nove pontos estudados, nos dados do APFB. Com o aparecimento de mermada e lua apenas uma vez.

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Ao confrontar esses dois corpora, verifica-se que o item boi está presente nas localidades de Itaberaba, Vitória da Conquista, Jeremoabo e Santana, na década de 60, no momento da recolha de dados para o APFB, permanecendo como variante para menstruação 50 anos depois, quando houve a coleta para o corpus do Projeto ALiB, conforme o quadro 5. Denominações para menstruação APFB (1963) Projeto ALiB (2013) Boi Jeremoabo, Vitória da Conquista, Jacobina, Itaberaba, Caetité, Santana.

Boi Santa Cruz Cabrália, Jeremoabo, Vitória da Conquista, Itaberaba, Barra, Santana e Carinhanha.

Quadro 5 – Denominações para menstruação nos dados do APFB (1963) e Projeto ALiB (2013)

A partir do exposto, nota-se que somente um item lexical, boi, é encontrado nos dados dos atlas pesquisados, prevalecendo em alguns pontos, como por exemplo, Jeremoabo, Vitória da Conquista, Santana e Itaberaba, conforme pode ser visto na carta linguística a seguir.

É importante mencionar que, nos dados coletados 50 anos depois, para o Projeto ALiB, a referência às denominações presentes no APFB são feitas com uma alusão

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temporal que denuncia a variação diageracional na língua, como pode ser observado nos exemplos que seguem ipsis litteris:

(01) INQ. – As mulheres perdem sangue todos os meses. Como se chama isso? INF.– Menstruada. Menstruada. INQ.– Quais são os outros nomes assim que o conhece? INF.– A mulher tá de boi, tá menstruada, a mulher tá de paquete, esses nomes que o povo chama. INQ.– Quando o senhor era pequeno deve ter ouvido falar, né? INF.– Ouvi, ouvi. INQ.– Sua mãe, teve irmãs também, né? INF.– Filha. Mas eu não falo essas coisa não, eu não falo, tô falando esclarecendo, mas eu não falo, minha irmã tá de regra, tá no tempo das regras, eu conheço desse jeito, né? (082 - Jeremoabo, Homem, Faixa 2, Nível Fundamental) (02) INQ. – As mulheres perdem sangue todos os meses. Como se chama isso? INF. – Menstruação... menstruação, tá de boi... umas pessoa fala outras não fala... INQ.– E quem é que chama, o povo mais novo ou o povo mais velho? INF.– É o mais velho... hoje chama mais menstruada. (090 - Itaberaba, Mulher, Faixa 2, Nível Fundamental) (03) INQ. – As mulheres perdem sangue todos os meses. Como se chama isso? INF. – Menstruação, né? INQ. - Quais são os nomes que o senhor já ouviu assim, engraçados ou não? INF. - Fulana tá mestruada. Fulana tá de boi, né? Fulana tá de paquete. (084 - Barra, Homem, Faixa 2, Nível Fundamental) (04) INQ.- Agora, as mulheres todos os meses elas perdem sangue. Como é que chama isso? INF.- Menstruação. INQ.- Tem outro nome? Pode dizer todos pra gente, que a gente... não tenha vergonha de dizer não. INF.- É. É, o pessoal antigamente falava que era um tal de boi, não o sei que era, mas eu conheço mermo menstruação.

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INQ.- É INF.- É. INQ.- O povo dizia tá de boi. Como é que dizia? INF.- É. Era. “Fulano, ‘cê tá de boi, né?”. INQ.- Humm INF.- Era. Mas eu nun... nunca eu falei isso não, o povo que falava, né? INQ.- Humm. INF.- E eu sei menstruação. (097 Carinhanha, Mulher, Faixa 2, Nível Fundamental) (05) INQ. – As mulheres perdem sangue todos os meses. Como se chama isso? INF.- Menstruação. INQ.- Que outros nomes têm aqui, por aqui? INF.- Vi, é uma lista enorme. INQ.- Vamo lá... INF.- Chico, tô de boi, tem gente que fala: ah, minha amiguinha desceu, tem um monte de nome por aí. Eu já sou direta, menstruação mesmo. INQ.- O pessoal que chama assim desse modo é o povo mais antigo, é o povo de roça, como é? INF.-É, tô de Chico. Na cidade mesmo fala assim. INQ.- É? Fala? INF.- Já vi muita gente aqui falando. INQ.- E boi ainda falam aqui? O povo fala? INF.- Hum hum. INQ.- É? INF.- Alguns, mas lá mais pra roça que falam. INQ.- Mais pra roça, né? INF.- Eu tô de boi. (098 - Vitória da Conquista, Mulher, Faixa 1, Nível Fundamental) (06) INQ. – As mulheres perdem sangue todos os meses. Como se chama isso? INF. - Tá menstruada. INQ. - Chama assim? Tem outros nomes aqui, que às vezes as pessoas dão alguns nomes até engraçados, né? INF. - Diga que tá de... de ... de Chico.

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INQ. - ... E na sua juventude tinha outros nomes para isso? Que a senhora lembra? INF. – Menstruação, né não? (084 - Barra, Mulher, Faixa 2, Nível Fundamental)

A partir dos exemplos, observa-se a predominância dos itens de base menstr- (tá menstruada e menstruação), como visto nos seis exemplos. No entanto, há um grande número de variantes para nomear a perda de sangue que ocorre todos os meses nas mulheres, como é visto nos exemplos (01,03 e 05) e no quadro 6. Faixa I Localidade Sta.Cruz Cabrália Jeremoabo V. da Conquista Jacobina

Utiliza Ocorrências de base menstrOcorrências de base menstrOcorrências de base menstrOcorrências de base menstr-

Conhece Boi/ Outras variantes Boi Outras variantes

Faixa II Utiliza Ocorrências de base menstrOcorrências de base menstrOcorrências de base menstrOcorrências de base menstrOcorrências de base menstr-

Conhece Boi Boi/regra/ Outras variantes Boi/ Outras variantes

Itaberaba

Ocorrências de base menstr-

Boi

Caetité

Ocorrências de base menstr-

Outras variantes

Ocorrências de base menstr-

Barra

Ocorrências de base menstr-

Boi/Outras variantes

Ocorrências de base menstr-

Outras variantes

Santana

Ocorrências de base menstr-

Ocorrências de base menstr-

Outras variantes

Carinhanha

Ocorrências de base menstr-

Ocorrências de base menstr-

Boi/Outras variantes

Quadro 6- Demonstração das variantes encontradas entre as faixas etárias do Projeto ALiB

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Cabe ressaltar a grande importância das inúmeras variantes encontradas na fala dos idosos, isso, de certa forma, é natural, devido a essas pessoas terem mais experiência de vida. Algumas dessas lexias deixaram de ser usadas, pois, hoje, em algumas localidades, não são encontradas na fala dos jovens, evidenciando que, de algum modo, jovens e idosos possuem um repertório lexical diferenciado e escolhem palavras distintas para se comunicar, em muitos casos, embora convivam em um mesmo espaço geográfico. Por este viés, ainda, o léxico prova que, no tocante à língua portuguesa, há unidade na diversidade. Cabe salientar que, as ocorrências de base menstr- são predominantes, tanto na fala dos idosos, quanto na fala dos jovens. Ainda sobre a variação diageracional, o Gráfico 1 ilustra em percentuais as diferenças das lexias encontradas, a saber: 100 80 60 Faixa I

40

Faixa II 20 0 Base menstr- Metafóricas

Outras variantes

Gráfico 1- Variação diageracional com dados do Projeto ALiB.

Os dados do Projeto ALiB revelam que os idosos possuem um acervo lexical maior para nomear “o período em que as mulheres perdem sangue todos os meses”, mas também, que, apesar dos jovens utilizarem a forma menstruação, eles conhecem, em geral, outras variantes tanto de base metafórica, quando outras variantes. No tocante à variação diagenérica, os índices apontam para uma maior produtividade dos itens lexicais na fala das mulheres, ficando com os homens a predominância da forma da langue, como pode ser visto no gráfico 2:

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100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

Homens Mulheres

Base Menstr- Metafóricas

Outras variantes

Gráfico 2- Variação diagenérica com dados do Projeto ALiB.

Para interpretação dos dados, neste tópico, cabe ressaltar que todos os inquéritos foram feitos por inquiridoras, ou seja, de certa forma isso pode ter interferido na não obtenção de outras variantes na fala dos informantes homens. A presença de equipamentos de gravação, certamente, inibe a fala espontânea e consequentemente leva o indivíduo ao monitoramento linguístico, de fato. No entanto, de acordo com Tarallo (2001), o pesquisador deverá tentar neutralizar a força exercida pela presença do gravador, além da sua própria presença como elemento pouco conhecido. Essa neutralização pode ser alcançada a partir do momento em que o pesquisador decide representar o papel de um aprendiz-interessado em elementos comuns e peculiaridades dos falantes, embora, neste caso, a situação seja delicada, trata-se pois de algo construído como um tabu linguístico. A variação diastrática, no que tange à escolaridade, não foi considerada, uma vez que todos os informantes possuem nível fundamental incompleto, conforme os critérios metodológicos do Projeto ALiB. Em relação aos dados do APFB, a sistematização dos dados, embora tenha sido pensada, não foi passível de execução, pois os referenciais não são homogêneos, no que se refere à estratificação. Naquela época, não foi possível estratificar a população inquirida sistematicamente, a fim de tornar os dados passíveis de comparações. No entanto, seguem os dados obtidos: foram 16 informantes, nas cidades analisadas, sendo 05 homens e 11 mulheres, estes estão distribuídos entre 36 a 80 anos. Os inquéritos

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foram feitos em duplas, em sua maioria, e, apenas, em um ponto foi feito por Nelson Rossi, ponto 44 – Santana. Em alguns pontos, conforme notas na carta 87, menstruação, a pergunta não foi feita pelo inquiridor, e em todos os pontos nos quais a pergunta não foi realizada foram a dupla de inquiridoras: Ana Mª Garcia e Dinah Isensee, que esteve responsável pelos inquéritos. Os pontos são: ponto 45, Carinhanha; ponto 42, Barra; ponto 09, Santa Cruz Cabrália; e, em outros pontos, a pergunta deixou de ser feita a apenas um informante: ponto 24, Vitória da Conquista, informante B/mulher; e, ponto 35, Caetité, informante A- mulher. Sabe-se que, por orientações metodológicas, a fim de não comprometer a pesquisa, em momentos, durante a pesquisa in loco, o inquiridor precisa perceber o informante, com intuito de não constrangê-lo. Acredita-se que o fator tabu linguístico para que estas inquiridoras não tenham realizado a pergunta, mesmo estando diante de uma mulher, embora não se sabe o contexto, local da entrevista. Sabe-se que, ainda hoje, há um forte tabu.

6 O que dizem os dicionários? A fim de observar a dicionarização de algumas das variantes coletadas, recorreuse a Cunha (2010) e a Bueno (1968), dois dicionários etimológicos, e, três dicionários mais modernos, Aulete (2006), Houaiss (2009) e Ferreira (1999). Para melhor verificação e exposição dos dados da consulta feita aos dicionários, o quadro 7 será elucidativo. Assim, para um melhor entendimento, para cada item lexical, conforme o caso, indicam-se as siglas: DOS. Dicionarizado com outro significado; D. Dicionarizado; e ND. Não dicionarizado. Vale ressaltar que as três variantes encontradas no APFB, boi, lua e mesmada, foram inseridas no quadro a seguir. No que tange às variantes coletadas nos dados do Projeto ALiB, somente as que apareceram na fala dos informantes em pelo menos duas localidades foram postas no quadro 7.

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Dicionários Variantes Boi Lua Mermada Menstruação Regra Regras Paquete Chico

Cunha (2010) DOS DOS ND D DOS ND D DOS

Bueno (1968) DOS D ND D D D D DOS

Aulete (2006) D D ND D DOS D D D

Houaiss (2009) D D ND D D ND DOS D

Ferreira (1999) D DOS ND D DOS D D D

Quadro 7- Itens lexicais documentados em 1963, APFB, e, 2003, ALiB, e sua dicionarização

A partir do exposto, portanto, algumas considerações detalhadas, sobre os itens encontrados. A lista segue, inicialmente, com as três variantes encontradas no APFB, logo após, as variantes encontradas no ALiB, assim como no quadro 7.

 Boi: Foi a variante que predominou há 50 anos, conforme dados do APFB (1963). Em relação a sua dicionarização, o item aparece dicionarizado com outro sentido nos dicionários etimológicos, porém, nos contemporâneos, há a dicionarização com o sentido de menstruação, o que indica, de modo notável, que, a variante passou a ganhar o status de dicionarizada, devido ao uso corrente. Esta variante, também, aparece nos dados do Projeto ALiB, o que demonstra a vitalidade desta variante, após 50 anos.  Lua: Este item lexical aparece dicionarizado em dois dos dicionários contemporâneos, Aulete (2006) e Houaiss (2009), e, um etimológico, Bueno (1968). Em Ferreira (1999) e Cunha (2010), o item está dicionarizado com outros significados.  Mermada: Esta variante não foi encontrada nos dicionários pesquisados, também só foi registrada apenas uma vez no APFB (1963).  Menstruação: A presença, em todos os dicionários, da variante considerada padrão, atualmente, menstruação, conforme dados do Projeto ALiB, explica, talvez, a predominância na fala dos informantes pesquisados que optam pelo

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item de prestígio. Em relação aos dados do APFB (1963), este item não foi coletado.  Regra: Foi encontrada em dois dos dicionários, em Bueno (1968), um dos etimológicos, e, em Houaiss (2009), um dos contemporâneos. Vale frisar que o item regra foi, estrategicamente, separado do seu plural regras, pois os dicionários trazem diferentes acepções para as lexias. Logo, também, percebe-se que alguns falantes utilizam no singular e outros no plural.  Regras: Este item teve sua entrada registrada em três dos dicionários: em Bueno (1968), no Aulete (2006) e em Ferreira (1999). Por conseguinte, dois deles não registraram: Houaiss (2009), que registrou o singular, e Cunha (2010), que não apresenta acepções para o plural e dicionariza o singular, mas com outro significado.  Paquete: Dicionarizado por dois dos dicionários contemporâneos Aulete (2006) e em Ferreira (1999). Em relação aos etimológicos, em Bueno (1968), o item aparece com outro sentido e, em Cunha (2010), há um registro interessante, a saber: Paquete: sm. ‘embarcação pequena para transmissão de ordens e correspondência’ 1707; na acepção chula de ‘mênstruo’, o voc. é de uso no Brasil; a translação de sentido decorre, sem dúvida, do fato de, como a embarcação, também ele acorrer em períodos regulares. Nesse sentido, conforme o autor, os falantes utilizam da metáfora para nomear o período que as mulheres perdem sangue todos os meses.  Chico: Este item lexical apresenta uma curiosa e expressiva divisão, pois os dicionários etimológicos registram sua entrada fazendo alusão ao termo em espanhol que se refere às crianças do sexo masculino, quando estão na infância. Já os contemporâneos, dicionarizam com o sentido de menstruação (popular e/ou vulgar) e fazem referência à alusão que os falantes fazem ao comparar o período curto da menstruação com a expressão em espanhol que nomeia os meninos pequenos.

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6.1 Dicionários versus dados geolinguísticos Hoje, é necessário repensar a questão da dicionarização de palavras, pois nem tudo que é falado constará nos dicionários de língua. No entanto, ainda percebe-se o pouco diálogo existente entre os dicionaristas e os dados geolinguísticos, pois muitos itens lexicais ainda têm sua entrada ignorada nos dicionários de língua, embora sejam uma variante bastante produtiva. Conforme Biderman (2004, p.185):

O dicionário é o depositário do acervo lexical da cultura. E como diz Alan Rey no prefácio do Petit Robert: o dicionário é a memória lexical de uma sociedade; constitui o acervo e o registro das significações que nossa memória não é capaz de memorizar. Convém lembrar ainda que o dicionário descreve o léxico em função de um modelo ideal de língua – a língua culta e escrita; pode, porém, registrar usos dialetais, populares, giriáticos esporadicamente. Por conseguinte, o dicionário convalida e promove a linguagem aceita e valorizada em sua comunidade. (BIDERMAN, 2004, p. 185)

No entanto, atualmente, já existem pesquisadores da área do léxico interessados em aproveitar os dados coletados pelas pesquisas de cunho dialetal para suprir e preencher as lacunas deixadas pelos dicionários convencionais, e, assim, também, construir obras especificamente dialetológicas, ou seja, obras com os itens lexicais coletados in loco baseados em dados da língua na modalidade oral. Conforme Aguilera, tem-se, como exemplos, dois projetos internacionais de grande importância, a saber:

i) O Dicionário Dialetal Brasileiro (DDB), associado ao Atlas Linguístico do Brasil e coordenado pelo Dr. Américo Venâncio Lopes Machado Filho, em desenvolvimento na UFBA em cooperação com a Universidade Paris XIII. ii) Tesouro do léxico patrimonial galego e português, sediado no Instituto de Língua Galega, da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha), tem como coordenadora geral a Drª Rosário Álvarez, dessa universidade e conta com três comitês: o galego, coordenado por Álvarez; o português, pelo Dr. João das Pedras Saramago, da Universidade de Lisboa e o brasileiro, pelas Drªs Sílvia Figueredo Brandão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Vanderci de Andrade Aguilera, da Universidade Estadual de Londrina. (AGUILERA, 2011, 272-273) [grifos meus]

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Assim, enquanto os dicionários citados por Aguilera (2011) ainda não foram lançados, a sociedade aguarda a recuperação dos dados dialetais e um melhor aproveitamento destes. O léxico de uma língua, em hipótese alguma, pode ser reduzido e/ou diminuído a um simples dicionário. Destaca-se a importância do dicionário, mas ele não é o único instrumento para guardar os itens lexicais de uma língua. Conforme cita Aguilera

Os registros dos atlas têm, dessa forma, uma contribuição relevante, considerando-se o expressivo volume de lexias ainda não acolhidas pelos dicionários em circulação. Assim sendo, os dicionários de língua portuguesa, ao incluírem dados dialetais, estarão prestando um serviço tanto à Dialetologia/Geolinguística como à Lexicolografia, pela possibilidade de os interessados terem, além dos atlas, outro veículo de preservação de dados orais, mais popularizado e de mais fácil consulta pelo leitor leigo em Geolinguística. .(AGUILERA, 2011, 277)

Dessa

forma,

espera-se

que

o

diálogo

entre

a

Lexicografia

e

a

Dialetologia/Geolinguística permaneça de forma harmoniosa e que venha render vários frutos, traduzidos em muitos dicionários com dados dialetais. Que haja um bom casamento e que seja duradouro.

7 Considerações Finais

Com intuito de disponibilizar mais uma pesquisa no campo da Dialetologia Pluridimensional e da Sociolinguística, baseada nos dados do APFB (1963) e do Projeto ALiB (2013), se faz necessário pôr em evidência algumas consideraçõe. Analisar, sincronicamente, em dois períodos, uma língua é atentar-se para a documentação histórica de uma dada comunidade. Assim, muitos trabalhos estão sendo desenvolvidos, neste âmbito, comparação entre cartas comuns a dois ou mais atlas, podendo, assim, confirmar ou refutar as áreas dialetais definidas por Nascentes (1953).

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A partir da leitura da carta resumo APFB x ALiB, algumas considerações foram feitas, a saber: a) Mesmo após 50 anos, ainda existe uma forma que possui vitalidade, nos dois atlas, a variante boi; b) Atualmente, a variante mais documentada é menstruação, o que revela sobre o poder da urbanização e do desenvolvimento, em todos os aspectos, levando, consequentemente, às mudanças sociais e linguísticas; c) Os jovens possuem um repertório lexical diferente dos idosos, e as escolhas das palavras vão demonstrar a ação do tempo na vida destes informantes, bem como o contexto histórico em que estes falantes estão inseridos; d) O contexto de interação entre informante e inquiridor pode influenciar na obtenção dos dados, uma vez que, em alguns momentos, a entrevista pode abordar em algo que se constitui como tabu; e) Há, cada vez mais, uma necessidade de aproximação entre os dicionaristas e os dialetólogos, a fim de proporcionar um melhor aproveitamento dos dados colhidos com as pesquisas dialetais. Em síntese, cabe frisar a importância de um trabalho desta natureza, pois, assim, é dado mais um passo para fomentar, ainda mais, as pesquisas linguísticas sobre o imenso e valioso léxico da língua portuguesa, além de poder verificar como as mudanças sociais interferem na língua falada, ou seja, torna-se indispensável pensar a língua associada aos aspectos sociais.

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Recebido Para Publicação em 06 de junho de 2015. Aprovado Para Publicação em 14 de agosto de 2015.

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